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A "nova esquerda"

Chile: vitória de Boric é a derrota dos trabalhadores

O que significa a vitória de Boric nas eleições chilenas?

presidente chile

Nesse domingo foi confirmada oficialmente a vitória de Gabriel Boric, como o mais novo presidente do Chile. Boric ganhou rapidamente a atenção dos principais órgãos da imprensa burguesa assim como de figuras da esquerda mundial por ser um membro da “nova esquerda”, que estaria subindo ao poder após a onda de golpes na América Latina. No entanto, o que parece ser uma vitória popular na imprensa, é na realidade um desastre para todos os anos de mobilizações no país.

A “nova esquerda”

Desde 2019, o Chile se vê em uma verdadeira panela de pressão. As diversas manifestações que tomaram conta do país levaram a classe trabalhadora a praticamente realizar uma revolução, neste que foi o maior levante em toda América Latina há pelo menos 15 anos. Com intensos confrontos com a polícia, milhares de presos políticos e uma população cada vez mais radicalizada, os trabalhadores chilenos se aproximavam rapidamente da derrubada do governo ultradireitista de Sebastián Piñera. No entanto, foi graças a figuras como Gabriel Boric e a “nova esquerda”, domesticada pelo imperialismo, que toda a mobilização foi encurralada em nome das eleições e de uma nova constituinte inócua para os interesses da população.

Desde o início das manifestações a esquerda não apoiou verdadeiramente o levante nas ruas, buscando a todo custo levar a luta para as instituições, negociando e entrando em acordo com o governo Piñera e com a burguesia chilena, o que por fim foi concretizado. Essa traição teve como ápice a eleição de Boric, que é contra o indulto aos mais de mil presos políticos no país durante as manifestações.

Um candidato do imperialismo identitária

A “nova esquerda” acreditou nas instituições e principalmente na nova Constituinte, dado ao simples fato de que esta contaria com paridade de gênero, haveria “representatividade” gay, indígena, etc., em uma forte política identitária, onde a “representatividade” corresponderia aos anseios populares. No fim, nada disso serviu para resolver os problemas dos trabalhadores chilenos, aprovando uma constituinte que pouco tinha de diferente da já existente, aprovada no período da ditadura de Pinochet.

O resultado de toda esta política pode ser visto nas eleições, onde o segundo turno ficou entre um fascista ─ José Antonio Kast ─ e um identitário direitista. Em meio a este total desastre, a esquerda decidiu por fim escolher o “mal menor”, escolher o candidato “democrático” contra o fascismo, em nome da vitória contra a extrema-direita.

A campanha em si quase foi um total fracasso, e o Chile quase teve um novo Pinochet eleito, contudo, o que assumiu em seu lugar está longe de ser a representação popular. Boric assumiu já em sua campanha uma postura extremamente direitista, até mais do que a de Michelle Bachellet, ex-presidente do PS que deu continuidade ao neoliberalismo e sempre se opôs aos governos mais “radicais” do nacionalismo latino-americano, principalmente os da Venezuela.

Boric é uma espécie de Guilherme Boulos chileno, inclusive apoiado entusiasticamente pelo sem teto fake do PSOL e pelos seus aliados. Ligado a organizações financiadas pelo imperialismo, Boric e sua “nova esquerda” são representantes abertos da política pró-imperialista, fato que pode ser confirmado inclusive em seu programa de governo.

Em uma aliança com o já muito direitista Partido Socialista e com o partido da Democracia Cristã, da direita, Boric fez um programa muito longe de uma verdadeira candidatura da esquerda, flertando com as propostas já feitas pela própria direita chilena.

O único caminho é a mobilização

Estas questões não são novidades para Boric, que em toda sua campanha eleitoral atacou os governos da Venezuela, Cuba e Nicarágua, em uma clara posição pró-imperialista. Suas posições, neste sentido, se assemelham à política dos principais setores da burguesia golpista, contra os governos nacionalistas na América Latina.

O Chile esteve perto de uma revolução, havia a possibilidade do impulsionamento de um governo operário, contudo, em seu lugar a esquerda entregou o governo para um direitista identitário.

O que ocorre no Chile não é uma reversão dos ataques feitos pela ditadura contra o povo, mas sim representa a derrota dos trabalhadores. A esquerda pequeno-burguesa utiliza-se da votação chilena para ventilar esta mesma possibilidade no Brasil, como um “esquema” para a vitória “contra o fascismo”.

No entanto, a luta que se encontra na América Latina vai muito além da luta pela democracia, mas sim é a luta contra o imperialismo e o golpe de estado. A única forma de superar o golpe de estado e levar à frente a luta contra o imperialismo não é por meio das instituições e muito menos utilizando-se apenas das eleições. É dever da esquerda organizar os trabalhadores e mobilizar toda a população contra o regime golpista e o imperialismo.

No Brasil este exemplo também pode ser visto na luta pelo Fora Bolsonaro, que o mesmo setor frente-amplista da esquerda enterrou com a tentativa de infiltração da direita e o boicote à revolta popular.

O exemplo que deve ser seguido do Chile, não é a ação da esquerda, que levou ao abismo a luta popular, mas sim a mobilização dos trabalhadores e da juventude revoltada, que por dois anos quase levou abaixo um dos principais regimes direitistas do continente. O mau exemplo da esquerda, é o exemplo que Boulos e o PSOL seguem no Brasil, contra a mobilização dos trabalhadores.


COTV

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