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A tragédia e a farsa

Boric não tem absolutamente nada a ver com Allende

Allende em 1970 se tornou um dos principais inimigos do imperialismo na América Latina e por isso foi derrubado, já Gabriel Boric é um de seus aliados

salvadore allende

Com a vitória da pseudo-esquerda no Chile, a esquerda pequeno burguesa brasileira, principalmente os setores mais direitistas e frente amplistas, saíram em uma estrondosa comemoração. Em sua análise, o fascismo foi derrotado nas urnas, as mobilizações populares foram canalizadas para o “grande líder” Gabriel Boric, que obteve uma triunfante vitória. O Boulos chileno, assim, seria uma espécie de novo Salvador Allende, o presidente nacionalista derrubado e assassinado pelo golpe de 1973 que levou à ditadura militar de Pinochet. Nada poderia estar mais distante da realidade.

Salvador Allende foi eleito o presidente do Chile em meio a uma enorme mobilização popular de tendências revolucionárias em 1970. Sendo um membro do Partido Socialista, ele não defendia nenhuma política verdadeiramente revolucionária, mas mesmo assim, sua relação com a classe trabalhadora fazia com que a pressão das mobilizações levasse a sua política para a esquerda. Dentre as principais conquistas da classe operária em seu governo estão tanto a nacionalização das minas de cobre, uma das maiores riquezas do país, assim como de parte do sistema financeiro e da indústria.

As políticas nacionalistas tomadas pelo governo Allende o transformaram em um dos principais inimigos dos EUA na América Latina, por isso foi organizado um golpe de Estado para derrubá-lo e impor uma ditadura militar ultraneoliberal. As relações de Gabriel Boric com o imperialismo são completamente diferentes: ele já foi saudado pelo governo dos EUA, por Luciano Huck e direitistas do mundo inteiro incluindo seu “adversário” eleitoral pinochetista e filho de nazistas, José Antônio Kast. Boric fez questão de deixar bem claro para o imperialismo que ele é um de seus aliados, atacou Venezuela, Cuba e Nicarágua, os 3 países que resistem ao golpismo no continente, a “troika da tirania” de acordo com os EUA.

Boric também já mostrou seu direitismo ao indicar ao seu governo o presidente do Banco Central da época de Pinochet. Em seus mandatos como parlamentar, ele se opôs à legalização do aborto e também à anistia dos presos políticos das gigantescas manifestações dos últimos anos contra o governo de Piñera. Isso revela que Boric não é um representante das mobilizações, mas na realidade sempre se pôs contra elas.

Esse é o ponto crucial que demonstra a gigantesca diferença entre Boric e Allende. Este, apesar de tomar diversas medidas contra a radicalização das massas, de fato estava diretamente ligado ao movimento popular da época. Tanto que logo após a sua vitória eleitoral, milhares de trabalhadores nem esperaram a sua posse, ocuparam terras e fábricas considerando que eles finalmente tinham chegado ao governo, e Allende, apesar de não estimular essa política, não os expulsou: conforme os trabalhadores ocupavam um local de trabalho ou terra, este era nacionalizado.

Allende suicidou-se no dia do golpe de Estado enquanto o palácio do governo era bombardeado pelos militares golpistas, exatamente como Getúlio Vargas em 1954. Ele tomou uma ação individual ao invés de mobilizar as massas para derrotar o golpe, assim saindo da vida para entrar na história. Mesmo com o gigantesco erro de não lutar frontalmente com o golpismo, é um absurdo comparar tal figura a Boric, que é um representante daquilo que os trabalhadores chilenos vêm tentando derrubar há pelo menos 2 anos. Ele é a ala esquerdista do mesmo regime político que governa o país há 30 anos. Ao povo resta apenas a mobilização para de fato derrotar o imperialismo e conquistar um governo dos trabalhadores.

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