A manifestação que ocorreu em São Paulo pelo Fora Bolsonaro, no último 2 de outubro, foi marcada pela rejeição total à participação dos inimigos do povo. A tentativa de sequestro da direção do movimento pelos parlamentares da esquerda, defensores da frente ampla com os partidos golpistas, terminou em grandes vaias contra os infiltrados. O repúdio dos manifestantes, principalmente do bloco vermelho, aconteceu devido ao papel criminoso que esses políticos e partidos da direita cumpriram no golpe de estado contra a presidenta Dilma Rousseff e também na prisão ilegal de Lula que garantiu a fraude de 2018 com a eleição de Bolsonaro.
O golpe contra a manifestação da esquerda e dos trabalhadores foi planejado desde 3 julho quando a esquerda frente-amplista tentou trazer o PSDB e o MBL para dentro do movimento. O MBL, que em outros momentos experimentou do rechaçado pelos manifestantes de esquerda nas ruas, não quiseram arriscar diante dos avisos do Partido da Causa Operária sobre sua presença nos atos. Já o PSDB, apostou no apoio do presidente do PSOL, Juliano Medeiros, e do PCdoB; como resultado, tiveram faixas e bandeiras rasgadas e queimadas, além de seus “ativistas” sofrerem combates físicos.
O gigantesco carro de som cujo aluguel é superior a 100 mil reais e toda estrutura montada para o evento tinha como objetivo proteger os infiltrados odiados pelas massas populares. Foram convidados desde partidos de esquerda (PT, PSOL, PCdoB e PCO), organizações e movimentos populares (CUT, CMP, MST, MTST), até partidos da “esquerda” burguesa (PDT, PSB, PV, Rede Sustentabilidade), partidos da direita (PSDB, DEM, MDB, PSL, PL, PSD, Solidariedade, Podemos e Cidadania) e organizações de extrema-direita (MBL e VPR). A ideia era organizar uma verdadeira orgia política, deixando de fora somente Jair Messias Bolsonaro, nem mesmo o partido que o elegeu ficou de fora.
Entre os oradores estavam Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL), Raimundo Bonfim (CMP), Manuela D’Ávila e Orlando Silva (PCdoB), Marcelo Freixo (PSB) Heloisa Helena (Rede). Apesar do oportunismo geral, o melhor da festa ficou para Ciro Gomes (PDT), Fernando Alfredo (PSDB) e Paulinho da Força (Solidariedade), a desaprovação resultou num ruído ensurdecedor do público. Sobre essas personagens faremos uma pequena retrospectiva para esclarecer a motivação da execração.
Paulinho da Farsa, o golpista
Aos gritos de ‘Fora golpista!’, Paulo Pereira da Silva, conhecido como Paulinho da Força por dirigir a central sindical pelega ‘Força Sindical’, discursou por menos de um minuto. O tratamento do público foi produto de sua participação no golpe de 2016, como agente da burguesia utilizou o aparato sindical para impulsionar a campanha pelo impeachment fraudulento da presidenta Dilma.
Paulinho da Força esteve junto às organizações de extrema-direita, MBL, Vem Pra Rua e Revoltados online. Seu partido foi criado neste período para realizar uma articulação entre os partidos da direita e a burocracia sindical, desde então tem votado sistematicamente contra os direitos dos trabalhadores como foi na reforma trabalhista e previdência. É importante destacar também que esteve ao lado e lutou contra a derrubada de Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara pelo PMDB).
O atual deputado federal tem responsabilidade direta na situação de miséria e morte à qual a população está submetida. Durante sua votação pela derrubada de Dilma, parodiou a canção ‘Pra não dizer que não falei das flores’ de Geraldo Vandré: “Dilma vai embora que o Brasil não quer você. E leve o Lula junto e os vagabundos do PT”. Nas eleições de 2018, apoiou o PSDB golpista com Geraldo Alckmin e, no segundo turno, optou pela ‘neutralidade’ que significa dizer Jair Bolsonaro.
É evidente que a participação do ‘Paulinho da Farsa’ no movimento Fora Bolsonaro, além de ter como objetivo se reciclar sua imagem desgastada, nada tem a ver com os interesses gerais da população, muito pelo contrário, assim como os demais infiltrados, busca impulsionar uma terceira via que substitua não Bolsonaro, mas contra a candidatura do ex-presidente Lula.
Ciro Gomes, o coronel abutre
O presidenciável pelo PDT, Ciro Gomes, tem se destacado pelos ataques constantes contra o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que lidera na preferência da população para as eleições de 2022. O coronel cearense busca colocar o PT de joelhos diante dos seus interesses, para isso busca chamar Lula de ‘canalha’ e ‘ladrão’. O público majoritariamente lulista não perdoou e soltou uma vaia gigantesca, Ciro não conseguiu ser ouvido e saiu atacando os manifestantes.
O abutre tem buscado se apresentar como um político de esquerda com objetivo de atrair as bases petistas para sua política, a qual cumpre o papel de retirar votos do PT para favorecer os candidatos da burguesia como visto na eleição de 2018.
Diante disso é preciso um esclarecimento para que os ativistas da esquerda não caiam no conto do vigário, Ciro Gomes foi da Arena (partido da ditadura militar), foi governador do Ceará pelo PSDB e diz ter orgulho de ter promovido cortes de servidores públicos, apoiou a candidatura de Aécio Neves contra Dilma Rousseff, no lançamento de sua candidatura de 2018 disse à rádio Jovem Pan que os latifundiários “acordam cedo para sustentar o país” e, no segundo, durante o segundo turno das eleições de 2018 viajou para Paris sem dar apoio ao candidato do PT, Fernando Haddad.
O partido do ‘Cirão da massa’, PDT, é sócio de uma sórdida campanha contra o PCO em conjunto com partidos da ‘esquerda’ burguesa e pequeno-burguesa como PCdoB. Diversas calúnias foram feitas principalmente sobre agressão contra mulheres, mas todas sem qualquer sem prova material ou com base na realidade. Já seus capangas foram flagrados em vídeo que circula na internet cuspindo no público manifestante incluso mulheres durante as vaias.
Ao final, militantes da CUT partiram para cima de Ciro Gomes depois de seus bate-paus terem agredido um manifestante que protestava contra sua presença no ato. Cabe destacar que o coronel também foi fortemente repudiado no Rio de Janeiro tendo que sair às pressas da manifestação. Assim o abutre vai colhendo os frutos amargos de sua política de ataque ao ex-presidente Lula.
PSDB, o partido do golpe e da terceira via
Diferentemente do ato realizado no dia 12 de setembro, João Dória não teve coragem de participar da manifestação tendo em vista o fatídico 3 de julho e resolveu mandar o presidente municipal do PSDB, Fernando Alfredo, como forma de medir o clima que seria recebido. A precaução se mostrou acertada, uma vez que, o discurso do tucano foi abafado e o mesmo teve que se retirar do carro de som em alguns poucos segundos. Dessa forma, Doria foi poupado de uma situação ainda pior que de Ciro Gomes.
O PSDB foi peça fundamental no golpe de 2016, na destruição dos direitos da CLT e da Previdência Social e na fraude que Elegeu Bolsonaro. Em São Paulo, os tucanos são responsáveis pela precarização das condições de vida dos servidores do estado e dos serviços públicos oferecidos à população. O PSDB é inimigo mortal da população, o governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) colocou milhões de pessoas no desemprego e na fome, além de ter privatizado dezenas de empresas públicas como a Vale do Rio Doce que foi entregue a preço de banana.
As vaias do último 2 de outubro não foram a primeira demonstração do sentimento de repulsa que o movimento Fora Bolsonaro tem para com PSDB, no dia 3 de julho militantes da esquerda rasgaram faixas e bandeiras levadas pelos tucanos no ato realizado na Avenida Paulista. É importante ter claro que o PSDB apoiou Bolsonaro em 2018, o governador do estado de São Paulo, João Doria, por exemplo, se apoiou na política de Bolsonaro, inclusive se lançou como o BolsoDoria nas eleições.
A participação do PSDB nos atos tem como objetivo emplacar a terceira via no cenário polarizado entre Lula e Bolsonaro, a disputa interna neste momento está entre Doria (BolsoDoria) e Eduardo Leite (BolsoGay) e a definição do candidato da burguesia deve acontecer com desenvolvimento das primárias dos tucanos que será exibida pela Rede Globo. Portanto, o PSDB não tem qualquer compromisso com a luta Fora Bolsonaro, muito pelo contrário, o apoiarão de novo, se preciso for, para derrotar Lula e povo.
Oportunistas e golpistas
Na manifestação também foram reproduzidos os áudios enviados pelas iscas de partidos golpistas, Alessandro Molon (PSB) e Randolfe Rodrigues (Rede Sustentabilidade), mas também de golpistas declarados como Simone Tebet (MDB), de agentes do golpe como Aloysio Nunes (PSDB) e até de banqueiros como Neca Setubal, apresentada como socióloga e herdeira do banco Itaú, o campeão em demagogia com negros e meio ambiente.
Entre aqueles que fugiram do escracho certo dos manifestantes estão Tabata Amaral (PSB), do ex-ministro de Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Junior Bozella do PSL (ex-partido de Bolsonaro). As organizações fascistas MBL e VPR não participaram por motivos bastantes óbvios, mas alegaram que se tratava de não fazer campanha por Lula Presidente em 2022.
O Fora Bolsonaro é Lula Presidente
O golpe contra o movimento Fora Bolsonaro foi derrotado muito em decorrência da influência da política do Partido da Causa Operária pela formação da Bancada Vermelha na manifestação (CUT, PT, PCO, etc.). Apesar do acordo entre políticos da esquerda com golpista para não mencionar o nome de Lula, os manifestantes que nada tinham a ver com isso por diversas vezes entoaram “Olê, olê, olá, Lula! Lula!” e também “Brasil urgente: Lula Presidente!”. A vitória sobre os partidos adeptos da frente-ampla com os golpistas da direita resultou em um grande recuo dos mesmos pelo fim das mobilizações de rua. Neste sentido, é preciso dar continuidade a luta por Lula Presidente nas ruas para enterrar a terceira via e derrotar o governo Bolsoanaro, bem como, o golpe de estado no país.