Em meio à disputa política entre setores da burguesia, o governador fascista do Rio de Janeiro Wilson Witzel está envolvido em um processo de impeachment que tramita na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ). A resposta política de Witzel foi apelar ao “guardião da democracia”, o golpista (STF).
Lembramos que o fascista, eleito na onda bolsonarista que foi impulsionada pela burguesia nas eleições de 2018, já chegou até a atirar de cima de um helicóptero em comunidades pobres, mas obviamente seu processo não tem relação nenhuma com a série de violências em um ano e meio de governo.
O pedido de impeachment foi apresentado por dois deputados do PSDB com base em supostas fraudes em contratos da saúde. Por envolver tucanos numa luta contra a corrupção, fica claro que o que está em jogo não passa de uma disputa política entre facções políticas da burguesia. O PSDB tem lançado mão de uma série de estratégias para tentar ressuscitar politicamente nas próximas eleições, sendo a mais abrangente delas a Frente Ampla.
O pedido de impeachment se situa nesse panorama pré-eleitoral, onde os representantes “puro-sangue” da burguesia tentam se apresentar como uma alternativa democrática ao bolsonarismo. O pior é que vários setores da esquerda vêm caindo nesse canto de sereia dos políticos tucanos e acabam ajudando nessa empreitada.
O movimento de Witzel em direção ao STF revela uma tentativa de acordo com os militares. Pra quem já esqueceu, vale lembrar que o presidente do STF, Dias Toffoli, é assessorado pelo general Ajax Porto Pinheiro. Depois de alguns atritos com Bolsonaro, quando chegou até a ser elogiado por esquerdistas desnorteados, Witzel recorre agora ao mesmo fiador do rival de ocasião, os militares.
Nesse terreno institucional, o destino de Witzel depende da sua capacidade em “entrar na linha” do bolsonarismo através de acordos com as forças políticas que mantém Bolsonaro intocado, mesmo diante de vários crimes envolvendo o “capitão”. De qualquer modo, o resultado desse imbróglio institucional será uma manobra, mesmo que o governador seja destituído.
A esquerda não pode ser mera espectadora desses conflitos e arranjos políticos entre a burguesia. É preciso ir além das ações parlamentares pois a esquerda não controla as instituições políticas. O terreno de luta concreto são as ruas, que devem ser ocupadas pelas massas a partir da ação da esquerda, que deve levantar claramente as palavras de ordem “Fora Witzel” e “Fora Bolsonaro”.





