Ação inócua e demagogia

Universidade e empresários “educam” seguranças contra racismo

Tentativa de conscientizar capitalistas e seguranças contra o racismo não irá resolver o problema para os negros

Uma medida de “combate” ao racismo foi apresentada esta semana pela Universidade Zumbi dos Palmares, em conjunto com os donos de shoppings centers de diferentes capitais do país. A proposta visa, entre outras coisas, conscientizar os agentes de segurança dos shoppings sobre o que seria uma abordagem correta, ou seja, não racista, contra os negros que frequentam estes espaços. A medida também visa incentivar os empresários a contratarem trabalhadores jovens negros, além do fornecimento de cursos de formação.

Apesar de na aparência a proposta se apresentar de maneira progressista, na prática trata-se de uma política inócua. Em relação ao problema da segurança, o racismo é parte integrante, e por que não, fundamental, do aparato repressivo. Um exemplo deste fato foi o que ocorreu em fevereiro de 2019 em um supermercado da rede Extra no Rio de Janeiro, quando um segurança matou asfixiado um jovem negro de apenas 19 anos.

Basta analisar também o número de negros mortos pelas ações policiais no país. Uma estatística que cresce a cada ano e não é por acaso. Trata-se da política planejada de extermínio do povo preto imposta pelo estado capitalista.

Nesse sentido, a tentativa de conscientização dos agentes de segurança não é uma medida eficaz. A única solução para por fim aos atos de racismo é por meio da mobilização dos negros, exigindo o fim de todo e qualquer instrumento de repressão.

O mesmo vale para a tentativa de incentivar os proprietários de shoppings, ou seja, os grandes empresários a contratarem trabalhadores negros. As condições de trabalho impostas aos negros são as mais degradantes, estes recebem os piores salários e são obrigados a suportarem situações humilhantes. Isto é consequência direta da política dos capitalistas de submeter os negros a todos os tipos de opressão.

A pandemia do coronavírus escancarou este problema. Os negros estão em primeiro lugar no número de mortes pela doença no país. No que diz respeito ao desemprego, são também os negros os mais afetados pela política de destruição das condições de vida levada adiante pelo governo golpista. O número de desempregados entre os negros é superior ao número de brancos desempregados.

O foco da luta aqui deve ser pela defesa das melhores condições de trabalho para os negros, de melhores salários e dos direitos do povo preto.

Ao invés de tentar convencer os capitalistas  de que o racismo não é correto, é preciso em primeiro lugar mobilizar os próprios negros contra a violência e em defesa da sua condição de vida.

A derrota do racismo só virá por meio da luta do povo preto. É necessário levantar um programa democrático de reivindicações dos negros, como por exemplo, a dissolução de todo o aparato repressivo do estado contra os negros, a defesa da isonomia salarial, entre outros pontos fundamentais.

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