Entre as várias homenagens feitas a Leon Trótski em virtude do aniversário de 80 anos de seu assassinato, muitas deles produzidas por este diário, merece destaque, sem sombra de dúvida, a declaração do presidente venezuelano Nicolás Maduro:
Recordamos a uno de los grandes líderes de la Revolución de Octubre en Rusia, León Trotsky. A 80 años de su asesinato, los revolucionarios del mundo honramos la memoria y el legado de este gran teórico y político que acompaña hoy a la clase obrera que lucha por sus derechos. pic.twitter.com/LhkkVJ78d8
— Nicolás Maduro (@NicolasMaduro) August 21, 2020
Traduzido livremente para o português, temos:
Lembramos hoje um dos grandes líderes da Revolução de Outubro na Rússia, Leon Trótski. A 80 anos de seu assassinato, nós, revolucionários de todo o mundo, honramos a memória e o legado deste grande teórico e grande político que acompanha hoje a classe operária na luta por seus direitos.
Essa não é a primeira vez que Maduro homenageia Trótski. Isso já havia acontecido no ano passado. Essa insistência do líder venezuelano, por sua vez, é uma grande demonstração da importância que o trotskismo vem adquirindo, cada vez mais, na América Latina e no mundo.
Anos antes de ser assassinado pelo agente stalinista Ramón Mercader, Trótski teve o direito de asilo político negado por dezenas de países. Inimigo mortal da burocracia stalinista, de um lado, e da burguesia imperialista, por outro, o revolucionário foi sabotado por praticamente todos os governos ditos “democráticos” no mundo. Conseguiu refúgio, enfim, no México.
Essa perseguição incessante a Trótski, que se deu por sua firmeza de caráter, incapaz de renunciar a seus princípios, é, em si, a prova de que sua política era um fator de imensa preocupação para toda a ordem vigente. E se Maduro, como chefe de Estado, se mostrou solidário a Trótski, mesmo diante de toda a campanha suja de difamação que o trotskismo vive até os dias de hoje, repetindo o gesto do presidente mexicano, Lázaro Cárdenas del Río, que concedeu asilo para o revolucionário, é porque a defesa da tradição revolucionária do trotskismo segue mais do que viva. A defesa do trotskismo é uma questão de sobrevivência para os povos explorados de todo o mundo.
Não queremos com isso dizer, obviamente, que Maduro se tornou um militante trotskista. O presidente venezuelano permanece sendo um elemento do nacionalismo burguês latino-americano. No entanto, a defesa de Trótski é a prova de que a sua análise sobre a luta dos países atrasados contra os países imperialistas, por exemplo, se mostrou correta, mesmo diante de todas as formulação anarquistas, stalinistas e pequeno-burguesas diante do problema. De que, também, a luta dos trabalhadores contra a extrema-direita deve ser travada por meio da mobilização dos trabalhadores, e não por meio de alianças obscuras com partidos falidos do regime burguês. O armamento, ainda que limitado, do povo venezuelano, a criação de milícias para defender o país caribenho e o posicionamento firme de Maduro contra o imperialismo norte-americano são, de alguma maneira, expressões, ainda que confusas, da luta de Trótski contra a burguesia internacional.
Junto às homenagens de Maduro a Trótski, podemos citar várias outras demonstrações de que a influência do programa da Quarta Internacional vem crescendo sobre o continente latino-americano. O crescimento do Partido da Causa Operária, no Brasil, é também uma expressão desse fenômeno. Afinal de contas, um partido que reivindica para si o legado de Trótski alcançou vários feitos recentes, como o estabelecimento de um canal de televisão 24 horas no ar, bem como um jornal de importância reconhecida internacionalmente.
Na próxima etapa, é preciso organizar a classe operária em todo o mundo para dar continuidade a esse movimento. É preciso tornar a compreensão cada vez mais clara dos acontecimentos, a adesão cada vez maior ao pensamento de Trótski, em uma ação efetiva. É preciso mobilizar as massas contra o fascismo e construir o partido operário, revolucionário, de massas e internacionalista.





