O País ultrapassou a cifra assustadora de 12 mil mortes. Igualando-se aos países imperialistas mais afetados, o Brasil figura entre os países que mais mortos acumulam, em sua esmagadora maioria de pretos, pobres trabalhadores e desempregados.
Em contra partida existe sistemática subnotificação, mascarada inclusive, pelo nível de testagem que é irrisório, logo, não há como saber, precisamente, os números de infectados pelo coronavírus. De outro lado, a revelação do número verdadeiro de infectados, acaso fosse revelado, desmascararia a proporção de infectados/mortos, denunciaria ao mundo que no Brasil há milhares de mortes a mais do que os insignificantes índices mostrados nos dados oficiais.
É risível ver na grande mídia que o “número real de mortos no Brasil por covid-19 pode estar perto de 2.000”. Quando o Ministério da Saúde divulga, todos os dias, as mortes pelo coronavírus, há sempre uma certeza: o número é (bem) menor do que o atual porque traz dados defasados, além de mascarados eis que campanha Mundial do imperialismo é pela imediata retomada do trabalho em todos os postos.
De outra parte, exames são quase inexistentes e os realizados (em baixos números) para detectar covid-19 demoram a ser processados, muitas pessoas já morreram por efeito do vírus, mas ainda não estão nas estatísticas.
Subestimados os números, no sábado, ao anunciar 1.124 mortes no país, o ministério da saúde divulgou mais 68 óbitos na contagem oficial. Mas dados da própria pasta mostram que somente 13 pessoas das contabilizadas ontem haviam de fato deixado de respirar na data em que foram notificados. Os 55 restantes morreram nos dias anteriores, mas só ontem saiu a confirmação de que a covid-19 foi a causa da morte.
Ocorre que o boletim do último sábado (11), por exemplo, trazia uma morte de 17 de março — 25 dias atrás. Esse é, entretanto, um caso extremo. O prazo para que a maior parte dos pacientes fatais entre para a estatística do Ministério da Saúde tem sido de 10 a 14 dias.
Na verdade, mais do que discrepâncias pontuais, a diferença entre dado oficial e mortes causadas pela covid-19 se revela um padrão. O Ministério da Saúde divulga atualização retroativa de mortos e números chegam a dobrar.
Acresce-se a falta de testes e fila para análise das amostras ajudam a justificar déficit. Ou seja, mortes levam até duas semanas para se tornarem estatística.
De outro lado, até no caderno de Ciências da Revista Exame, noticiou que no Brasil, a pesquisa da pandemia de covid-19 “apesar de feita com dados oficiais, análise pode não refletir a realidade, já que alta nas mortes por coronavírus indicam forte subnotificação no país”. Diz ainda, “isso porque, no Brasil, a explosão de mortes por doenças respiratórias e de óbitos registrados em cartórios indicam uma forte subnotificação de casos de covid-19”.
Apesar da subnotificação, o Brasil ultrapassou ontem a marca oficial de ais de 13 mil mortos, situando-se entre os sete países com maior número de vítimas, a caminho de disputar as primeiras posições desse macabro raking com os Estados Unidos e o Reino Unido.