O debate ocorrido na quinta-feira (27) envolvendo Gleisi Hoffmann (PT), Luciana Santos (PCdoB), Juliano Medeiros (PSOL) e Rui Costa Pimenta (PCO), presidentes de seus respectivos partidos, trouxe à tona a discussão de uma frente única para combater a expressão do fascismo no Brasil: o bolsonarismo. Lembrada pela presidenta do PCdoB, a “correlação de forças muito adversa”, resultado da crise histórica do capitalismo que tem impulsionado a extrema-direita no mundo, tem na campanha de guerra à Lula um de seus principais eixos de aglutinação dos diferentes setores da direita. O que aumenta a importância do tema para a esquerda.
Neste sentido, só pode ser benéfico aos amplos setores das organizações de luta dos trabalhadores a articulação de uma frente única em defesa do ex-presidente. Longe de se tratar da luta por uma pessoa, esta é a luta contra a extrema-direita e seus representantes no País. Esta defesa, contudo, deve ir além das declarações, constituindo-se uma luta política real, concretizada na candidatura de Lula às eleições de 2022 sob apoio de todas as organizações interessadas em derrotar a extrema-direita.
Sobre isto, é importante lembrar que a operação fraudulenta de 2018, que levou à eleição de Bolsonaro, só foi possível com a exclusão do ex-presidente do processo eleitoral. Com pesquisas conduzidas pelos próprios órgãos golpistas apontando entre 60 a 65 milhões eleitores inclinados a votar em Lula, este é o ponto fundamental que tornava (e ainda torna) o petista uma ameaça aos interesses dos golpistas.
Claro que as estratégias dos partidos para as eleições será definida pelos interesses de cada força porém, ante a situação geral imposta pela correlação de forças vigente, não faz sentido discutir a conquista de cargos, ainda mais quando há quase um consenso de que os partidos de esquerda sofrerão uma derrota muito expressiva na disputa eleitoral deste ano, mesmo para os padrões vistos após o golpe de 2016.
Aparentemente, a construção de uma frente única pela candidatura de Lula como arma para aglutinar forças contra o golpe seria menos ofensiva aos programas dos partidos do que alianças com partidos de esquerda, haja vista a disposição dos dirigentes partidários em construir alianças. Colocado no debate, o tema foi encarado com reservas pelos presidentes dos partidos de esquerda mas não poderia ser diferente, dada a política de cada um.
Fica claro que independente de qualquer diferença entre os partidos, a gravidade da ameaça representada pelo fascismo não pode ser relegada a segundo plano. Que as diferenças então sejam pesadas em uma perspectiva real, para o enfrentamento ao avanço da extrema-direita, tal como vem sendo defendida pelas diferentes forças da esquerda, de modo que a frente única contra Bolsonaro prospere, agite a militância dos partidos de esquerda, organize o repúdio da população ao regime e esmague o fascismo da única maneira atestada pela história: com o povo mobilizado nas ruas!





