Os ataques da extrema direita contra movimentos sociais e contra a luta das populações oprimidas estão ocorrendo de diversas formas, principalmente após a chegada de Bolsonaro ao poder, de forma fraudulenta. Um dos setores mais atingidos com essa política de criminalização e ataque são os movimentos pela terra, que vão diretamente contra os interesses de latifundiários e outros sangue sugas do território brasileiro. Além das declarações claras do próprio presidente golpista contra esses movimentos e das políticas colocadas em prática pelo ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, a extrema direita utiliza também dos seus capachos e agentes repressivos para continuar com essa perseguição, onde o caso mais recente está ocorrendo em Rondônia, com os camponeses da LCP (Liga dos Camponeses Pobres).
Os ataques começaram após a morte de um tenente e um sargento da Polícia Militar no distrito de Mutum- Paraná, na cidade de Porto Velho –RO no dia 03 de outubro. Após o ocorrido, os camponeses da LCP estão sendo acusados de terem cometido os crimes e com isso a perseguição está ainda mais intensa. No último dia 10, a polícia deflagrou uma operação denominada Operação Ordo, onde 17 mandados de prisão e oito de busca e apreensão foram efetuados, todos contra membros da LCP. Vale lembrar que a região, assim como várias outras dentro do país, principalmente na região Norte, são alvos freqüentes de disputas de terras entre grandes fazendeiros, latifundiários, madeireiros e os movimentos sociais pela terra como a LCP. Os conflitos acontecem pela disputa de interesses não somente entre os lados opostos, mas também entre os grandes exploradores, que utilizam dos aparatos do Estado para legitimar e intimidar aqueles que ameaçam seus interesses.
O ato de incriminar e colocar os camponeses como “perigosos” e uma ameaça a sociedade serve duplamente aos interesses burgueses: primeiro que dessa forma é mais fácil conseguir uma apelação popular para que esses movimentos sejam criminalizados, colocando-os assim dentro da cadeia e eliminando totalmente a luta pela terra da região, deixando o caminho livre para os verdadeiros exploradores e criminosos, e também escondem outros conflitos que acontecem até mesmo entre os próprios latifundiários, além das ameaças constantes que os camponeses precisam lidar com a presença de jagunços e até mesmo agentes do Estado para reprimi-los. O episódio ocorrido com os policiais serviu apenas de pretexto para que uma campanha de perseguição e uma tentativa de aniquilação do movimento da LCP na região fossem feitas, onde camponeses estão sendo presos politicamente por confrontarem os interesses de grandes latifundiários em regiões estratégicas.
O caso da LCP e sua perseguição no estado de Rondônia demonstram a necessidade da criação de comitês de autodefesa entre os camponeses e todos os trabalhadores do campo contra as ameaças dos grandes latifundiários sangue sugas do território nacional e dos aparatos repressivos do Estado. Além disso, é necessário denunciar e exigir imediatamente a libertação dos presos políticos da LCP, neste que é mais um caso claro de ataque da extrema direita contra os trabalhadores e contra os movimentos sociais pela terra.