Mobilização dos trabalhadores

Líbano, França e Chile mostram o caminho para combater a crise

Países tiveram nos últimos dias grandes manifestações dos trabalhadores perante a crise global que assola todas as economias e o proletariado.

As contradições de classe estão cada vez mais acirradas diante da crise capitalista e do Coronavírus, e nem mesmo a quarentena imposta pelos governos está impedindo os trabalhadores de irem ás ruas protestarem contra os interesses burgueses. Países como o Chile, o Líbano e a França tiveram nos últimos dias grandes manifestações dos trabalhadores perante a crise global que assola todas as economias e o proletariado.

No Líbano, os protestos em Beirute, Trípoli e outros municípios foram marcados pela revolta do povo libanês diante da grande desvalorização da moeda além da ameaça de demissão do presidente do Banco Central em meio à crise, o que agravaria ainda mais a situação, além das políticas que estão prejudicando os trabalhadores como o corte de salários de funcionários públicos em 50%.

Mohamed Azakir/Reuters.

Na França, o Dia do Trabalho, na última sexta (1) foi marcado por protestos que foram altamente reprimidos pela polícia, onde houveram 165 prisões, diante das condições dos trabalhadores dentro da crise. No Chile, os protestos que já vinham ocorrendo antes mesmo da crise do Coronavírus pela insatisfação com o governo e as políticas neoliberalistas da constituição herdada do fascista Augusto Pinochet, ocorreram como forma de repudiar a polícia chilena que é tão violenta e tem se mostrado ainda pior nos últimos acontecimentos, além da insatisfação do povo chileno quanto às políticas diante da crise e também o adiamento da votação do referendo constitucional do país, que estava previsto para ter ocorrido dia 26 de abril antes da pandemia.

A insatisfação dos trabalhadores é algo que vem se arrastando há tempos e essa situação está ainda mais crítica com a intensificação da crise. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), estima-se que pelo menos 1,6 bilhões de pessoas devem perder seus empregos devido à crise e recessão que podem ser as maiores do século na história capitalista. Os trabalhadores se encontram em uma situação totalmente precária, onde seus direitos estão sendo retirados, sua renda diminuída, fazendo com que os mesmos mergulhem em um abismo de pobreza, desemprego e desigualdade. Enquanto isso, os interesses burgueses continuam sendo garantidos pelo Estado e o trabalhador está literalmente pagando pela crise, colocando sua vida em risco e vendo seu dinheiro enriquecer ainda mais os grandes bancos e empresas capitalistas. Os trabalhadores precisam se organizar e se mobilizarem, mesmo com as restrições e repressões do Estado em meio á quarentena fajuta por eles imposta, onde apenas uma parte privilegiada da população está tendo condições de ficar em casa, enquanto uma grande massa de trabalhadores está correndo risco de vida voltando aos postos de trabalho, afinal, como afirmaram os trabalhadores chilenos “se podemos trabalhar, podemos protestar”.

A população deve seguir os exemplos já mostrados na França, Líbano e Chile, e fazer uma grande mobilização para que suas vidas sejam colocadas acima dos interesses burgueses. A mobilização internacional dos trabalhadores é para que todos possam ter oportunidade de realizarem a quarentena, não apenas uma parcela da população, que o Estado garanta esse direito das pessoas de protegerem suas vidas, além de garantir meios econômicos e de saúde pública para isso, não colocando políticas ainda mais violentas para com os trabalhadores. A derrubada dos interesses burgueses só é possível com a união dos trabalhadores e a construção de um estado operário, os trabalhadores não podem e não devem mais ser bucha de canhão diante das crises que se desenvolvem no fracasso capitalista.

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