Luta pela terra

Bolsonaro coloca Incra e Funai sob o interesse dos grileiros de terras

Bolsonaro transformou órgão de apoio a trabalhadores do campo e de comunidades tradicionais em secretarias para atacar a luta pela terra e dar aval para os latifundiários

As recentes decisões do governo em relação às questões fundiárias mais do que evidenciaram a política do governo Bolsonaro para os trabalhadores do campo e comunidades tradicionais. Duas medidas que chamam a atenção foi a aprovação da Instrução Normativa nº 9/2020 pelo presidente bolsonarista da Fundação Nacional do Índio (Funai), o delegado da Polícia Federal Marcelo Augusto Xavier da Silva, que incentiva e legaliza a grilagem de terras indígenas.

Outra que está para ser aprovada a qualquer momento é a Medida Provisória 910/2019 que legaliza a grilagem de terras públicas em todo território nacional. Essa medida contou com o apoio público da Ministra da Agricultura, a musa do veneno Tereza Cristina, e pelo presidente bolsonarista do Incra, Geraldo Melo Filho.

É importante lembrar que esses dois ataques foram articulados pelo secretário de assuntos fundiários do governo federal, Antonio Nabhan Garcia, pistoleiro reconhecido nos tempos de fundação da União Democrática Ruralista (UDR) e em total acordo da bancada ruralista no Congresso Nacional.

As duas medidas, entre incontáveis ataques a luta pela terra, relevam que o governo Bolsonaro está se utilizando de órgãos que deveriam reconhecer a causa indígenas e de luta pela terra, o roubo de terras públicas, direitos de povos tradicionais e de apoio, em instrumentos fundamentais para atacar a luta pela terra.

Essas medidas favorecem abertamente setores do agronegócio e do negócio bilionário formado pela grilagem de terras públicas. Essas medidas tomadas por Bolsonaro em benefício dos latifundiários atacam unidades de conservação, assentamentos rurais, quilombos, terras indígenas e pequenos agricultores, além da União que é detentora de uma enorme quantidade de terras.

Tudo isso se dá bem debaixo do nariz da esquerda pequeno burguesa que evitou enfrentar o governo Bolsonaro e que a pandemia de coronavírus agravou ainda mais, pois a esquerda que não queria se confrontar com a direita tratou de correr para suas casas e deixar a população do campo totalmente a mercê da direita bolsonarista. Essa posição da esquerda contribuiu significativamente para esses ataques.

É preciso mais que denunciar essas medidas, mas organizar os trabalhadores do campo e da cidade para derrubar Bolsonaro e todos os golpistas. Isso porque boa parte do Congresso Nacional, incluindo o chamado “centrão”, apoia de maneira incondicional essas medidas colocadas e incentivadas por Jair Bolsonaro.

Denunciar e se apoiar na direita “civilizada” não irá garantir a reversão desses ataques no campo em favor da grilagem de terras e dos latifundiários. A única garantia é os trabalhadores organizados para derrotar Bolsonaro e todos os golpistas.

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