Em coluna publicada neste dia 5 de maio no sítio do Uol/Folha de S.Paulo, o colunista Josias de Souza defende a tese de que o “Bolsonarismo e lulismo são extremos que se tocam”, trazendo à tona novamente a ideia intrigante de que a extrema-direita teria a mesma posição que a esquerda.
Um dos argumentos é o de que ambos, Lula e Bolsonaro, têm atacado Sergio Moro. O primeiro, porque foi preso pelo ex-juiz sem provas, e o segundo, porque o então ministro da Justiça saiu do governo levantando acusações. Trata-se da tradicional perfídia da imprensa golpista que procura igualar aquilo que é diametralmente oposto com o objetivo de atacar a esquerda.
Se Bolsonaro ataca Moro agora, independentemente das suas razões, fato é que o presidente golpista é um dos beneficiários da política levada adiante por Moro na Lava Jato. A esquerda e Lula atacam Moro justamente por um problema de princípios. A Lava Jato é uma operação política, ditatorial, que serviu para prender ilegalmente Lula. Não precisa muito esforço para notar que há uma enorme diferença entre um e outro.
Outra “evidência” de que bolsonaristas e lulistas se encontram está no ataque à imprensa. Lula é vítima de uma campanha de calúnias de anos, cujo objetivo foi o golpe de Estado de 2016 e, posteriormente, sua prisão. Bolsonaro é um produto dessa calúnia orquestrada por essa imprensa que agora procura controlá-lo colocando em prática métodos parecidos, mas muito menos intensos do que aqueles aplicados contra a esquerda e o PT.
Se ambos atacam essa imprensa, cada um tem seu motivo. Mas não dá para deixar de dizer que a imprensa golpista é uma verdadeira usina de mentiras, servindo aos interesses dos grandes capitalistas. Bolsonaro, que se beneficiou desse esquema, agora se sente ameaçado e faz demagogia com sua base eleitoral, procurando aparecer como grande opositor da imprensa, coisa que de fato não é.
Josias de Souza acusa ainda ambos de entrarem em acordo com o chamado “centrão”. Nada poderia ser mais cínico vindo de um colunista da Folha que, junto com o restante da imprensa golpista, é a representante dos políticos do “centrão” (mais correto seria dizer da direita tradicional), como o PSDB, DEM e PMDB. Tanto Lula, quanto Bolsonaro, são empurrados por essa mesma imprensa, cada um à sua maneira e com objetivos distintos, a procurarem acordo com o “centrão”, sob pena de serem chamados de “extremistas”.
O que quer a Folha de S.Paulo ao aproximar Lula de Bolsonaro é justamente dissimular a polarização política no País. E tudo isso para levar a política para o “centro”, que nada mais é do que a direita, que deu o golpe e foi responsável pela eleição de Bolsonaro.



