Nas últimas semanas vem crescendo em todo o país, exponencialmente, as manifestações de repúdio aos golpistas de uma forma geral e, particularmente, ao governo Bolsonaro, que nada mais é do que a expressão viva (ou morta), do regime instalado no país depois do golpe de estado que depôs o governo eleito em 2014.
Na festa popular mais importante do país, o Carnaval, ocorrida no início do mês de março, o presidente fraudulento foi, de forma muito justa, “homenageado”, onde de norte a sul do país o que se viu foram gigantescas manifestações de repulsa e ojeriza ao inquilino clandestino do Planalto, onde foram entoados cânticos de “hei, Bolsonaro, vai…!!!
As manifestações são uma resposta indignada do conjunto da população e mais especificamente das massas populares aos brutais ataques do governo dos banqueiros e do grande capital contra as conquistas e os direitos democráticos do povo trabalhador, como o projeto de “reforma” da previdência, os níveis estratosféricos do desemprego, a carestia, a violência e a repressão policial contra as camadas pobres e exploradas da periferia das grandes cidades.
Neste final de semana passado, por ocasião da passagem dos 55 anos do golpe militar, ocorrido em 31 de março de 1964, o fraudulento presidente fascista Bolsonaro determinou que houvessem comemorações oficiais de exaltação à ditadura militar assassina, onde deveriam ser realizados festejos golpistas, principalmente nos quartéis.
A reação de importantes setores antigolpistas da sociedade foi imediata. Em várias capitais e cidades do país e também do exterior foram convocados atos de repúdio às comemorações determinadas por Bolsonaro, apoiadas por setores da extrema direita que ainda hipoteca algum apoio – cada vez menor – ao capitão-presidente.
Um dos setores que reagiu de forma bastante participativa e enérgica contra os festejos propostos por Bolsonaro, foram uma parte das torcidas organizadas dos times de futebol do país e também de diretorias dos clubes, como foi o caso do Esporte Clube Bahia, que através de uma nota em uma rede social, declarou: “Na alegria ou na tristeza. Na saúde ou na doença. De Democracia a gente entende. Hoje e sempre: #NuncaMais.” O clube baiano, único a manter no país um núcleo de ações afirmativas no Brasil, ressalta a inclusão de torcedores mais pobres em seu quadro associativo, com plano popular de sócio e eleições diretas para presidente. O Tricolor de Aço já foi tachado de “esquerdista” e “comunista” por assumir posição contra a intolerância religiosa e a favor dos direitos LGBTs, mas, como explicou o presidente Guilherme Bellintani ao EL PAÍS no ano passado, pretende seguir a mesma linha de engajamento social. “Temos obrigação de nos posicionar, frear extremismos e apoiar causas que vão além do campo de jogo” (El País, Esportes, 01/04).
Na rodada de final de semana dos campeonatos regionais, apareceram nas torcidas faixas de protesto repudiando o golpe e a ditadura, com dizeres de “Ditadura Nunca Mais”, como foi o caso de um setor da torcida vascaína, no Maracanã, na partida que decidiu a final do segundo turno carioca.
Também o Corinthians, o time com a segunda maior torcida do país, lembrou o ídolo Sócrates, o craque do “Timão” que mantinha uma postura clara de oposição à ditadura. “Uma estátua do ex-jogador com o punho cerrado, gesto que o marcou como opositor da ditadura nos anos 80, foi exposta na arquibancada da Arena Corinthians” (Idem, 01/04).
Clubes de menor expressão também se manifestaram contra a ditadura, como foi o caso do Internacional, da cidade de Lajes, em Santa Catarina. Em sua conta no Twitter, o clube publicou a seguinte nota: “Na Argentina, os clubes se uniram no último domingo para repudiar o indefensável. Caso não haja iniciativa semelhante hoje no Brasil, ao menos nós, pequeninos, viemos aqui para falar o óbvio, como fizeram os argentinos: #DitaduraNãoSeComemora” (Idem, 01/04).
Também houve um contundente e corrosivo manifesto assinado por 50 torcidas organizadas dos mais importantes clubes de futebol do país, criticando duramente o regime militar golpista e a ditadura que se instalou no país por longos 21 anos. Todas essas manifestações ocorridas no país, tanto no carnaval como agora por ocasião dos 55 anos do golpe militar fascista de 64, expressam o crescimento da rejeição aos golpistas e ao governo Bolsonaro, cuja popularidade está em queda livre junto aos mais diversos setores da opinião pública e da sociedade.
A tarefa que se coloca para o momento é não só intensificar a campanha de denúncias do verdadeiro caráter antipovo do governo fraudulento do presidente fascista, como dar a este movimento uma expressão consciente, através do impulsionamento da campanha pelo “Fora Bolsonaro”, que deve estar colada às lutas pela derrocada do projeto de destruição da previdência; do projeto de destruição dos sindicatos e, principalmente, em torno à luta pela liberdade do ex-presidente Lula.





