O jornalista esportivo Juca Kfouri publicou em sua coluna do dia 04 de julho, no jornal Folha de S.Paulo (tribuna raivosa do antipetismo, articuladora e defensora do golpe de Estado de 2016), matéria onde comenta a vitória do Brasil sobre o maior rival do continente (e talvez do mundo), a Argentina, onde não só deixa nas entrelinhas a ideia de que o triunfo da seleção nacional foi quase uma “obra do acaso”, como assume uma postura de crítica explicitamente depreciativa do nosso futebol.
Kfouri é reconhecido no meio esportivo como um comentarista de “esquerda”, progressista, já tendo inclusive entrevistado, recentemente, o ex-presidente Lula, que se encontra encarcerado em Curitiba, cumprindo pena em processo fraudulento, onde foram fabricadas provas para legalizar a condenação arbitrária e inconstitucional da mais importante liderança operária e popular do país. O comentarista esportivo, no entanto, parece pertencer a mesma linhagem de outros esquerdistas tupiniquins, que em seus comentários e posicionamentos não poupam ataques e críticas descabidas a determinados aspectos da cultura nacional. Sim, o melhor futebol do mundo, o futebol brasileiro, é um dos mais importantes aspectos da cultura nacional e deve ser reconhecido como uma importante conquista das massas populares do país.
O que foi escrito por Juca Kfouri em sua coluna sobre o futebol brasileiro, depois da altiva e incontestável vitória sobre os rivais argentinos é digno da mais ampla repulsa. O colunista não foi capaz de reconhecer que a vitória pelo placar de 2 x 0 sobre a Argentina foi o resultado da superioridade do futebol brasileiro, muito valorizado inclusive pelo bom futebol apresentado pelo adversário, que fez a sua melhor partida na competição continental. Em um dos parágrafos, Kfouri tenta apresentar o maior número de finalizações do adversário do Brasil como prova da “superioridade” argentina em campo. Critica também a arbitragem por não ter marcado supostos dois pênaltis cometidos pela zaga brasileira, um sobre o zagueiro Otamendi e outro no atacante Aguero. Acertadamente, nem o árbitro de campo e mesmo o VAR viram qualquer ação faltosa nos dois lances, interpretando como mais um “teatro” dos adversários, que não conseguiam furar o bloqueio defensivo do selecionado nacional, um dos pontos fortes da equipe na vitória que classificou o Brasil para a final contra os peruanos. Ora, maior posse de bola e/ou número maior de finalizações não podem ser interpretados como superioridade. Na partida, o Brasil foi cirúrgico, eficiente quando as oportunidades apareceram. A Argentina pode ter criado, mas…!!!
O registro mais espantoso na coluna do comentarista, todavia, fica por conta da seguinte pérola: “No domingo (7) é enorme a chance para o Brasil comemorar o nono título continental, aquele que é possível na atualidade que tem os europeus como hegemônicos quando se trata de copas do mundo” (FSP, 04/07). Opa, como assim! O futebol pentacampeão do mundo, o primeiro a ser tricampeão mundial deve se contentar então com um título continental? É isso senhor Kfouri? De onde você tirou isso, Juca? Tentar confinar o melhor futebol do mundo aos limites de um título continental é prova da mais “respeitável” estupidez; um comentário lunático, disparatado, sem qualquer mínima conexão com a realidade. Em que mundo você vive prezado jornalista esportivo?
A suposta “hegemonia européia” afirmada na coluna é uma peça de ficção, artificial, é produto dos esquemas milionários das corporações capitalistas que hoje controlam o futebol internacional, particularmente o futebol do velho continente. Nunca é demais lembrar que todas as grandes equipes, todos os grandes times dos países que se destacam no futebol da Europa estão recheados de jogadores sul-americanos, com destaque para os craques brasileiros, mas também argentinos, uruguaios, chilenos, colombianos, peruanos e por aí vai.
Essa profusão de jogadores estrangeiros nos gramados do velho continente é o que os transforma no centro das atenções e da atração dos gigantescos investimentos dos grupos capitalistas. Isso, no entanto, não faz com que eles (os europeus) sejam os melhores, tenham o melhor futebol, tenham as melhores seleções. É um esquema operado fora das quatro linhas, envolve cifras astronômicas, interesses gigantescos e essa é a explicação para o fato de que desde 2006, somente seleções europeias tenham conquistado o cobiçado título mundial.
Embora seja importante o título da Copa América (não se trata de desmerecê-lo) a conquista da taça do continente aparece como muito modesta para o futebol brasileiro, para o futebol que deu ao mundo um Pelé, um Garrincha, um Nilton Santos, um Didi e dezenas de outros craques que projetaram e colocaram o nosso futebol no topo do mundo.





