A campanha da imprensa burguesa contra o jogador brasileiro Neymar (e contra o futebol brasileiro, por conseguinte) parece não ter fim. A cada semana, um novo episódio é lançado na tentativa de demonizar o atleta e transformá-lo num ser humano desprezível, indigno. Os gritos dos comentaristas esportivos da imprensa pró-imperialista são bastante conhecidos: “Neymar é imaturo, mimado!”, “Neymar não tem profissionalismo”, “Neymar é individualista, egocêntrico, não pensa no coletivo!”, “Neymar é uma péssima influência para os demais jogadores!”, “Neymar só quer cavar faltas, e não fica de pé!”, entre outros. A esquerda pequeno-burguesa, como é de costume, não deixa a direita coxinha sozinha nessa empreitada, e também dá a sua contribuição no ataque: “Neymar é um milionário, um burguês!”, “Neymar é bolsonarista!”, “Neymar não tem consciência política, é um alienado!”, e assim por diante.
Nessa semana, a imprensa burguesa divulgou mais episódio da série contra o jogador brasileiro.
Neymar teria conseguido mais uma “proeza maligna”: por sua causa, a direção do Barcelona, seu ex-clube, entrou em crise, e o vice-presidente formalizou, na última quarta-feira (03/07), sua renúncia ao cargo.
De acordo com o diário catalão Sport, o então vice-presidente Jordi Mestre e o atual presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, tinham “fortes discrepâncias” quanto aos rumos do departamento de futebol do clube. O periódico catalão cita nominalmente Neymar como um dos pivôs da crise, uma vez que Mestre, ao contrário de Bartomeu, se postava terminantemente contra a possível volta do jogador ao clube.
É preciso deixar claro que a campanha mundial contra o principal jogador do Brasil e do mundo não se fundamenta nos atributos pessoais, positivos ou negativos, do indivíduo Neymar. Antes de tudo, é uma campanha contra aquilo de que Neymar é a expressão mais bem acabada: o futebol brasileiro. Neymar, em grande medida, sintetiza, representa, personifica o futebol brasileiro. Nele estão concentradas as melhores características que o futebol brasileiro desenvolveu ao longo de sua rica história: a habilidade, a técnica apurada e precisa, a criatividade, o improviso, a inteligência de jogo etc. É contra isso, e não contra os traços individuais (seu estilo de vida, seu posicionamento político…) do jogador brasileiro, que a campanha da imprensa golpista se volta.





