Copa América – 40 anos da conquista do torneio pelo Paraguai e a exploração pela ditadura de Stroessner

A história registra um sem número de casos em que o futebol – o esporte mais popular do mundo – mas também eventos esportivos outros (Olimpíadas) – foi instrumentalizado para fins políticos. Isso se deu, particularmente, para a legitimação, o apoio e a sustentação de regimes reacionários direitistas, como o fascismo italiano e o nazismo alemão, passando pelas ditaduras criminosas e pró-imperialistas em praticamente todos os continentes.

Ali, onde o futebol domina amplamente a preferência das massas populares, o fenômeno ocorreu de forma mais frequente, especificamente no continente europeu e sul-americano, embora haja registro da utilização do esporte com finalidade política em todos os quatro cantos do planeta.

Na América do Sul, onde estão localizados países com grande e forte tradição no futebol (Brasil, Argentina, Uruguai), com importantes conquistas internacionais tanto a nível de seleções (nove títulos mundiais somadas as três forças do futebol no continente) como no que diz respeito aos clubes (Brasil, Argentina), os diversos regimes políticos de direita que dominaram por longos períodos o continente, fizeram uso, em larga escala, do prestígio do esporte mais popular do mundo não só para a legitimação dos regime ditatoriais, como para levar adiante o esmagamento da luta social de massas e a perseguição às oposições, em especial à esquerda desses países.

Neste ano de 2019, a história registra os 40 anos da conquista, pelo Paraguai, da Copa América (1979), evento que foi amplamente explorado pela ditadura do general Alfredo Stroessner, que liderou um golpe de Estado em 1954, instalando uma das mais longevas e sombrias ditaduras de todo o continente. O general paraguaio conduziu o regime de terror no país do cone sul até 1989, exatos 35 anos, marcados por centenas de casos de tortura, perseguições políticas e assassinatos.

O historiador paraguaio Enrique Cosp, especialista na política do país, declarou que: “Nasci semanas depois do fim da ditadura Stroessner, mas minha família foi afetada com casos de perseguição. Meu próprio pai foi exilado, um tio meu foi torturado, dois outros tios chegaram a ser presos. Conheço também outras pessoas que sofreram com o regime. Isso é muito comum” (ESPN, 21/05).

A conquista da Copa América pelos paraguaios em 1979 foi, sem dúvida, a mais importante conquista do futebol “Guarani” em todos os tempos. A campanha do Paraguai foi brilhante e vitoriosa, superando inclusive a seleção brasileira, nas semifinais, vencendo a primeira partida em Assunção por 2 x 1 e empatando o segundo confronto pelo placar de 2 x 2, garantindo a ida do time à final.

A ditadura de Stroessner foi eficiente na exploração da conquista paraguaia do mais importante torneio de seleções do continente, o que garantiu a sobrevivência do regime de terror no país por mais dez anos, vindo a cair somente em 1989.

Da mesma forma como os regimes impopulares se utilizam das grandes paixões populares para se perpetuarem no poder, o futebol também pode e deve ser um ponto de apoio importante no sentido da conquista de governos populares apoiados na mobilização das amplas massas populares.

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