Nesta quinta-feira (4 de julho), por determinação do Ministério Público do Estado de S. Paulo, a Torcida Tricolor Independente, maior torcida organizada ligada ao São Paulo F. C., foi vetada dos estádios, ficando proibida a entrada de objetos, faixas, bandeirões, instrumentos musicais, indumentárias e demais acessórios que identifiquem a organizada.
O veto pedido pelo Ministério Público foi acatado pela Federação Paulista de Futebol e tem como pretexto uma suposta “confusão” causada pela torcida na Praça Charles Miller, em frente ao Pacaembu, antes do jogo entre São Paulo e Cruzeiro, no dia 2 de junho, pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro, ocasião em que 83 membros da organizada foram detidos em função da briga.
É mais do que sabido que as “confusões”, “brigas” e “violências” atribuídas às torcidas organizadas não são senão a versão oficial elaborada pelos órgãos de repressão, e repercutida pela imprensa burguesa, para criar o clima e a justificativa da ditadura que vigora contra o futebol e o povo brasileiros. A proibição da Torcida Independente de frequentar os estádios é apenas mais uma medida de um conjunto vasto de ataques antidemocráticos ao povo torcedor, que incluem, além da proibição de inúmeras outras torcidas organizadas em todo o país, a presença constante da repressão policial nos estádios, a censura aos tambores e faixas dos torcedores, a realização de jogos com torcida única, e por aí vai. Tudo isso é feito de forma demagógica e cínica, valendo-se do pretexto moral do “combate à violência”, da “segurança nos estádios”.
O golpe de Estado iniciado em 2016, com a queda do governo Dilma Rousseff e a prisão de Lula, e cujo resultado político mais recente foi a vitória fraudada de Bolsonaro nas últimas eleições, acentuou ainda mais as tendências antidemocráticas e antipopulares do regime político brasileiro. As torcidas organizadas não poderiam deixar de ser um alvo preferencial da direita golpista, já que constituem um importante instrumento de mobilização das massas populares. Para exemplificar a intensificação dos ataques, basta mencionar que, recentemente, o senador fascista Major Olímpio (PSL-SP) retomou projeto de lei de 2015, de sua autoria, que prescreve a proibição da criação de novas organizadas e a extinção das já existentes.
O ataque contra as torcidas organizadas é parte fundamental do ataque geral contra os direitos democráticos da população, e só pode ser enfrentado pela mobilização popular contra o regime político golpista e o governo fascista de Bolsonaro.




