A política de frente ampla que setores da esquerda pequeno-burguesa querem substituir pela luta contra o golpe e contra o governo fica bem clara na prática. Na última terça-feira, dia 2, os ex-ministros da cultura se reuniram e publicaram um manifesto criticando a extinção do Ministério da Cultura pelo governo Bolsonaro e pedindo a recriação da Pasta.
Estiveram presentes na reunião e assinaram o manifesto os ex-ministros de Itamar Franco, Luiz Roberto Nascimento e Silva, de Fernando Henrique Cardoso, Francisco Weffort, de Dilma Rousseff, Marta Suplicy e Juca Ferreira (que também foi ministro de Lula) e de Michel Temer, Marcelo Calero. A iniciativa imita aquela tomada recentemente pelos ex-ministros da Educação e da Justiça.
A unidade entre setores do PT com o PMDB e o PSDB em “defesa da cultura” é uma farsa. Se o governo Bolsonaro destruiu o ministério da Cultura e tem atacado sistematicamente a área, esse processo se iniciou com Temer. Uma das primeiras medidas, assim que Dilma foi derrubada, foi extinguir a pasta da Cultura, que só foi retomada depois de enormes protestos. O que estaria fazendo ali, então, Marcelo Calero, que foi empossado ministro por Temer para manter um ministério de fachada enquanto os golpistas o destruíam por trás dos panos, o que preparou o terreno para a chegada de Bolsonaro? É importante não deixar de assinalar que Marta Suplicy abandonou o PT e foi para o PMDB de Temer pouco antes da queda Dilma.
É preciso explicar também por que o ex-ministro do tucano FHC estaria preocupado com a destruição da cultura? Afinal, o desmonte cometido hoje por Bolsonaro acompanha o que foi feito pelo PSDB no Estado de São Paulo, ao longo de mais de 20 anos e que se aprofunda com o governador João Doria. A mesma política.
A reunião desmascara a política de frente ampla de setores da esquerda pequeno-burguesa que procuram apresentar o PSDB e o PMDB golpistas como “democráticos” em oposição a Bolsonaro. Escondem assim que Bolsonaro não é nada mais do que produto da política golpista desses grandes “democratas”.
Assim, ao tentarem reciclar o PSDB e o PMDB, estão também ajudando a fortalecer o regime golpista e o governo Bolsonaro.



