CST-PSOL: “Fora Trump e Maduro”, fica Bolsonaro

Em sua tese para o Congresso da UNE, a Corrente Socialista dos Trabalhadores, agrupamento político que faz parte do Psol, liderada pelo vereador do Rio de Janeiro Babá, desfiou um rosário de acusações contra o presidente ilegítimo do Brasil, Jair Bolsonaro.

Na sua proposta de programa para o movimento estudantil a CST defende, entre outros pontos, “Unidade de ação nas ruas para Derrotar Bolsonaro”, “Em defesa da democracia universitária! Não ao autoritarismo de Bolsonaro e Weintraub”, “Mulheres Contra Bolsonaro”, “LGBT+ contra Bolsonaro” e “Negritude e povos indígenas contra Bolsonaro”. Como é possível notar pelo conteúdo das palavras de ordem, Bolsonaro é um inimigo do povo brasileiro.

Diante dessa caracterização pareceria até natural que a CST fizesse um chamado ao conjunto do Congresso para por para fora esse capacho serviçal do imperialismo, que chegou ao governo através da fraude e da manipulação das eleições passadas, um golpe dentro do golpe, a começar pela exclusão do principal candidato da esquerda das eleições e a expressão maior, do ponto de vista dos anseios populares, na luta contra o golpe de Estado no país, o ex-presidente Lula.

Não é isso que ocorre, muito ao contrário. O que está nas entrelinhas da tese é o respeito constitucional ao processo eleitoral brasileiro. É uma oposição ao governo Bolsonaro sem ir às últimas consequências, ou seja, lutar pela sua derrubada, como fica claro no trecho a seguir ao se referir às mobilizações ocorridas em maio passado: “Foi neste período que a popularidade de Bolsonaro caiu com força e a sua rejeição passou a ser maior que os índices de aprovação, demonstrando que até mesmo a parcela da população que votou em sua candidatura na última eleição prefere ter seus direitos e de seus filhos e filhas garantidos do que defender um governo inimigo”.

O problema reside justamente aí, não teve golpe nem na deposição da presidenta Dilma e nem nas eleições, Bolsonaro é legítimo. Em toda a tese, não existe uma única menção à palavra “golpe” e isso ocorre por um motivo muito simples, assim como seus irmãos siameses do PSTU, para a CST não teve golpe de Estado no pais. “Dilma foi derrubada porque teria perdido o apoio dos trabalhadores”. Não foi uma ação da direita, do imperialismo, que levou ao seu impeachment. Aliás, foi por muito pouco, se é que isso não tenha ocorrido, que a CST não participou das manifestações coxinhas, da extrema-direita, contra o governo do PT.

Para a CST, “Moro atuou de forma imoral abusando de seu poder para alterar o processo eleitoral, por isso exigimos seu imediato afastamento do ministério da justiça, um novo julgamento ao ex-presidente Lula e investigação de todas as denúncias de corrupção envolvendo a família Bolsonaro, bem como dos “70% dos delatados” que Moro preferiu “deixar quieto””.

Quer dizer, Moro não cometeu um crime, mas apenas uma “imoralidade”. Para os morenistas da CST, não é que as denúncias do blog The Intercept comprovam que a Lava-Jato foi o principal instrumento do imperialismo para levar à frente o golpe de Estado no Brasil. Muito ao contrário, tratou-se meramente de um desvio de conduta do atual ministro Moro, que por isso deve ser punido com o seu “afastamento”, mas o propósito maior da Lava-Jato, o combate a “corrupção”, deve ser resgatado conforme defende o texto.

É muita confusão para um agrupamento que se diz defensor do socialismo. A CST, inclusive, tem uma verdadeira predileção em fazer frente única com o “imperialismo ianque”, como gosta de se referir aos EUA, pela derrubada de governos de esquerda, como foi o caso do “Fora Dilma” no Brasil e já há vários anos o “fora Chaves”e agora “Fora Maduro” na Venezuela. Talvez por isso é que se sinta tão pouco à vontade em defender o “Fora Bolsonaro” no Brasil.

Como que para dar uma no cravo outra na ferradura, a tese da CST faz um chamado pelo “Fora Trump”. Ocorre que essa palavra de ordem expressa, também, o interesse do principal setor do imperialismo norte-americano. Aliás, façamos justiça, embora seja um elemento de extrema-direita, que também é aliado dos golpistas no Brasil, o golpe de Estado no Brasil e em vários países da América Latina são obras não de Trump, mas justamente da ala majoritária, “democrática”, do imperialismo norte-americano.

Ao fim e ao cabo, o “Fica Bolsonaro”, o “Fora Maduro”, assim como há pouco o “Fora Dilma”, e o “Fora Trump” não expressam outra coisa se não os interesses do imperialismo norte-americano como política para os EUA e para toda a América Latina.

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