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Derrota de Corbyn

As lições da luta contra o fascismo da esquerda reformista

O fracasso do Partido Trabalhista nas eleições britânicas é mais uma derrota da política capituladora e defensiva da esquerda diante da extrema-direita.

As eleições britânicas, ocorridas na primeira quinzena de dezembro, marcaram mais uma derrota profunda da esquerda a nível mundial. O candidato do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, que passara um longo período sendo apontado como favorito ao cargo de primeiro ministro, acabou sendo derrotado por uma ala de extrema-direita do Partido Conservador, liderada por Boris Johnson.

As eleições aconteceram em um momento de grande crise do regime político britânico – um momento de grande turbulência do sistema que a burguesia britânica havia erguido para permitir a superexploração dos trabalhadores do próprio país e de todo o mundo. O regime já vinha dando vários sinais de crise, sendo que, em 2016, uma notícia assustou a classe dominante em todo o continente: a política devastadora do neoliberalismo levou a uma revolta tal que a maioria da população do Reino Unido optou pela saída da União Europeia.

Esse cenário de dissolução do regime, em que a burguesia começou a perder o controle das instituições, favorecia à esquerda para que conduzisse uma mobilização que se chocassse com a direita. No entanto, quem mais tomou iniciativa naquele momento foi a extrema-direita, que liderou a campanha pela saída da União Europeia e se apresentou como alternativa à política tradicional burguesa.

As principais iniciativas da esquerda britânica em relação à dissolução do regime vieram por parte de Jeremy Corbyn, figura da ala esquerda do Partido Trabalhista e ligada aos sindicatos britânicos. Pressionado pelas bases, Corbyn ensaiou um programa de enfrentamento aos interesses do imperialismo em questões fundamentais, como no caso do Estado de Israel, das leis trabalhistas e da política externa.

O problema é que, na medida em que as eleições britânicas foram se aproximando – e, portanto, o conflito entre Corbyn e Johnson, ou melhor, entre a esquerda e a extrema-direita, se intensificava -, o Partido Trabalhista foi optando por uma política cada vez mais conciliadora em relação ao regime político. Ao invés de partir para uma ofensiva, mobilizar os trabalhadores britânicos contra a extrema-direita e denunciar os planos dos capitalistas para o país, Corbyn decidiu se apresentar como o candidato oficial do regime político, incorporando em seu programa exigências da burguesia.

O resultado não poderia ser outro que não o desastre. A adoção de um programa cada vez mais direitista desmobilizou suas bases – afinal, por qual motivo os trabalhadores entrariam em greve, correndo o risco de perder seus empregos, para defender um candidato que prometia continuar com os crimes do regime político britânico? – e fez com que Corbyn e seu partido sofresem uma derrota humilhante.

A política de capitulação diante do avanço da extrema-direita não é uma exclusividade do caso britânico. Via de regra, esse equívoco tem sido cometido pelas direções da esquerda em todo mundo – as eleições latino-americanas mais recentes comprovam isso.

No Uruguai, a Frente Ampla, da qual a esquerda faz parte, abriu mão de quinze anos de governo para o neoliberal Lacalle Poe. A Frente Ampla escolheu um candidato bastante direitista para participar das eleições – o prefeito de Montevidéu Daniel Martínez – e adotou um programa muito semelhante ao de seu adversário. Tal escolha distoava completamente do clima das ruas, uma vez que havia poucas semanas que a população foi às ruas em peso protestar contra o avanço dos militares no regime. O resultado foi o mesmo: a Frente Ampla não combateu em nada o avanço da extrema-direita – que foi decisiva nas eleições de 2019 – e assistiu à vitória apertada da burguesia.

Na Bolívia, as sucessivas capitulação de Evo Morales e do Movimento ao Socialismo levaram a uma profunda e humilhante derrota. Morales, que se ajoelhou perante o imperialismo, entregando o guerrilheiro Cesare Battisti ao fascismo italiano e apertando a mão do fascista Jair Bolsonaro, perdeu seu terceiro mandato, seu ainda não iniciado quarto mandato e foi expulso do país. Até hoje, os trabalhadores bolivianos estão nas ruas contra o golpe, mas se encontram abandonados pelas direções, que insistem em um acordo com os golpistas, levando toda a população para o matadouro.

O Brasil também é uma fábrica de exemplos da desastrosa capitulação perante a extrema-direita. Em 2018, a direção do Partido dos Trabalhadores legitimou as eleições fraudulentas para presidente da República, lançando o desconhecido Fernando Haddad no lugar do maior líder popular do país, o ex-presidente Lula. Na disputa, Haddad procurou se aproximar ao máximo da direita, apresentando-se como o candidato ideal para a aplicação da política neoliberal. Haddad chegou a elogiar a Operação Lava Jato e a retirar o direito ao aborto de seu programa, mas tudo foi em vão: a extrema-direita venceu.

Até hoje, as direções da esquerda brasileira continuam insistindo no acordo com os golpistas. Governadores como Rui Costa (PT-BA), que pertencem à ala direita da esquerda nacional, defendem uma adaptação ao governo Bolsonaro, em vez de sua derrubada. Esse tipo de política, no entanto, deve ser rejeitada no Brasil e em todo o mundo.

É preciso, para já, aprender as lições das eleições no Reino Unido e em todo o mundo e abandonar quaisquer ilusões com uma política passiva e conciliadora diante da ofensiva da extrema-direita. O fascismo é um movimento que se impõe de maneira truculenta, e não por meio de um programa mais ou menos coerente. Por isso, a única política efetiva é a força – a força de todos os explorados unidos, a força da mobilização revolucionária.

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