Com o golpe de estado no Brasil efetuado contra o governo do Partido dos Trabalhadores em 2016 a crise na indústria nacional vem se aprofundando junto a crise política que domina o cenário e a cada dia toma novas proporções.
Em Blumenau, operários da indústria têxtil revelam a magnitude desta crise. Relatos de trabalhadores da Cia. Hering umas das mais tradicionais empresas da região dão conta de que em média, em um mês normal, são processados 700 toneladas de malha a cada quinze dias, neste mês de Junho. Seis meses após tomar posse o candidato da burguesia para as eleições presidências, o numero caiu para a marca de 40 toneladas por quinzena, ou seja, 5% da produção normal.
Em comparação, os trabalhadores relatam que a atividade produtiva se assemelha ao período eleitoral de 2018, momento em que a atividade produtiva foi lá em baixo devido ao impasse que se criou entre os capitalistas com a candidatura de Lula. Outros buscam em suas memórias momentos ainda mais instáveis da produção nacional e remetem a greve dos caminheiros, período em que obras, industrias, serviços, amplos setores da economia tiveram suas estruturas abaladas, tendo inclusive que dar férias aos seu funcionários até que tudo se normalizasse.
Para contribuir com estes argumentos a Cia. Hering decretou férias coletiva em suas fábricas do dia 30 de Junho a 14 de Julho, ou seja, a produção de uma das principais industrias têxteis de Santa Catarina terá sua produção paralisada por 15 dias no meio do ano.
O problema se agrava com a noticia que saiu na própria imprensa burguesa esta semana, terça-feira (25): a empresa comunicou seus trabalhadores do fichamento da unidade na cidade de Indaial, a Cia. Hering também disse que as atividades de Indaial, que eram basicamente de confecção, serão absorvidas por outras unidades produtivas, “dando maior agilidade à operação”, e que está fazendo esforços para “realocar os colaboradores, na medida da disponibilidade interna e interesse individual”. Na região, restaram apenas as duas plantas de Blumenau, nos bairros Bom Retiro e Velha.
De acordo com os próprios trabalhadores, segundo seus cálculos com o fechamento desta unidade e as demissões nas duas outras unidades, só este mês se somarão mais de 200 trabalhadores na rua, e denunciam que nas unidades ativas os trabalhadores que estão sendo demitidos são os com maior tempo de casa, 10, 15, 20 anos e isso faz parte de um plano dos patrões para reduzir a média salarial que hoje gira em torno de 11,30/h caindo para 9,50/h.
É importante ressaltar que este problema não é exclusivo a Hering e se estende a outras empresas e setores, a exemplo da Teka empesa do ramo de Cama e Banho concorrente nacional da Santista que vem pagando seus funcionários em 3 parcelas mensais.
Portanto, é necessário que os operários destas empresas e de outros setores estejam ciente que o causador disso tudo em primeiro lugar é a crise do capitalismo e em segundo o golpe de estado imposto pelo imperialismo em nosso país. Para derrotar este golpe e apresentar uma solução ao conjunto de todos os nossos problemas é necessário se mobilizar pela derrubada de Bolsonaro, a liberdade do ex-presidente Lula e a convocação de eleições Gerais para que os trabalhadores possam escolher o programa que querem para o seu país.


