Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o emprego no Brasil, aponta uma escalada na deterioração das condições de vida e trabalho da população em uma proporção verdadeiramente catastrófica.
Os dados divulgados compreendem o trimestre fevereiro /maio e apontam para uma taxa de desemprego da ordem de 12,3% da população economicamente ativa, o que representa 13 milhões de trabalhadores.
É recorde, ainda, a taxa de subutilização da força de trabalho, que atingiu o patamar de 25% ou 28,5 milhões de brasileiros. Nessa categoria, estão incluídos os desempregados, a população subocupado, composta por pessoas que gostariam e poderiam trabalhar mais horas e não conseguem, e, ainda, a força de trabalho potencial, que é composta por aquelas pessoas que não foram computadas na pesquisa, mas que podem, potencialmente, se transformar em força de trabalho, como, por exemplo, jovens que atingem a idade de 14 anos.
Cresceu em 3,4%, quando comparado com o mesmo período de 2019, o número de trabalhadores sem carteira assinada (11,2 milhões) e aumentou em 4,3% (4,9 milhões, as pessoas que desistiram de procurar emprego).
A situação se mostra muito mais grave, se é que é possível, quando se considera a situação dos jovens, mulheres, negros e pardos. Entre as faixas etárias de 14 a 17 anos, o desemprego corresponde a 44,5% das pessoas e de 27,3%, entre 18 e 24 anos. Entre as mulheres, a taxa de desemprego é de 14,9% contra 10,9% entre os os homens. Já entre as pessoas que se declararam brancas ficou em 10,2%, enquanto os que se declararam pretos atingiu 16% e pardos 14,5%.
Outros números apontam para uma situação de absoluta falta de perspectiva: dentre o total de desempregados, 5,2 milhões (38,9%) já procuram emprego há mais de um ano, dos quais 3,3 milhões (24,8%) estão desocupados há dois anos ou mais.
Existe, ainda, um aumento gritante na superexploração do trabalho. Quase 24 milhões de brasileiros fazem bicos para sobreviver. Com a “reforma” trabalhista o contingente da população que presta serviço informal para a indústria sem nenhum tipo de vínculo empregatício, aumentou exponencialmente. Segundo a pesquisadora da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, “O trabalho por conta própria está sendo usado nas diversas atividades. A indústria, por exemplo, tem uma população ocupada de cerca de 12 milhões de pessoas, sendo que quase 2 milhões estão na indústria têxtil e de confecção, cuja maioria é de costureira que trabalha por conta própria”.
A deterioração das condições de vida e trabalho do conjunto da população brasileira foi agravada sobremaneira a partir do golpe de Estado de 2016. Toda a política golpista está voltada para espoliar as riquezas do país, por um lado, e, por outro, para submeter a classe trabalhadora a um regime de terror e miséria.
Diante dos números divulgados pelo IBGE e considerando que cerca de 40% dos trabalhadores brasileiros estão na economia informal e, ainda, que uma expressiva parcela está nessa condição por falta de perspectiva de trabalho formal, os 65 milhões sem emprego é um número subestimado diante da real condição da classe trabalhadora no País.
Nas condições em que estão submetidos os trabalhadores brasileiros, onde a realidade aponta, cada vez mais, para o abismo da miséria, está colocado uma vigorosa campanha em torno da redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais, sem redução dos salários.
O único direito que o trabalhador tem sob o capitalismo é justamente o direito ao trabalho, de ser explorado. A redução da jornada é um mecanismo que possibilita a criação de milhões de vagas de trabalho no país, o que permitirá a incorporação de uma população de desempregados ao mercado de trabalho.
Obviamente que os capitalistas e seu Estado não vão ceder de boa vontade a uma reivindicação que atende fundamentalmente os trabalhadores. É necessário colocar em movimento uma vigorosa campanha que envolva a CUT, os sindicatos, os partidos que se reivindicam dos trabalhadores, com a criação de comitês por categorias, por ramos de produção, onde seja amplamente discutido o impacto em cada setor, do ponto de vista do trabalhador e o qual o impacto que implicará no aumento de vagas de trabalho com a redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais, sem redução de salários, para cada segmento.
A crise não foi provocada pelos trabalhadores. Que os responsáveis, os capitalistas, paguem por ela.





