Um balanço sobre as eleições para DCE da USP

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Encerraram-se na última sexta-feira, 11, a eleição para nova diretoria do Diretório Central dos Estudantes da USP. A chapa vencedora, para a surpresa de ninguém, foi a chapa que apenas mudou de nome, mas manteve integrantes da atual gestão. De “Primavera” para “Travessia”, a esquerda pequeno-burguesa continuando dominando a entidade estudantil.

Esse pleito foi uma corrida eleitoral. Poucas semanas para formar uma chapa completa (cumprindo todas as burocracias impostas), menos de uma semana (com um feriado no meio da semana) para realizar campanha eleitoral. Menos de 10 debates promovidos, nenhuma agitação, nenhuma propaganda, nenhum cartaz, nada. Uma eleição montada sob medida pelo Tribunal Superior Eleitoral golpista, quer dizer, estudantes gestores do Diretório.

Como nas últimas eleições municipais, a participação diminuiu drasticamente. Na eleição do início do ano, 7.848 estudantes participaram, nessa última somente 5.011 no total, uma queda de participação de aproximadamente 36% no número já reduzido de estudantes que votam. Em um panorama geral, a Universidade de São Paulo (USP) possui cerca de 94 mil estudantes, ou seja, pouco mais de 5% de todos os estudantes da USP participaram dessa eleição.

A USP é uma tradicional universidade que possui movimentações políticas. Estudantes de lá foram grandes responsáveis por apoiar ou lutar contra diversas políticas de impacto nacional. Como na ditadura, em que os estudantes foram os primeiros a se movimentar contra os militares e que resultou em um movimento maior contra a ditadura. No entanto, o que explica essa tão baixa participação? A política da esquerda pequeno-burguesa que controla o movimento.

O PT e o PCdoB controlou por vários anos a entidade impondo uma grande paralisa do movimento. Seu baixo apoio e posição contrária a luta dos estudantes resultou na sua expulsão de uma ocupação da reitoria em 2007, quando centenas de estudantes ocuparam a reitoria da USP contra o desmonte da educação pública promovida pela antiga reitoria Suely Vilela e pelo então governador José Serra (PSDB), hoje ministro golpista. A partir de então, o Psol conseguiu chegar ao controle da entidade e o mantém até hoje.

Para se manter nessa posição, o Psol se coligava com o PSTU para formação de chapas. Com isso, todos os anos eles obrigavam a todo o movimento a se submeter a sua ditadura das eleições relâmpago. Logo, o resultado dessa política foi a diminuição da participação geral e principalmente nos votos que a gestão conseguia. Com o golpe, a polarização aumentou ainda mais e os grupos também racharam.

O PSTU, por exemplo, rachou e muitos militantes abandonaram o partido. Na USP, foram chutados pelo Psol que não o aceitou mais para formação de chapas. O resultado disso foi a quase extinção do PSTU da USP. Nesse ano, o Psol formou uma chapa com todas as suas correntes presentes na Universidade como o Juntos, CST e RUA, mas também aceitou o PCB e o MAIS (ruptura do PSTU).

O golpe de Estado em marcha no País prepara um grande ataque contra a educação e o ministro da educação Mendonça Filho (DEM) já avisou que pretende privatizar toda a educação, logicamente, começando pelas principais do País.

Zago, o reitor com fama de bonzinho, destrói cada vez mais a universidade e também possui esse objetivo, juntamente com o governador golpista Geraldo Alckmin (PSDB). Ou seja, a USP está sob um governo golpista que pretende a destruir. É preciso reagir.

Nesse sentido, é necessária a criação de um amplo movimento dos estudantes contra o golpe de Estado e pela defesa da educação pública, gratuita e de qualidade para todos. Somente com um grande movimento na USP pode retomar a dianteira da política nacional e se livrar desses grupos de burocratas estudantis. É preciso reconstruir o DCE da USP pela base, contra a direita golpista e seus capachos tanto no governo como na Universidade.

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