Trabalhadores param Buenos Aires para protestar contra Macri

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Primeira greve geral contra o presidente Mauricio Macri marca protesto contra 8 mil demissões e a proibição de se manifestar nas ruas

 

Nesta quarta-feira, 24 de fevereiro, funcionários públicos fizeram uma greve geral contra o presidente Mauricio Macri. Os funcionários foram liberados pela Associação de Trabalhadores do Estado (ATE) e foram às ruas protestar contra o governo, que anunciou mais 8 mil demissões no funcionalismo público. Somadas as demissões feitas até agora nos níveis nacional, provincial e municipal, o número de demitidos chega a 26 mil, e o governo já avisou que a hecatombe não vai parar por aí, com mais demissões pela frente.

O protesto também era contra a proibição de protestar: o governo de Macri proibiu manifestações de fecharem vias mesmo parcialmente. Um protocolo de segurança orienta a polícia a dar um aviso estabelecendo cinco ou dez minutos para a liberação das vias. Uma liminar na justiça impediu que a polícia colocasse isso em prática já na quarta-feira, mas a disposição do governo já ficou clara. A intenção é esmagar os trabalhadores e suas organizações.

Em menos de três meses no poder, Macri já estabeleceu um governo ditatorial no País. Sem maioria parlamentar, Macri tem governado por meio de decretos. Além de demitir funcionários públicos em massa, o presidente argentino também proibiu que a imprensa cobrisse os protestos.

Para justificar as demissões, Macri ataca o governo anterior, dizendo que os 26 mil demitidos, mais os demitidos que ainda estão para serem expulsos de seus postos de trabalho, estariam em seus empregos por afinidades ideológicas com o kirchnerismo. A perseguição contra o governo anterior também está em curso na justiça, com processos abertos contra sete ex-ministros dos governos de Cristina Kirchner.

O ditador Macri está atacando o governo anterior e as organizações operárias para consolidar o golpe que a direita deu na Argentina. Durantes as eleições, a direita golpista cooptou um setor do peronismo, entre outras manobras, para dividir os votos do governo e vencer a votação.

Caso a manobra eleitoral não funcionasse, a tentativa de dar um golpe já estava preparada para seguir em frente, com ajuda do judiciário e da imprensa. Como no resto da América Latina, o golpismo em curso tem o objetivo de impor um programa que faça os trabalhadores pagarem pela crise. É o mesmo programa por trás da tentativa de golpe em curso no Brasil.

 

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