Solidariedade no MPF golpista: Janot defende Dallagnol contra Lula

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Recentemente, o procurador-geral da República Rodrigo Janot publicou uma nota defendendo o também procurador Deltan Dallagnol, que coordena a golpista Operação Lava Jato. Dallagnol está sendo processado pelo ex-presidente Lula, que foi caracterizado pelo procurador como “comandante máximo” do esquema de corrupção conhecido como “Petrolão”. Na ocasião, Dallagnol – que também é membro de uma igreja protestante e utiliza os mesmos preceitos autoritários e dogmáticos de sua religião durante a sua ação no Ministério Público Federal (MPF) – disse que não tinha nenhuma prova de que Lula teria cometido qualquer delito, mas tinha “convicção”.

De maneira acertada, Lula reagiu contra a arbitrariedade do procurador golpista e denunciou o “abuso de autoridade” e os ataques “à honra, imagem e reputação”. Essa denúncia criminal feita pelo ex-presidente, na verdade, faz parte de um pacote de contra-ataques que Lula vem empreendendo contra o imperialismo. De maneira sistemática, os contra-ataques de Lula às investigações de caráter francamente golpista têm demonstrado que a “luta contra a corrupção” nada mais é do que uma falácia arquitetada pelo imperialismo para perseguir e prender todos os seus inimigos.

Rodrigo Janot, no entanto, considerou a denúncia de Lula um “ataque a todo o Ministério Público”. A reação de Janot não poderia ser diferente, uma vez que ele também faz parte do conglomerado golpista inserido dentro do MPF para criar uma aparência de “legalidade” à transição para o novo Regime Político. Basta lembrar que Janot afirmou que o pedido de impeachment protocolado contra Dilma Rousseff tinha consistência e fundamentação jurídica e que os grampos sobre Dilma e Lula teriam sido legais.

Como qualquer direitista, Janot se apega à defesa das instituições para criticar Lula. Segundo o procurador-geral, “num Estado de Direito, aquele que exerce a função da persecução criminal, em favor do interesse público, precisa ser protegido da retaliação dos acusados”. “Só assim teremos o império da lei. Ou é isso, ou se inviabilizará a atividade de responsabilizar os criminosos do círculo do poder”. Por mais que soe bonito, o fato é que o “império da lei” a que Janot defende não é a aplicação de um código concebido e vigiado pelo povo, mas simplesmente a vontade das camadas dominantes. “Responsabilizar os criminosos”, por sua vez, não significa tornar o governo mais eficiente, mas simplesmente permitir uma perseguição política, em que magistrados e procuradores – que são obscuramente selecionados para trabalhar junto ao Poder Judiciário – cassam os direitos de políticos – que estão submetidos ao sufrágio.

Não bastasse todo o absurdo de Janot em defender Dallagnol e o “império da lei”, a nota publicada pelo procurador-geral ainda é fundamentada por uma série de comentários canalhas. Um deles é o de que “A força-tarefa Lava Jato se colocou corajosamente diante de pessoas com grande poder econômico e político”. Como se sabe, a Lava Jato não tem nada de corajosa. Pelo contrário: é uma operação covarde, na medida em que se curva integralmente às ordens do imperialismo. Outro comentário inacreditável foi o de que “é uma retaliação e mais uma tentativa de intimidação contra procuradores que têm agido de modo profissional, impessoal, equilibrado e responsável”. As palavras “impessoal”, “equilibrado” e “responsável” soam ridículas quando associadas a Deltan Dallagnol. O “herói dos Coxinhas” já mostrou diversas vezes seu desequilíbrio quando misturou suas convicções religiosas com os processos da Lava jato, foi completamente irresponsável ao chamar Lula de “comandante máximo” da corrupção e é nitidamente parcial, já que comanda uma operação que só prende os inimigos do imperialismo.

A Lava Jato e as “10 medidas contra a corrupção”, diferentemente do que a pequeno-burguesia defende, não é um avanço para o país. Seus problemas não são os “excessos” ou algumas “laranjas podres”. A “luta contra a corrupção” deve ser completamente abolida pelos setores que se consideram de esquerda. A Operação Lava Jato deve ser desmontada integralmente e as medidas devem ser repudiadas em sua plenitude. A única luta que se faz viável para a classe trabalhadora neste momento é a luta contra o golpe de Estado.

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