HOLOMODOR, A FARSA HISTÓRICA

Afonso Teixeira filho –

O holomodor, também chamado de “holocausto ucraniano”, não passou de uma propaganda reacionária utilizada por canadenses ucranianos para obter do governo verba de pesquisa

Entre os anos de 1932 e 1933, teria ocorrido na Ucrânia uma grande mortandade devido à fome resultante da política de coletivização forçada na União Soviética, política essa implementada por Stálin. O termo holomodor significa “morte provocada pela fome” e é reconhecido por comunidades ucranianas como genocídio.

Vulgarizou-se chamar de genocídio toda e qualquer catástrofe ocorrida em países que não se alinham ou alinhavam com o imperialismo, enquanto que o genocídio imperialista é coberto por eufemismo e falsificações. Por exemplo, o massacre do povo sérvio durante a Primeira Grande Guerra, o bombardeio anglo-americano sobre Dresde e várias cidades alemãs na Segunda Guerra, o bombardeio de Tóquio, a destruição de Hiroxima e Nagasáqui; nada disso é considerado genocídio. O termo aplica-se apenas aos armênios, pois foi levado a cabo pelo Império Otomano, adversário da Entente, na Primeira Guerra; aos nazistas, devido à perseguição aos judeus; e, agora, querem atribuí-lo também aos russos, como se ucranianos e russos fossem coisas distintas.

Na verdade, a Ucrânia só existiu isoladamente, após o processo de desmembramento da União Soviética, no início da década de 1990. O império russo foi criado em Quieve, e teve nessa cidade sua capital. As contínuas invasões mongóis acabaram por transferir o centro do império para Moscou, uma região de comerciantes. Na década de 1930, tanto a Rússia como a Ucrânia pertenciam à União Soviética e formavam, junto com outras 13 nações uma só país. Além disso, um terço da população da Ucrânia é formada por pessoas de língua russa. Não se pode falar cientificamente em uma etnia ucraniana. Se houve um massacre provocado deliberadamente por meio da fome, esse massacre incidiu também sobre o povo russo. Portanto, tratar isso como genocídio é uma impropriedade.

Mas não devemos levar o caso adiante, pois tudo não passou de uma farsa. A luta entre os camponeses abastados e o Estado e, subsequentemente a política de coletivização forçada, implantada pelos planos quinquenais de Stálin, provocaram, durante um período curto de tempo, uma fome que se generalizou por todos os países da União Soviética, mas que atingiu, principalmente, o povo russo. A política resultado dos erros oportunistas do stalinismo, tornou-se inevitável pois os culaques (proprietários de terra) escondiam alimentos por medo do confisco e os vendiam a preços exorbitantes e acabaram por destruir boa parte da colheita e dos rebanhos para não entrega-los ao governo. Não houvesse a coletivização, a fome ocorreria do mesmo jeito e duraria mais tempo.

Contudo, procurou-se, muito tempo depois do ocorrido, no início da década de 1980, transformar uma crise da produção de alimentos em uma tragédia nacional. A intenção não era a mesma que tiveram os irlandeses quando denunciaram a grande fome provocada, no século XIX, pela praga da batata. Naquela época, a maioria da população do país morreu de fome ou imigrou para os Estados Unidos, pois dependia da batata para viver. No entanto, os latifúndios que produziam a batata não diminuíram em um único centavo o lucro que tinham com o produto, apesar da escassez. O mesmo não aconteceu na Ucrânia.

Os números da suposta tragédia ucraniana revelam a falsidade. Declarou-se que 2,8 milhões de pessoas foram deportadas, o que era simplesmente impossível, sobretudo em meio de um processo tão trabalhoso quanto o da coletivização. Mas apenas 300 mil seriam ucranianos, o que revela, de antemão, que não se trataria de genocídio, mesmo que todos eles tivessem morrido, pois qual seria a raça exterminada, os ucranianos ou os russos? Existem outros números dos quais poderíamos falar, mas não vale a pena. Por dois motivos. O primeiro é que parte desses números foram levantados pelo “historiador” Robert Conquest, recentemente falecido, um anticomunista que trabalhava para o governo britânico. Segundo, porque os estudos que levaram à suposição de genocídio começou a ser elaborado por dissidentes ucranianos, atolados até o pescoço na política fraudulenta da guerra-fria, e continuada por pesquisadores universitários que queriam adquirir verba para pesquisa.

O investigador canadense, Douglas Tottle, denuncia, em seu livro Fraud, Famine and Fascism [Fraude, penúria e fascismo] a falsificação de documentos relativos a esse pretenso genocídio. Mostra, por exemplo, uma manchete do jornal Chicago American (jornal esse que pertencia a William Hearst, o “cidadão Kane”) com o título “Seis milhões perecem pela fome soviética” (25/2/1935). As fotos e relatos dessa reportagem foram feitas por Thomas Walker, um jornalista que nunca existiu e seriam, posteriormente, utilizadas por nacionalistas ucranianos em sua campanha pelo reconhecimento do genocídio ucraniano. Pouco depois que o Chicago American publicou a reportagem, outro jornal, o The Nation denunciou a reportagem como falsa. Descobriu-se, por exemplo, que uma das fotos publicadas no jornal eram de um jornal alemão que retratava a penúria por que passava a Alemanha no início da década de 1930.

O fato é que grande parte das “evidências” desse “genocídio” ucraniano veio das páginas dos jornais de Hearst, que fazia uma campanha contra o comunismo. A maior parte das fotos utilizadas, anto por Hearst quanto pelos nacionalistas ucranianos fazia parte de um acervo utilizado pelos nazistas para fazer campanha contra o comunismo e datam, na verdade, do período da guerra civil que ocorreu logo após a Revolução de Outubro. Fica patente que a ideologia dos nacionalistas ucranianos era semelhante à dos nazistas. E, levando-se em conta o papel exercido pelos fascistas no golpe que ocorreu recentemente na Ucrânia, podemos considerar o homolodor como uma propaganda fascista.