A POLÍTICA DO PSTU DE DIVISÃO DOS SINDICATOS NA FENTECT: UM CASO ESCLARECEDOR

José Pedro Martins

A politica de destruição da Fentect é uma traição aos trabalhadores dos correios

 

A ruptura do PCdoB com a Federação Nacional revelou todo o segredo da política “radical” preconizada pelo PSTU e por outros esquerdistas pequeno-burgueses que vivem à sombra daquele partido: trata-se não apenas de uma política oportunista e radical só de fachada, como efetivamente de uma política francamente patronal e contra os interesses mais elementares dos trabalhadores.

Não deveria haver novidade nisso, até mesmo porque PSTU e estes esquerdistas, como, por exemplo, o Movimento Revolucionário nos correios (Luta pela Base), se dizem marxistas e trotskistas, embora participem da “central sindical” fantasia do PSTU, a Conlutas. Qualquer pessoa que conheça o be-a-bá do marxismo sabe que esta doutrina se opõe frontalmente a romper com as organizações sindicais em virtude da sua direção ser oportunista ou patronal.

A única via para os trabalhadores chegarem à plena consciência de classe é a experiência prática com as suas direções oportunistas e burguesas por meio da luta cotidiana. Querer pular esta etapa e construir sindicatos pequenos sem oportunistas, ou seja, sem derrubar as direções oportunistas, é dar às costas a todo o movimento operário e à revolução proletária.

Para quem luta pelo interesse da classe trabalhadora, o fundamental é a evolução da consciência dos trabalhadores e não os aparelhos. A divisão das organizações sindicais apenas favorece a confusão e é, como disse Lênin, “o melhor serviço que os comunistas podem prestar à burguesia” (Esquerdismo, doença infantil do comunismo).

 

“Sindicatos patronais e que não podem ser recuperados”

 

O MR lançou diante da ruptura do PCdoB um manifesto da sua corrente sindical “Luta Pela Base” onde afirma que a Fentect é patronal e que não pode ser recuperada pelos trabalhadores.

Essa afirmação é evidentemente falsa e uma capitulação vergonhosa diante da burocracia sindical. A Fentect não é patronal. Patronal é a maioria da direção nacional da Fentect, ou seja, até o momento, PT e PCdoB. A Fentect engloba não apenas a burocracia sindical, mas também os trabalhadores, como se pôde ver na última greve, onde milhares de trabalhadores se organizaram e mobilizaram na campanha salarial sob a direção da Fentect e, mais ainda, travaram aí uma enorme luta contra a direção pelega daquela entidade sindical. Será que estas dezenas de milhares de trabalhadores também são patrões? Será que eles não fazem parte da Fentect? Será que a própria realização da greve não foi uma vitória dos trabalhadores contra a política da burocracia sindical burguesa e patronal?

De onde vem esta confusão primária entre a entidade sindical e a sua direção? Não é difícil de descobrir. Para os esquerdistas do movimento sindical dos correios, a entidade se resume à burocracia sindical, às suas direções, ao aparelho. Na realidade, ignoram a presença dos trabalhadores como um fator ativo na vida sindical. Sindicalismo é aquilo que fazem as direções sindicais, ou seja, a burocracia sindical.

Partindo deste tipo de raciocínio, não é difícil de entender que, para este setor, os dezenas de milhares de trabalhadores dos correios são completamente incapazes de derrotar algumas dezenas de burocratas sindicais. Para acreditar nisso, é preciso conceber um sindicalismo onde os trabalhadores não desempenham nenhum papel, não têm uma posição ativa.

A greve mostrou exatamente o contrário. Os trabalhadores encurralaram a burocracia pelega em todos os estados, particularmente em S. Paulo e no Rio de Janeiro e é este justamente o motivo pelo qual estes dois sindicatos decidiram romper com a Fentect. Suas direções burocráticas estão sofrendo da ilusão de que podem fugir da pressão dos trabalhadores se estiverem fora da Fentect. Logo verão o quanto estão enganados.

Dizer que os trabalhadores não podem derrotar a burocracia sindical é demonstrar um ceticismo típico de pequeno-burgueses estranhos ao movimento operário sobre a capacidade de luta da classe operária, a única classe verdadeiramente revolucionária.

Se cerca de 100 mil trabalhadores não são capazes de derrubar a burocracia pelega da Fentect não serão meia dúzia de sindicalistas, na maioria burocratas, da Federação Anã do PSTU que vão ser capazes. A conclusão a ser tirada disto é absolutamente clara: quem não acredita na capacidade dos trabalhadores de derrotar a burocracia sindical só pode tirar a conclusão de que a burocracia sindical é invencível.

Está claro que esta política não é nem mesmo remotamente marxista ou operária.

 

Uma política patronal

 

A última greve demonstrou: os trabalhadores dos correios são uma enorme força social. E mais, estão evoluindo para uma completa ruptura com o PT, a frente popular e o governo de frente única entre o PT e a burguesia. Mas, também é evidente, são uma força na medida em que permaneçam unidos. Outra coisa que é evidente é que o quadro da importante evolução da consciência dos trabalhadores é o movimento nacional unitário que se manifestou na última greve.

A divisão da categoria em inúmeras federações não terá nenhum outro resultado que dividir esta força, enfraquecer os trabalhadores diante dos patrões e criar um quadro de absoluta confusão.

É uma política patronal e uma traição aos interesses dos trabalhadores.

Qual argumento é usado para enganar uma parcela de ativistas e de trabalhadores para apoiar a divisão da categoria? O argumento é o mais ilógico possível. Segundo esses grandes estrategistas, os trabalhadores teriam uma federação pura, com os “verdadeiros” dirigentes de luta etc. (isso se consideráramos, o que de forma alguma estamos dispostos a fazer, que tais dirigentes sejam de luta, como o PSTU que encabeçou boa parte das traições contra os trabalhadores no movimento dos correios).

Este argumento é totalmente sem fundamento. Qual a utilidade de ter uma direção maravilhosa se os trabalhadores estão desunidos e não têm força para lutar contra os patrões? Mais uma vez fica clara a ilusão (ou a falta de vergonha) de quem propõe a divisão dos trabalhadores. Segundo eles, um dirigente sindical é muito mais decisivo que milhares de trabalhadores. Diante de tal pensamento, só rindo e às gargalhadas. “Se formamos uma federaçãozinha com meia dúzia de sindicatos, como quis formar o PSTU e o MR, contando com 10% das bases, mas com “grandes” dirigentes sindicais, somos fortes”. Quer dizer, o importante são os dirigentes sindicais, não os trabalhadores. Não apenas é uma concepção pequeno-burguesa e oportunista, como é uma concepção  burocrática, pois apenas um burocrata sindical, que confia apenas na força do aparelho sindical independentemente dos trabalhadores e vê os trabalhadores como massa de manobra, poderia pensar que este milagre poderia ser realizado. É uma posição sobretudo ridícula, pois qualquer pessoa que saiba pensar logo vê que esta federação é uma farsa enquanto instrumento de luta da massa dos trabalhadores.

 

A concepção infantil e sectária sobre os sindicatos

 

PCdoB, PSTU e grupos como o MR têm as mesmas alegações para propor a ruptura com a Fentect: é patronal, não luta etc.

O primeiro problema que aparece nesta avaliação absolutamente ingênua e infantil (quando não é pura vigarice política) é ignorar que 90% dos sindicatos do mundo são assim, sendo muito generoso na estimativa.

Os pretensos trotskistas que nunca leram Trótski não sabem que: “Há uma característica comum no desenvolvimento ou, para sermos mais exatos, na degeneração das modernas organizações sindicais de todo o mundo: sua a aproximação e sua vinculação cada vez mais estreitas com o poder estatal. Esse processo é igualmente característico dos sindicatos neutros, social-democratas, comunistas e anarquistas. Somente este fato demonstra que a tendência a “estreitar vínculos” não é própria desta ou daquela doutrina, mas provém de condições sociais comuns a todos os sindicatos.

“O capitalismo monopolista não se baseia na concorrência e na livre iniciativa privada, mas numa direção centralizada. As camarilhas capitalistas, que encabeçam os poderosos trustes, monopólios, bancos etc., encaram a vida econômica da mesma perspectiva como o faz o poder estatal, e a cada passo exigem sua colaboração. Os sindicatos dos ramos mais importantes da indústria, nessas condições vêem-se privados da possibilidade de aproveitar a concorrência entre as diversas empresas. Devem enfrentar um adversário capitalista centralizado, intimamente ligado ao poder estatal. Daí a necessidade que os sindicatos têm – enquanto se mantenham numa posição reformista, ou seja, de adaptação à propriedade privada – de adaptar-se ao estado capitalista e de lutar pela sua cooperação. Aos olhos da burocracia sindical, a tarefa principal é “liberar” o estado de suas amarras capitalistas, de debilitar sua dependência dos monopólios e voltá-los a seu favor. Esta posição harmoniza-se perfeitamente com a posição social da aristocracia e da burocracia operárias, que lutam por obter algumas migalhas do sobrelucro do imperialismo capitalista. Os burocratas fazem todo o possível, em palavras e nos fatos, para demonstrar ao estado “democrático” até que ponto são indispensáveis e dignos de confiança em tempos de paz e, especialmente, em tempos de guerra. O fascismo, ao transformar os sindicatos em organismos do estado, não inventou nada de novo: simplesmente levou até às últimas conseqüências as tendências inerentes ao imperialismo.

“Os países coloniais e semicoloniais não estão sob o domínio de um capitalismo nativo, mas do imperialismo estrangeiro. Mas este fato fortalece, em vez de debilitar, a necessidade de laços diretos, diários e práticos entre os magnatas do capitalismo e os governos que deles dependem, nos países coloniais e semicoloniais. À medida que o capitalismo imperialista cria nas colônias e semicolônias um estrato de aristocratas e burocratas operários, estes necessitam o apoio dos governos coloniais e semicoloniais, que desempenhem o papel de protetores, de patrocinadores e às vezes de árbitros. Esta é a base social mais importante do caráter bonapartista e semibonapartista (1) dos governos das colônias e dos países atrasados em geral. Essa é também a base da dependência dos sindicatos reformistas em relação ao estado.

“No México, os sindicatos transformaram-se por lei em instituições semi-estatais e assumiram, por isso, um caráter semitotalitário. Segundo os legisladores, a estatização dos sindicatos fez-se em benefício dos interesses dos operários, para lhes assegurar certa influência na vida econômica e governamental. Mas enquanto o imperialismo estrangeiro dominar o estado nacional e puder, com a ajuda de forças reacionárias internas, derrubar a instável democracia e substituí-la por uma ditadura fascista declarada, a legislação sindical pode transformar-se facilmente numa ferramenta da ditadura imperialista.” (Trótski, os sindicatos na época de decadencia imperialista).

E Trótski conclui:” De tudo que foi dito, depreende-se claramente que, apesar da degeneração progressiva dos sindicatos e de seus vínculos cada vez mais estreitos com o Estado imperialista, o trabalho da degeneração progressiva dos sindicatos e de seus vínculos com o Estado imperialista, o trabalho neles não só não perdeu sua importância, como é ainda maior para todo partido revolucionário. Trata-se essencialmente de lutar para ganhar influência sobre a classe operária. Toda organização, todo partido, toda fração que se permita ter uma posição ultimatista com respeito aos sindicatos, o que implica voltar as costas à classe operária, somente por não estar de acordo com sua organização, está destinada a acabar. E é bom frisar que merece acabar.” (idem).

Só para esclarecer: a posição ultimatista a que Trótski se refere é justamente esta do MR e dos seus patronos da Conlutas de romper com os sindicatos

Isso quer dizer que os trotskistas do MR e do PSTU (ressalvando-se que em grande medida a posição do PSTU é pura vigarice política de burocratas sindicais), parte de uma ingenuidade que se espanta que os sindicatos na época de decadência imperialistas estejam nas mãos da burguesia imperialista! Trótski é taxativo: alegar que o sindicato é patronal para voltar as costas à classe operaria organizada neles é um crime politico que só pode levar, merecidamente, à extinção destas organizações. Somente o monstruoso atraso político destas organizações é que pode dar abrigo a tais concepções antimarxistas e antioperárias e que permite a manipulação de burocratas sindicais como os do PCdoB e do PSTU e elementos mais jovens, inexperientes, ingênuos e completamente ignorantes do marxismo.

Quais são as verdadeiras razões da política divisionista do PCdoB e do PSTU

Outro problema desta teoria infantil e vigarista é que o PCdoB é a ala direita da burocracia patronal da Fentect e principal instrumento patronal contra as lutas dos últimos anos. Isto demonstra acima de qualquer dúvida que as alegações para a ruptura não passam de um pretexto, de demagogia para convencer os trabalhadores descontes com a burocracia de seguir os que estão rompendo e favorecer os seus planos particulares que nada têm a ver com a luta dos trabalhadores.

O PSTU e a Conlutas, com a sua propaganda oportunista somente prepararam o terreno e ofereceram uma cobertura pretensamente esquerdista para a ala direita da burocracia sindical. O fato de que esta tenha adotado exatamente a política preconizada pelo PSTU e pelo MR e inclusive com os mesmos argumentos mostra a completa ausência de qualquer característica revolucionária nesta política. Mostra mais, que esta é uma política que, sob determinadas circunstâncias, favorece a burocracia sindical, mas não os trabalhadores.

O problema chave, porém, é: por que estão rompendo? Fica claro que nem PCdoB nem PSTU querem “lutar contra a burocracia sindical”. Que querem resolver um problema da sua própria política burocrática e nada mais.

O motivo no fundo desta política tanto para o PSTU como para o PCdoB é a crise política da burocracia. A ruptura do PCdoB revelou este problema com toda a sua clareza.

Tanto PSTU como PCdoB foram duas alas da burocracia dependentes da burocracia principal representada pelo PT. A aliança entre estas burocracias de distinto tamanho, força e integração com o Estado somente foi possível devido a uma determinada correlação de forças, quando uma parte da burocracia podia se apoiar limitadamente no movimento dos trabalhadores que eles mesmo impediam que se desenvolvesse. Nos últimos dez anos dois fatores fundamentais alteraram completamente esta relação de forças: a chegada do PT ao governo federal, o que permitiu crescer a sua influência dentro da ECT e a retomada da mobilização independente dos trabalhadores. Isso significa que, de um lado, a burocracia no seu conjunto evoluía à direita, assumindo cargos de direção na ECT e os trabalhadores à esquerda. Este movimento, como é evidente, produziu uma polarização cada vez maior dentro do movimento sindical, eavaziando o centro político constituído pela burocracia e do qual, até 2003, o PSTU era o centro, sendo força majoritária no Sintect-SP. Daí que a crise do PSTU tenha sido a primeira manifestação da crise da burocracia, reduzindo este partido a uma minoria insignificante do ponto de vista do aparelho burocrático.

A proposta de ruptura feita pelo PSTU é uma clara manobra de autopreservação desta burocracia menor que, dentro do aparelho geral dos sindicatos não tem nem o apoio dos trabalhadores e nem da burocracia. Foi este mesmo motivo que o levou a romper com a CUT quando Lula chegou ao governo. Não é por acaso que toda a propaganda rupturista do PSTU e sua propaganda em geral não é baseada em uma concepção de classe, mas no “governismo”, uma espécie de de anarquismo caricatural e burocrático.

À crise do PSTU seguiu-se a crise do PT, que não conseguiu manter a sua base sindical diante das traições que operou no comando dos principais sindicatos, particularmente em S. Paulo e da ascensão da maioria dos seus quadros sindicais à direção da empresa. Nestas condições, PT e PSTU entregaram os dois maiores sindicatos ao PCdoB, que serviu até agora como face visível da burocracia.

Agora, a burocracia em seu conjunto ingressou em uma nova etapa de crise com a greve de 2011, de longe a maior da categoria e que atropelou completamente a burocracia sindical que, nem mesmo nos seus piores pesadelos, teria pensado que iria enfrentar 28 dias de greve, com assembleias lotadas e trabalhadores conscientes dos seu antagonismo com a burocracia, que foi impedida em várias assembleias de encerrar a greve. Em S. Paulo, a burocracia sindical tentou fazer um acordo em separado, mas foi impedida pela categoria na assembleia. Este fato fez com que o PCdoB perdesse apoio dentro da burocracia da empresa.

A ruptura da diretoria dos sindicatos do Rio de Janeiro e de S. Paulo é um resultado direto da crise da burocracia sindical. É uma tentativa de se preservar da crescente pressão dos trabalhadores e da falta de apoio dentro do aparelho da empresa.

Este fato deixa claro que a política do PSTU de ruptura é uma política burocrática, oportunista, burguesa, contrarrevolucionária, com uma cobertura política para consumo de esquerdistas ignorantes e sem espírito crítico. A ruptura com a CUT e a formação da Conlutas, vista em perspectiva, não passou de um episódio menor da formação de diversas “centrais” sindicais com objetivos financeiros, burocráticos e eleitorais. A diferença entre a Conlutas e as demais dezenas de centrais sindicais é apenas e tão somente o discurso esquerdista.

 

A política do MR: fornecer uma cobertura de esquerda à traição do PCdoB

 

No exato momento em que o PCdoB manifestou a sua intenção de romper com a Fentect, o Movimento Revolucionário publicou a sua declaração defendendo a mesma política, apenas com a ressalva de que não se manifestava a favor de uma federação unitária com o PCdoB, intitulado “Romper com a Fentect já, por uma nova federação sem PT e sem PCdoB”. A declaração é, claramente, uma resposta à política divisionista do PCdoB, a qual o grupo em questão apoia.

Neste momento, a questão política real, não a questão política imaginária que os integrantes do MR levantam, de criar uma micro-federação classista, é que uma das alas da burocracia está tentando retirar cerca de 40% de toda a categoria nacional da Fentect e dividir a categoria e suas lutas em duas metades, levando os trabalhadores dos correios que fizeram a espetacular greve de 28 dias a uma situação de fraqueza diante dos patrões e no exato momento em que está em marcha a privatização da ECT.

A política do PCdoB tem como resultado e objetivo destruir a organização unitária da categoria e fragmentá-la em várias organizações separadas. O PCdoB ataca frontalmente o princípio fundamental de todo sindicalismo e da luta de classe dos trabalhadores: a necessidade da sua unidade para lutar contra o inimigo comum.

Os integrantes da federação anã não se pronunciam claramente sobre esta monstruosa traição aos trabalhadores e às suas lutas e pelo menos um dos seus integrantes deixa claro que esta traição é considerada por eles como uma vitória da sua própria política.

O MR acentua a política destrutiva do PCdoB propondo que se acentue a liquidação da organização unitária dos trabalhadores criando ainda uma terceira federação para deixar a categoria completamente dividida e impotente.

A criação da Fentect foi um resultado da luta dos trabalhadores e uma vitória desta luta e, é preciso dizer com todas as letras, a maior conquista da categoria em todo este período de lutas. O próximo passo lógico e natural do movimento dos correios seria o de construir um sindicato nacional da categoria, como é a tradição do sindicalismo mais avançado do mundo há muitas décadas, ficando o Brasil muito atrasado neste sentido. Isso não é de se estranhar, uma vez que, antes da criação da CUT em 1983, o país somente havia tido uma experiência séria de construir uma central sindical na primeira década do século com a COB, a Confederacão Operária Brasileira, criada pela ala mais combativa do anarco-sindicalismo.

É demagogia e exploração da ignorância alheia confundir uma organização sindical com a sua direção. Os trabalhadores necessitam realizar uma longa experiência antes de criar uma direção verdadeiramente revolucionária para as suas organizações. A política proposta pelo MR e PSTU impede esta evolução se for realizada efetivamente em grande escala, o que efetivamente não acontece neste momento.

Ao defender a conduta criminosa do PCdoB, o MR-Luta Pela Base torna-se cúmplice da sua política patronal, traidora e contrarrevolucionária. Sobre isso não é possível qualquer compromisso.

 

Tentando fechar a crise da burocracia

 

O PSTU, com a ajuda de grupos e sindicalistas confusos como o MR deu uma enorme ajuda à burocracia ao desmantelar o bloco dos 17 sindicatos de oposição com o objetivo claro de isolar a corrente Ecetistas em Luta, a corrente revolucionária do sindicalismo dos correios, e levar adiante o projeto de construir uma micro-federação, mera fachada para o carreirismo dos seus dirigentes sindicais e um instrumento de barganha com a burocracia sindical do PT e do PCdoB. Fracassaram no seu intuito de construir a pseudo federação, mas foram bem sucedidos em desmantelar a oposição unitária.

Agora, novamente, o PSTU e seus confusos aliados vêm em socorro da burocracia. A saída do PCdoB da Fentect é um sinal de crise extrema da burocracia sindical em seu conjunto e somente um cego não é capaz de ver esta situação. Em primeiro lugar, se a burocracia procurar enfraquecer a categoria, dividindo a federação, ao romper o bloco unitária da burocracia ela também se enfraquece de maneira extremamente decisiva. No Congresso da Fentect que está para se realizar, é evidente que a esquerda dará um passo adiante no que diz respeito à direção da categoria e que a burocracia petista, amputada do PCdoB, sairá enormemente enfraquecida. Esta situação é o resultado de anos de experiência dos trabalhadores dos correios com as traições da burocracia que teve o seu momento culminante na última greve.

A proposta de romper com a Fentect “já”, sem mesmo verificar a correlação de forças no congresso ou dentro da categoria com o colapso do bloco burocrático PT-PCdoB se não for apenas cegueira e sectarismo agudo, é uma tentativa desesperada de salvar a burocracia da sua própria crise.

Com a saída das diretorias do Sintect-SP e do Sintect-RJ, onde há fortes oposições organizadas, o Sintect-MG, um sindicato dirigido por Ecetistas em Luta torna-se momentaneamente o maior sindicato da Fentect, o que acentua ainda mais a crise da burocracia em seu conjunto. O MR, seguindo de uma maneira delirante a política criminosa do PSTU, propõe romper “já” ao invés de propor um bloco de toda a esquerda para derrubar de vez a burocracia da Fentect, seja no Congresso, seja depois do Congresso, uma linha de desenvolvimento que decorre claramente da situação.

Nós, da nossa parte, chamamos todos os setores oposicionistas, inclusive PSTU e MR a formar um bloco de oposição unitário para dar o combate à burocracia neste congresso, aprovar um programa de luta, um plano de luta efetivo, alterar os estatutos da federação para permitir o controle dos trabalhadores de base sobre a sua organização sindical e por uma nova direção para a Fentect, claro que, com a condição de que a luta se dá tendo como princípio fundamental a unidade dos trabalhadores e não a sua divisão. Acreditamos no desenvolvimento desta proposta apesar da política apresentada por um setor da federação anã de romper com a Fentect, porque acreditamos que a pressão de baixo pode colocar este bloco no caminho político correto.