Retomar a luta contra a reorganização e a máfia da merenda

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Estudantes de São Paulo voltarão a se mobilizar ainda esta semana contra a reorganização mascarada e pela apuração dos desvios de verba da merenda escolar

De acordo com Ângela Meyer, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), os alunos das escolas estaduais de São Paulo voltarão a se mobilizar contra o novo plano tucano para a reorganização das escolas.

Em 2015, a divulgação do plano de reorganização das escolas estaduais por ciclos (Ensino Fundamental, ciclos I e II e Ensino Médio) gerou grande mobilização de professores, estudantes, pais, comunidades escolares e movimentos sociais que manifestaram seu descontentamento pelas ruas da capital e de cidades do interior de São Paulo, além de ocupar cerca de 200 escolas, conseguindo assim, adiar os objetivos do PSDB de fechar, a princípio, 94 escolas, além de gerar milhares de demissões entre professores e funcionários e de transferir, compulsoriamente, centenas de milhares de alunos.

Entretanto a reorganização continua sendo colocada em prática em diversas regiões através do fechamento de salas, turnos e ciclos em várias escolas. Dados levantados pela APEOESP (Sindicato dos Professores) indicam que o número de salas de aula fechadas já chega a 1.112 em 47 regiões, o que deixa cada vez mais evidente que o objetivo central da reorganização é o corte de despesas com a educação. Despesas essas que não foram poupadas no desvio de verbas da merenda escolar.

Outra reivindicação dos estudantes é a de que se abra uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o desvio de verbas da merenda escolar feito por quadrilha composta por quadros de significativa importância do PSDB e outros partidos da direita. Já há denúncias de escolas, em diversas regiões, que vêm recebendo apenas a merenda seca, como biscoitos e leite ou o suco de caixinha e barra de cereais. Um grande descaso por parte de um governo que sabe que, muitas vezes, para alunos mais carentes, a merenda escolar é a única refeição do dia que pode ser considerada reforçada a qual eles têm acesso.

O Partido dos Trabalhadores apresentou um pedido de CPI para tal apuração, mas não obteve o número de assinaturas necessárias para protocolar o mesmo, visto que tem minoria na ALESP (Assembleia Legislativa de São Paulo). São necessárias para a abertura da CPI 32 assinaturas, o PT conseguiu apenas 19, sendo que 17 são de seus aliados e 2 dos envolvidos no esquema de desvio de verbas, Fernando Capez (PSDB) e Luiz Carlos Gondim (SD). Fica claro que esses últimos assinaram tal pedido com objetivos puramente demagógicos, já que como acusados, em momento algum propuseram que seus aliados na Assembleia apoiassem também a CPI, mesmo tendo plena consciência de que são a maioria na casa.

Assim, os estudantes, através de Angela Meyer, dão o recado no site Rede Brasil Atual: “Vamos realizar uma blitz na Assembleia e cobrar a abertura de uma CPI para investigar a corrupção na merenda. Queremos saber quais deputados apoiam a luta dos estudantes”, Angela considera que “Não é só uma questão com os alunos, envolve a vida das famílias. Muitos estudantes fazem uma refeição do dia na escola. Queremos apuração”. Além da “blitz” na Alesp, ainda esta semana a presidente da Upes afirma que “Vamos paralisar nossas escolas, fazer trancaços nas principais avenidas de todas as cidades e exigir respostas sobre os desvios na merenda, o fechamento de salas de aula e a redução no horário de aulas de algumas escolas” (Rede Brasil Atual).

Mais uma vez os secundaristas apontam o caminho a ser tomado contra os desmandos do governo tucano em São Paulo. Esse é o momento de professores, pais, comunidade e movimentos sociais se unirem novamente e tomar as ruas para exigir que, além de se apurar e punir os ladrões de merenda de crianças, se enterre, de uma vez por todas, os planos para a reorganização tucana das escolas de São Paulo, quer seja ela mascarada ou não.

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