Quem mata é a PM, o judiciário enterra

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juliano

Um fator contribui fundamentalmente para que a Polícia Militar alcance seu macabro número de três milhares de pessoas executadas no Brasil, ao ano. É o Judiciário que, se não usa farda e automática, ratifica todos, absolutamente todos os homicídios cometidos pela polícia.

Pode parecer que a selvageria está nas mãos da PM, que é quem derrama o sangue do povo, mas os ideólogos e instigadores dessa matança estão nos tribunais de justiça espalhados pelo país e, claro, na justiça militar, uma peça de museu que está ganhando espaço dentro do golpe de Estado.

O caso que melhor ilustrou esse fato foi o do Massacre do Carandiru, onde centenas de pessoas foram brutalmente assassinadas em uma invasão do complexo, em 1992, pelas forças de repressão do governo do Estado de São Paulo, à época nas mãos de Fleury.

A polícia invadiu o complexo prisional e abriu fogo contra quase todas as pessoas que lá estavam, com espingardas, metralhadoras e outras armas, o resultado foi que cada cadáver tinha, pelo menos, cinco buracos de bala.

A direita, a mesmíssima que deu o golpe de Estado, se vangloria do feito mundialmente conhecido como um dos mais covardes já registrados. O choque bate os cassetetes no escudo e avisam que a morte chegou, mas quem oficializou a chacina, quem legalizou o massacre foi o judiciário.

Decisão recente do TJ/SP, conhecido como a “câmara de gás”, pois de lá ninguém escapa, anistiou todos os policiais envolvidos no mais horrendo massacre cometido pela PM, terrível não pela quantidade, que é rotina, mas pela brevidade da ação.

Os desembargadores envolvidos nesse crime contra o povo negro e pobre aceitaram a argumentação da defesa de que não existem provas contra os acusados, apesar dos buracos de bala, das armas, do banho de sangue. Argumentaram, ainda, que os assassinos agiram em legítima defesa, que mataram centenas de pessoas para se defender, em uma decisão que é um deboche contra as famílias dos mortos e contra contra todo povo.

Mas não poderia ficar por aí. Um dos desembargadores, Ivan Sartori, havia decretado a prisão de um rapaz que alegadamente teria furtado um salame de um supermercado. Ele condenou o homem a 6 meses de cadeia; o preso alegou que estava com fome, mas o magistrado recusou o argumento e disse que deixar o acusado solto poria em “risco a incolumidade pública”.

Até a imprensa burguesa se mostrou incapaz de defender o magistrado. Mas, é essa mesma imprensa que faz propaganda da ação policial.

O desembargador que anistiou os monstros do Carandiru condenou o rapaz que furtou porque passava fome. O que o desembargador quis demonstrar é que o rapaz que roubou salame deveria estar entre os mortos do Carandiru. Não só, se possível todos os negros, pobres e trabalhadores deveriam estar no Carandiru.

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