PSOL: Golpistas de corpo e alma

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No dia dois deste mês, Roberto Robaina, dirigente do Movimento de Esquerda Socialista, corrente interna do PSOL, mesma corrente de Luciana Genro, candidata a presidente pelo partido em 2014, escreveu um texto nessa última semana, intitulado “A esquerda precisa unir a luta contra o ajuste à luta contra a corrupção”.

A declaração segue uma tendência na esquerda que não lutou contra o golpe, e até em setores anti-golpistas vacilantes, de se integrarem numa frente única com os golpistas, frente que defende o interesse da direita golpista.

O MES está atuando na vanguarda do seguidismo à direita golpista, essa tentativa de unir a demagogia direitista à luta contra a PEC é uma tentativa de fazer a esquerda andar junto com a direita para defender o interesse do imperialismo. Já no ato deste último dia 4 grupos de esquerda foram às ruas junto com os fascista do MBL e outros da mesma espécie, falando na mesma base revoltada e massas nas ruas. Uma coisa é necessário deixar bem claro, a esquerda ir no ato dos golpistas confunde o trabalhador e o ensina a não rejeitar os golpistas, afinal, “é o povo que está na rua”, coxinha, golpistas, e principalmente essa direita racista e fascista que está na rua não é povo, são seus inimigos mortais, o PSOL quer fazer as pessoas acreditarem que se a esquerda der um glacê democrático para as marchas golpistas, a pequena-burguesia convocada pela Globo, a burguesia, os coxinhas e o MBL engrossarão as fileiras da luta contra o ajuste fiscal e a direita, isso não vai acontecer.

Dilma foi derrubada pela mobilização popular?

“Na etapa anterior, esses setores conseguiram desviar o justo sentimento da luta contra a corrupção, para a luta contra Dilma, resultando no Impeachment.”

Nessas palavras vemos que a corrente de Luciana Genro vive num mundo de fantasia, mais especificamente, aquele fabricado pela imprensa golpista. Para eles o impeachment foi o resultado de uma mobilização popular “apropriada” pela direita. De onde veio esse povo?  Que sindicatos chamaram a derrubar Dilma? Nenhum, fora o PSTU e seus satélites da Conlutas, fora a escatológica esquerda golpsita, nem a Força Sindical tomou uma ação decisiva contra Dilma, por conta da impopularidade da campanha, o mesmo vale para associações estudantis e de bairro. Quantas fábricas entraram em greve contra Dilma? Nenhuma, nem as fábricas cujos sindicatos são da Conlutas. Quando começou esse movimento popular, que chegou a derrubar um governo? No dia 15 de março de 2015, o primeiro grande coxinhato. Robaina e o PSOL querem fazer parecer um grande movimento espontâneo, mas sendo bem diretos, a manifestação não tinha reivindicação nenhuma apenas o “Fim da Corrupção e do governo Dilma”, isso permeava todo o ato, as reivindicações de salário, estudo, saúde, estavam com o povo, em casa, assistindo o show de horrores. Finalmente, os Psolistas fizeram muita força de vontade para imaginar que o povo brasileiro esqueceu sua herança africana tanto nas ideias como na melanina, o povo é brasileiro é negro e pardo, os coxinhatos parecem até agora partidas de futebol sueco. Onde se apresenta a pequena-burguesia direitista, base social do fascismo, convocada pela imprensa golpista, financiada pela FIESP, liderada por grupos como MBL e Vem Pra Rua, que querem acabar com o salário mínimo e os direitos do trabalhador, eles vêm o povo, onde as organizações populares se apresentaram, na luta contra o golpe, eles viram fantoches dos petistas.

O que é essa pauta “popular” de combate à corrupção?

“A tragédia que comoveu o país, com o terrível acidente da equipe de futebol da Chapecoense, não impediu que os deputados e senadores votassem duas agendas contra o povo: a continuidade do ajuste e medidas que desfiguram o pacote anticorrupção, ameaçando assim a continuidade das investigações da Operação Lava-Jato. ”

A PEC do teto sendo ponto pacífico na esquerda, ela é um grande ataque ao povo brasileiro. Mas no que exatamente consiste essa luta? Repressão, retirada de direitos e garantias constitucionais. Como colocado pelo PSOL nessa citação, também colocado ao votarem nelas no congresso,  lutar contra a corrupção é ser a favor da operação lava-jato e, talvez pior que isso, ser a favor das 10 medidas contra a corrupção. As 10 medidas propõem entre outras coisas o fim “abuso do direito de recorrer”, medida número 4, dificultam habeas corpus também medida 4. Não existe abuso do direito, se é direito é legítimo que seja utilizado, o habeas corpus é utilizado para retirar pessoas da prisão, o direito da pessoa, que até que seja condenada, se mantenha em liberdade, retirar ou dificultar esse direito básico em qualquer maneira é um duríssimo ataque às liberdades democráticas de todos os trabalhadores. O MES não se conteve em defender a Operação Lava-Jato, uma defesa de setores golpistas, ligados ao imperialismo, perseguindo o PT e toda a esquerda.

“A posição desastrosa foi a das Frente Brasil Popular e Frente Povo sem Medo(BA): condena a luta contra a corrupção, criminalizando todo o poder judiciário afirmando que a Operação Lava-Jato nada mais é do que uma operação de “agentes do imperialismo” “

Ao dizer que é  uma posição desastrosa o partido da esquerda golpista quer encobrir a intervenção do imperialismo, principalmente dos EUA, no Brasil. A Operação serviu para levar a falência boa parte das empreiteiras nacionais, levar ao poder um setor da burguesia totalmente contra o desenvolvimento dos países atrasados, que é contra Maduro na Venezuela, que quer levar uma política de acordo com a política neoliberal do FMI e o Banco Mundial, a Lava-Jato é munição para os especuladores de Wall Street privatizarem o petróleo brasileiro, realmente, denunciar a pilhagem do patrimônio nacional é desastroso

A receita do PSOL é simples : Tem que apoiar a operação que está destruindo o patrimônio nacional, teria que apoiar as medidas que tiram direitos elementares, tudo em nome da “luta contra a corrupção”

MES : Temos que parecer com a direita

O MES coloca no seu artigo, que não entrar na campanha contra a corrupção é responsável pelo crescimento da direita, que é o povo descontente que se mobilizou, que não podemos entregar essa pauta à direita. Essa é uma pauta da direita, é uma campanha hipócrita, ela levou os setores mais corruptos do regime ao poder, o PMDB-PSDB-DEM. A esquerda pequeno-burguesa não tem programa, age de acordo com a “opinião pública”, que é a imprensa golpista, a direita cresce e não contrapõe à essa política uma política revolucionária, coerente e firme. Ela entrega espaço e se adapta a direita, cada vez mais se parecendo com ela, para ser “aceita”. O MES disse antes do Impeachment “Não, não vai ter golpe. O que sim pode ter é o impeachment.” (Texto : Vai Ter Golpe? De 9 meses atrás) Isso foi dito pelo Instituto Liberal, pelo Globo, pela Veja, Pelo PPS, etc.

As organizações operárias tem que denunciar a demagogia da direita, tem que opor à hipocrisia a luta contra golpe e contra a transformação do regime político em um ditadura.

As organizações operárias e populares não tem que ser como o MES, não temos que ser a ala esquerda do golpismo e nem da Lava-Jato, temos que organizar uma política de conjunto contra a direita e contra o golpismo. Não temos que unir a luta contra o ajuste com a luta contra a corrupção, neutralizando o povo ao uni-lo com os golpistas, temos que unir a classe trabalhadora na luta contra os golpistas e pela seus interesses.

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