Parlamento britânico aprova início do Brexit para março

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Nesta quarta-feira (7), o Parlamento britânico autorizou a primeira-ministra Theresa May a iniciar a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o chamado Brexit. Os parlamentares aprovaram a autorização por 448 votos contra 75. Uma moção do Partido Trabalhista, na oposição ao governo do Partido Conservador de May, foi aprovada na mesma sessão, exigindo que os ministros do governo apresentem seus planos para lidar com a saída do bloco europeu.

Até o fim de março, May deverá apresentar um plano do governo para o Brexit, e então ativar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que dispõe sobre o desligamento de membros da UE. Há, no entanto, oposição ainda ao Brexit dentro do Parlamento. Parlamentares dizem que ainda não saberão os planos do governo quando chegar o momento de May acionar o artigo 50, e que a votação teria sido uma armadilha.

Anteriormente, May pretendia iniciar o Brexit sem passar pelo Parlamento. Uma decisão judicial, no entanto, impedia a primeira-ministra de prosseguir, obrigando-a a passar antes pelo Parlamento. O Brexit foi decidido em um referendo popular, em que a maioria dos votantes escolheram sair da UE. A decisão do Judiciário passou por cima dessa escolha, dando ao Parlamento a escolha de levar adiante ou não o desligamento do bloco europeu, um golpe contra o Brexit. Enquanto o governo realiza o Brexit, há uma série de manobras e medidas para manter muitas das relações econômicas vigentes agora com a UE.

A vitória do Brexit no referendo deixou a burguesia imperialista em choque, expondo uma crise profunda do regime político e levando à renúncia do primeiro-ministro David Cameron. Foi um primeiro grande golpe contra a política neoliberal de “livre comércio” dos grandes bancos e monopólios financeiros, uma derrota da política do imperialismo, cada vez menos compatível com qualquer escolha popular, mesmo que as eleições e referendos nas democracias sob o imperialismo sejam totalmente controladas pela burguesia. A segunda grande derrota dessa política viria com a vitória de Donald Trump nos EUA, contra o aparelho de seu próprio partido nas primárias, e depois contra quase toda a imprensa burguesa dos EUA, contra os grandes bancos e o mercado financeiro.

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