Os marionetes da Direita golpista

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a.eduardoAntonio Eduardo Alves de Oliveira

Na última segunda-feira, dia 29 de agosto, a presidenta Dilma foi ao Senado e fez um discurso histórico denunciando o impeachment como um golpe de Estado. No julgamento farsa organizado pela direita golpista, a presidenta que já enfrentou um julgamento de exceção na época da ditadura, mais uma vez de maneira altiva enfrentou um longo e desgastante interrogatório, encarando de frente seus algozes.

Mesmo neste momento crucial, a maioria da esquerda pequeno burguesa que sempre vacilou no enfrentamento com a direita simplesmente se cala diante do golpe do Estado. Para uma comprovação desse fato, basta uma breve navegação nos sites desses grupos.

Não há, entretanto, nenhum agrupamento da esquerda pequeno burguesa que supere o PSTU. Os morenistas defendem até agora a derrubada do governo Dilma e, assim como a direita, afirmam que não existe golpe. A política sectária do PSTU e da sua central (Conlutas) sempre foi, durante a crise política, de uma permanente frente única com a direita golpista.

No momento final do julgamento do impeachment, o PSTU cumpre a sua triste sina de ser mero boneco de ventríloquo da direita golpista.

Ao comentar o discurso da presidenta Dilma no dia 29, na nota política intitulada “Fora todos eles: A farsa do impeachment e a hipocrisia de Dilma”, invés de atacar a direita na iminência do golpe, realiza o contrário: elege Dilma como alvo preferencial, classificando o discurso como uma hipocrisia (interessante notar que Aécio Neves usou essa mesma acusação contra Dilma, chamando-a de mentirosa) e mais uma vez afirma que a derrubada do governo seria algo positivo que não pode ser lamentado, sendo inclusive obra do “povo” (mesma fala dos senadores do DEM, como Ronaldo Caiado).

A farsa da “farsa” do PSTU

A “farsa” presente no título da matéria assinada pela Redação do Opinião Socialista não é a denúncia do julgamento do impeachment como um golpe, tampouco é o questionamento das maquinações e dos meros pretextos jurídicos inconsistentes para afastar uma presidenta eleita por mais de 54 milhões de votos. Nada disso, para os morenistas, a suposta “farsa” é que o impeachment é “ trocar seis por meia dúzia.

Já critiquei o artigo publicado no site do PSTU, “Fim de um ciclo: O PT e o impeachment de Dilma”, no qual mais uma vez o PSTU repete o surrado argumento usado pela direta golpista de que “ Não Existe golpe” e de que o governo caiu devido à perda fulminante do apoio popular e que os “ trabalhadores romperam com o PT”.

Recentemente, no site do PSTU foi divulgado um vídeo com o presidente nacional do partido, José Maria de Almeida, dizendo que “impeachment é trocar seis por meia dúzia” e que o governo Temer é um mero continuador do governo Dilma.

Tanto na matéria “Fora todos eles: a farsa do impeachment e a hipocrisia de Dilma” quanto no depoimento do presidente do partido, o objetivo central é demonstrar que Temer é igual a Dilma, sendo um continuador da mesma política.

“O processo de impeachment que vem chegando aos seus momentos finais pretende trocar seis por meia dúzia ao destituir Dilma e tornar permanente o governo interino de Michel Temer (PMDB). Com essa decisão, vamos ver o prosseguimento dos mesmos ataques que o governo de Dilma vinha implementando contra os trabalhadores e a grande maioria da população. A única diferença é que agora pelas mãos de seu vice, Michel Temer.” (site PSTU).

Essa política é posição simplória de um sectarismo que coloca sinal de igualdade entre todos ( daí o Fora Todos), como se não existisse diferença entre o PT e a direita. Além disso, para o PSTU “Temer e Dilma representam o mesmo projeto.”, ou seja, é apenas uma mesquinha briga de comadres que disputam entre si o poder. Toda a crise política, social e econômica no País é apenas uma rixa banal para saber quem vai ser “governista” para atacar os trabalhadores.

O curioso é que essa gente se reivindica marxista, mas para eles não existe luta entre as classes, entre as frações de classes, nem fenômenos políticos como nacionalismo em países atrasados e diferenças entre setores burgueses nacionais e o imperialismo.

Sobre esta visão do PSTU de que “todos os adversários são iguais”, de que o PT e a direita são a mesma coisa, de que o governo Temer é apenas um continuador do governo Dilma é importante salientar ainda mais duas questões.

Primeiro, revela uma total incompreensão do que seja a frente popular e para que serve a frente popular.

A frente popular não é a mesma coisa que a direita, é uma forma de conciliação de classe, que só existe exatamente porque existe diferença entre os seus integrantes.

No Brasil, por exemplo, a importância do PT esta em que tem uma forte penetração popular e dirige milhares de organizações populares e sindicais na cidade e no campo. Neste sentido, o significativo capital político do PT não vem da sua força eleitoral, mas exatamente o contrário, sua força vem dessa representação ainda que distorcida das camadas populares. A coalizão com partidos burgueses é feita neste marco, isso ocasiona também limites nos ataques realizados pelo governo da frente popular aos direitos de sua base social.

Uma segunda questão é achar que o governo Temer é um mero continuador do governo Dilma, pois afinal para o PSTU “A única diferença é que agora pelas mãos de seu vice, Michel Temer”. Essa avaliação decorre da primeira, mas tem um efeito prático ainda mais pernicioso. Este caracterização revela uma total falta de percepção de qual o real sentido do impeachment e do golpe de Estado.
As classes dominantes do país tem colocado em movimento uma grande engrenagem institucional e social para realizar um golpe de Estado, não foram apenas “manobras parlamentares” como advoga o PSTU e seus satélites como a diretoria do Andes. Acionou-se uma poderosa máquina, envolvendo o poder judiciário, o poder legislativo, setores de dentro do governo anterior ( o próprio vice e seu partido; a Polícia Federal), realizadas manifestações coxinhas tudo sob a manipulação da mídia. Tudo isso na viseira do PSTU apenas para manter o mesmo projeto.
Do ponto de vista prático, revela também um embelezamento do governo Temer, pois para o PSTU não é um governo golpista para realizar mais ataques ao povo, é apenas um continuador. Isso, mesmo depois do governo interino mostrar para que veio, ou seja realizar a reforma trabalhista, atacar as aposentadorias, cortar recursos da educação e saúde de uma maneira, entregar o patrimônio nacional, entre outras medidas.

A coincidência entre os “ juízes” golpistas da direita e os “juízes’ golpistas esquerdistas : Dilma Hipócrita e mentirosa deve ser impedida de voltar

No artigo, o PSTU mais uma vez continua afirmando que a queda da presidenta Dilma é devido quase exclusivamente pela forte insatisfação popular. A conclusão é que a derrubada do governo, acontece fundamentalmente porque “ povo não quer Dilma”.

“Mas se é verdade que a grande maioria dos trabalhadores e da população quer que Dilma saia, é verdade também que não deseja ver Temer em seu lugar. O povo não quer Dilma, nem Temer ( …) “\

No artigo publicado no DCO em 26 de agosto de 2016 , “PSTU comemora o impeachment e diz que não é golpe” evidenciei que o PSTU estava comemorando o impeachment, mais uma vez os morenistas reclamaram , afirmando que não defendem o impeachment, mas a derrubada do governo Dilma e todos os outros que virão.

Neste sentido, para os morenistas o congresso nacional não esta realizando um golpe de Estado, mas atendendo um “ clamor” popular.

Negar o golpe por parte dos morenistas é no fundo um apoio velado ao golpe. É importante assinalar ainda que o “Fora todos” do PSTU representa uma aliança com a direita para derrubada do governo Dilma, pois é esse governo que esta sendo derrubado na prática. Além do mais, defender a queda do governo Dilma, quando somente a direita pode efetivamente conquistar o poder através de um golpe de Estado é uma verdadeira perfídia a favor da classe dominante golpista.

Na sua aliança com a direita golpista o PSTU copia o mesmo discurso e a mesma falácia dos setores mais agressivamente conservadores. Não é apenas um plagio, mas é a tentativa morenista de traduzir na linguagem “revolucionária” ao gosto da esquerda pequeno burguesa (como a diretoria do Andes) os insultos reacionários da direita.

Uma prova cabal disso, foi o interrogatório no senado. Os senadores golpistas como Aécio Neves, Cássio Cunha Lima, Ronaldo Caiado, José Aníbal, Magno Malta não faziam perguntas, o que mais uma vez mostrou a farsa do julgamento, mas atacam violentamente a presidente Dilma usando os mesmos “argumentos morais” reproduzidos pelo PSTU no seu site: Dilma é hipócrita, faltou com a verdade, é mentirosa.

A concordância entre os senadores ( “juízes”) golpistas e o PSTU será mera coincidência ?
Como explicar o fato que os ” revolucionários” do PSTU, que tem inclusive uma central sindical ( “popular e de Luta”) para consumo próprio e estão na direção do Andes apresentam a mesma política que a direita, defendendo exatamente o mesmo veredicto final na farsa do impeachment dos golpistas: A retirada (sem absolutamente nenhuma prova de crime de responsabilidade) do mandato da presidente Dilma, eleita por mais de 54 milhões de eleitores.
Além do mais, pode alegar um morenista de boa fé, é preciso derrubar Dilma por que como já foi dito “O povo não quer Dilma” para depois em uma fabulosa sequência ultra revolucionária derrubar quem derrubou Dilma.

O plano na verdade é o Fora Todos. Depois da “ruptura com PT pelos trabalhadores” e a vitória do movimento “ não golpista”, mas “ popular” pelo derrubada da “ hipócrita” Dilma”, o PSTU defende “ Fora Temer”. O PSTU propõe isso através de uma ação revolucionária, a greve geral com todas as centrais sindicais, mesmo as pelegas como a Força sindical para pressionar o congresso nacional com Rodrigo Maia do DEM ou quem sabe o TSE ou próprio Temer a convocar ” novas eleições”, quando “todos” serão derrotados e estala-se um ” governo baseado nos conselhos populares”.

“Tchau querida “ do PSTU : “Dilma já vai tarde”

Com o desenlace do julgamento farsa do impeachment, o PSTU de maneira mais escancarada passa a comemorar a derrubada do PT pela direita, não consegue mais conter sua alegria pela deposição definitiva pelos golpistas do governo da frente popular.
Assim, como os senadores golpistas, o PSTU aproveita a histórica ocasião para tripudiar em cima da presidente Dilma e seu partido, isso no exato momento em que esta encontrava-se encurralada pela direita golpista no julgamento farsa no senado. Antes mesmo da votação definitiva e formal do afastamento de Dilma pelos senadores, o PSTU como toda a mídia golpista, em especial a Globo e a Veja já comemora o fim do governo Dilma.

“Dilma já vai tarde. Os trabalhadores e o povo não derramarão uma lágrima por quem os enganou.” Site pstu

O PSTU resolveu participar dessa farsa do impeachment, é verdade que pela porta dos fundos, junto com os julgadores golpistas que também comemoram entusiasticamente a queda da presidenta. Para o PSTU, “Dilma já vai tarde” . Se isso é não é uma comemoração pelo impeachment o que seria?
Sendo ainda mais realista que o rei, ou melhor sendo mais golpista que os próprios golpistas de direita. Para os “democratas “ do PSTU não se deveria ter esperado tanto para a derrubada do governo. Por que esperar tanto tempo, por que um processo de impeachment tão longo reclama o impaciente PSTU.

Ao proferir sua fatal sentença, antes mesmo do fim do julgamento golpista no senado, o PSTU faz coro com jocoso e machista “ Tchau querida” dos coxinhas, afirmando ainda que “Dilma já vai tarde”.
Será que “Dilma já vai tarde” do PSTU não significa também que o partido golpista de esquerda esta reclamando da lentidão do processo de impeachment no Brasil, reivindicando que a deposição de Dilma fosse realizada no mesmo modelo paraguaio de impeachment relâmpago em uma semana?
Bem, não vou me dar ao trabalho de especular sobre o que revela essa impaciência morenista pela demora na derrubada de Dilma. O que eu sei, é que, ao contrário do que prega o PSTU, não serão nem os trabalhadores nem o povo que “não derramarão uma lágrima” pela queda do governo Dilma e a vitória dos golpistas. Os ataques anunciados e os já realizados pelo governo Temer na sua interinidade já demonstram que o impeachment não é simplesmente “trocar seis por meia dúzia” como defende o PSTU, mas representa um golpe de Estado que visa atacar duramente os trabalhadores.

O PSTU está saboreando a derrocada de Dilma junto com os venais e arrogantes golpistas reacionários. A crise e os rachas do PSTU são apenas os sinais do preço a pagar pela política traidora de apoio ao golpe. A resistência dos trabalhadores aos golpistas é o caminho, e a alegria do PSTU pela vitória do Golpe não durará muito.

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