O projeto criminoso de Marco Antonio Villa

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afonso

O fascismo ganha força na imprensa nacional.

Em matéria publicada no jornal O Globo, o ex-professor de História da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), revela seu verdadeiro caráter como pessoa e como profissional. A começar pelo título: “Adeus, projeto criminoso de poder”.

Nesse ponto, não seria preciso ler mais nada. É a mesma ladainha repetida à exaustão pela revista Veja, publicação fascista e racista de São Paulo. Mas, por dever profissional, prossigamos com a crítica.

O projeto criminoso de poder a que se refere o fascista Marco Antonio Villa são os 13 anos do PT no governo. Isso indica, de antemão, que o PT teria feito um governo criminoso, enquanto todos os outros partidos não o teriam. Se não fosse assim, o título do artigo deveria ser algo como: “O fim do governo do PT representa o fim de um sistema político corrupto que vem desde os tempos do Império”. Mas não é. Trata-se de um ataque a um governo, cuja única coisa que fez de diferente de todos os outros governos foi dar algo, ainda que pouco substancioso, aos pobres e ao país.

Na verdade, o governo mais criminoso que o Brasil já teve foi aquele do PSDB que conseguiu a façanha de vender ao desbarato uma das empresas mais rentáveis do mundo que é a Vale do Rio Doce. Isso sem falar das outras “privatarias” como a das telecomunicações, da água e da energia elétrica. O novo alvo do novo governo que se anuncia, e que veio para pôr um fim nesse “projeto criminoso de poder”, é a entrega do pré-sal, da Petrobrás, dos direitos trabalhistas, etc.

O autor fascista do artigo de O Globo começa utilizando termos como “sovietólogos” e “petistólogos”. A comparação não é explícita, mas está nas entrelinhas. A ideia é trazer para o PT o antigo ranço da guerra-fria. Compara-se o PT ao comunismo e, com isso, atrai-se todos os energúmenos anticomunistas.

De acordo com esse “historiador” (e as aspas cabem bem neste caso), uma “grave crise econômica, produto da famigerada nova matriz econômica” teria sido um dos responsáveis pelo abalo do PT. Em primeiro lugar, a crise econômica nada tem que ver com “matriz econômica”, mas com uma profunda crise nos mercados internacionais, crise essa provocada pela falta de produção industrial e por uma economia que se volta cada vez mais para o mercado financeiro. A crise, na verdade, é a crise do capitalismo financista.

Mas, mais importante do que as análises capengas desse fascista (e o que revela o caráter fascista de seu artigo), é o que ele omite. Omite que a FIESP, os meios de comunicação, o PSDB e, como aponta diversos órgãos de imprensa internacional, a participação decisiva do imperialismo (como ficou revelado na recente tentativa de golpe de Estado na Turquia).

Para o articulista (e, vejam, aqui, a profundidade de sua análise), os petistas estavam “autoconvencidos” de que permaneceriam para sempre no poder. O que seria isso? Uma tentativa de comparar o PT com o Terceiro Reich?

Mas, em seguida, retoma a ladainha de sempre: a corrupção. E mais uma vez o articulista coloca a nu seu caráter fascista. Sempre a corrupção. Foi por meio de denúncias de corrupção que Mussolini chegou ao poder. Foi por meio de denúncias de corrupção que Hitler chegou ao poder. Foi por meio de denúncias de corrupção que se tentou dar um golpe de Estado na Venezuela e outro na Turquia. Foi por meio de denúncias de corrupção que se derrubou o governo legitimamente eleito da Ucrânia.

Então, chegamos à falta de originalidade do artigo: mensalão, petrolão. Que escândalo! Quanta corrupção, meu Deus! Tudo isso é muito ético, mas quando vem da boca de criminosos, deve-se desconfiar. Quer dizer que nunca houve corrupção no país? Basta dizer que esse último campo do pré-sal que foi entregue ao capital estrangeiro vale muito mais do que todo o mensalão e petrolão juntos.

Quanto ao mensalão, é preciso que se diga, inaugurou no Brasil não uma forma nova de se combater a corrupção, mas ressuscitou-se uma forma antiga de se oprimir a população. O famigerado “domínio do fato” de Joaquim Barbosa, argumento ilícito para colocar José Dirceu na cadeia é a maior aberração jurídica dos últimos tempos. Acaba com a necessidade da prova. É quase a volta da frenologia no terreno jurídico. A pessoa pode ser condenada com base em suspeitas.

Depois, veio o petrolão. Não veio para combater a corrupção, mas para combater o PT. Veio para tirar do poder o chefe de Estado, a presidenta da República, eleita legitimamente. É igual ao regime militar, em que o eleito nem sempre assumia. É a volta do lacerdismo: “se eleito não assume; se assumir, será derrubado.”

No entanto, a maior aberração presente no artigo é relacionar as manifestações de 2013 com a queda do PT. As manifestações de 2013 começaram, como todo o mundo sabe, em São Paulo, motivadas pelo aumento nas passagens de ônibus. O povo da capital já estava cheio da carência de transportes, da promessa de um transporte público de qualidade que nunca se efetiva, da morosidade das obras do metrô, etc. A gota d’água foi o aumento das passagens. Por que pagar mais caro por um transporte tão precário?

Eram manifestações pacíficas e pequenas que adquiriram uma dimensão gigantesca apenas porque a polícia militar de São Paulo (comandada pelo PSDB) agiu com truculência para impedi-las. Foi a reação à truculência que determinou o tamanho das manifestações. Depois, a imprensa entendeu que desqualificar essas manifestações era dar um erro estratégico e passou a defendê-las, mas com uma pauta própria. Em seguida, voltou a combatê-las, mas com outra tática, a de introduzir vândalos, contratados pelo PSDB (como ficou revelado por depoimentos), para depredar bancos e patrimônios públicos (embora não devamos condenar as manifestações espontâneas contra os bancos).

Mas o famigerado “historiador” continua com suas farpas enferrujadas. Afirma ele que Dilma Rousseff será deposta em clima de tranquilidade. As manifestações contra o golpe (a que ele chama de impeachment) são pífias, segundo ele. Mas são pífias porque as organizações sociais (CUT, MST, MTST) não contam mais com “as benesses estatais”. Talvez ele devesse dizer: as manifestações da direita foram fortes porque contaram com as benesses estatais (de São Paulo, por exemplo) e com o dinheiro da FIESP e do imperialismo.

E o artigo termina com os vaticínios de sempre: Ricardo Lewandowski (tratado pelo articulista como amigo de Lula, por ser de São Bernardo) julgará o impeachment e colocará fim ao governo de Dilma e Lula na cadeia. E o PT deve ter o seu registro caçado.

Como se vê, o artigo é claramente fascista. Em primeiro lugar, escolhe apenas os argumentos acusatórios. Em segundo, é radicalmente moralista. Em terceiro fala de corrupção nos mesmos moldes que os fascistas falavam, omitindo a corrupção da direita e fundamentando-a apenas do objeto de seu ataque. Em quarto, é extremamente parcial. Em quinto, é, também, ameaçadora, procurando intimidar um juiz da suprema corte.

Em suma, o que Marco Villa quer é o fim de um partido que, de certa forma, pensou um pouco no povo, para dar lugar a um partido que sempre foi inimigo do povo. Na verdade, não se trata do fim de um projeto criminoso, mas do prelúdio de um projeto criminoso contra a população e sem precedentes na história do Brasil. Marco Antonio Villa debocha na nossa cara.

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12 Comentários

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