Andes: para que serve o “Fora Temer”?

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Antonio Eduardo Alves de Oliveira

Nos dias 6 e 7 de agosto, aconteceu a reunião do Setor das Instituições Federais de Ensino do Andes-SN, que discutiu a conjuntura política e as ações contra o Projeto de Lei Complementar (PLP) 257/2016 e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/16, que, entre outras medidas, ataca duramente os direitos dos servidores públicos, congelando salários e retirando recursos em educação e saúde.

Antes da reunião do setor, foi realizada no dia 5 (sexta-feira) uma importante reunião conjunta do GTS (grupos de trabalho) do Andes e dos sindicatos que integram o setor das IFES do Andes. O tema central foram os ataques do governo Temer aos trabalhadores, ao desenvolvimento científico e ao ensino superior. Discutiu-se a lei da mordaça nas escolas com o projeto da “Escola sem Partido”, a situação do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT), bem como o marco regulamentário da Lei de Inovação e tecnologia, entre outras medidas que impactam negativamente na autonomia científica, na carreira docente e na própria existência do caráter público das universidades e instituições de ensino superior.

A necessidade da construção da unidade do movimento docente e do fomento de uma agenda nacional de mobilização em defesa da educação e contra os ataques promovidos pelo governo Temer foi a principal conclusão do evento.

A unidade proposta pela diretoria: nenhuma luta contra o golpe

Entretanto, quando da discussão no setor nos dias seguintes, sobre a atualização da conjuntura política e mais ainda quando na votação dos encaminhamentos, ficou evidente que a diretoria do Andes não apenas não apresenta efetivamente nenhuma proposta de unidade para enfrentar os duros ataques do governo golpista, como continua com a sua política de paralisia e de encobrimento do golpe.

Durante o debate no setor das federais, os posicionamentos apresentados eram não somente os mesmos (PT= direita; o governo Temer é continuador de Dilma, que os “governistas” (agora ex) são principais adversários etc, como procurou tratar o golpe como coisa consumada, pois “esse debate sobre golpe é coisa do passado”.

A unidade oferecida magnanimamente pela esquerda pequeno-burguesa (Psol, PCB, PSTU e o sua racha) ao movimento docente e ao conjunto dos trabalhadores simplesmente se reduz a não fazer nada contra o golpe, em nome da “unidade” devemos levantar um “Fora Temer”, que, na verdade, é uma legitimação do golpe, pois aceita o próprio golpe que levou ao governo Temer como fato consumado e continua insistindo que não existe golpe algum, quando até mesmo os golpistas têm dificuldades em esconder.

O leitor de boa fé poderia indagar, por que não aceitar a mão estendida e fazer uma unitária mobilização simplesmente pelo “Fora Temer”? Afinal, não seria um ponto comum de todos os “lutadores”, um denominador comum, etc, etc a palavra de ordem “Fora Temer”, sem colocar mais nada. Fora Temer (e … nada mais, apenas ponto final).

Assim, quem quer o “volta Dilma”, e quem quer “novas eleições”, ou qualquer outra coisa poderia participar do movimento conjunto em nome da luta unitária contra Temer (golpista ou não, a depender do “manifestante”). A proposta abstrata gera confusão, pois esconde o verdadeiro sentido do governo Temer e do significado do golpe para a realização de ataques em todas as linhas contra os direitos dos trabalhadores e do povo em conjunto.

A negativa da diretoria do Andes em reconhecer que o governo Temer é fruto de um golpe significa que ela faz unidade com os golpistas?

Uma primeira questão a ser salientada é a total falta de concretude na avaliação política por parte dos grupos que dirigem o Andes, pois simplesmente erram completamente ao fazer análise da conjuntura e traçar a política do sindicato diante da crise política. E mesmo diante de todas as evidências e do completo erro em apresentar um prognóstico político minimamente coerente, a velha e a “nova” diretoria continuam caninamente seguindo o sectarismo do fracassado PSTU (dividido em mil pedaços).

Durante toda a crise, o grupão da esquerda pequeno burguesa que controla o sindicato nacional sempre negou a menor possibilidade da derrubada do governo Dilma. Mesmo depois da abertura formal do processo de impeachment, a diretoria do Andes e toda a intelectualidade da esquerda acadêmica afirmavam que o governo não cairia, uma vez que a direita e o PT eram “a mesma coisa”, e que os capitalistas estavam totalmente satisfeitos com o governo, e que o impeachment, e mais ainda, um golpe era tão somente uma “narrativa” inventada pelos “governistas”.

Agora, após o afastamento da presidenta Dilma pelo Senado, um truque muito usado pela esquerda pequeno burguesa é aproveitar a própria capitulação dos partidos da frente popular em relação ao golpe, como o PCdoB e setores do PT e o declínio momentâneo do movimento “Não vai ter golpe” como álibis convenientes para afirmar que não existe golpe, e que agora precisamos nos concentrar apenas na pauta dos direitos e outras coisas.

Neste sentido, independente do resultado da balança da correlação de forças entre os golpistas e o movimento anti-golpe, e até mesmo do papel negativo de capitulação que setores que outrora lutaram no movimento “Não vai ter Golpe”, é preciso, para enfrentar o governo Temer, em primeiro lugar uma caracterização política adequada e correta.

O ilusionismo chamado “Fora Temer” aprovado no Conad?

Até mesmo a resolução abstrata de um “Fora Temer”, que não se posiciona sobre o golpe e mais ainda se recusa a lutar contra o impeachment, aprovado no 61º Conad pelo grupo dirigente do Andes (a diretoria do Andes e seus apoiadores nas sindicais) se recusam a implementar.

Vamos tentar discutir essas e outras questões postas pela prática farsante da esquerda pequeno burguesa, que nada mais é do que expressão de uma capitulação política diante da direita reacionária no momento do golpe de Estado.

Uma questão fica em aberto, independente das manobras: a completa falência de um grupo político, que não é somente a diretoria do Andes (como eles e elas reclamaram corretamente na reunião do setor), mas representa o colapso da política da esmagadora maioria das Ads (seções locais) que com diferenças pontuais adotam a mesma política de apoio à direita da esquerda pequeno burguesa da CSP/Conlutas.

Na reunião, havia uma queixa de que a oposição precisaria “saber perder”, pois o 61º Conad havia aprovado que não existe golpe, e aprovou que o Andes não devia “lutar contra o impeachment”.

A aprovação dessa política golpista gerou uma profunda indignação na base, que se expressa no descontentamento em diversas seções sindicais, em alguns lugares abaixo assinados e cartas públicas para realização de assembleias para discutir a posição do Andes, chegando ao extremo de propostas de desfiliação do Andes como na assembleia da UFPI (voltarei a este tema em outra oportunidade).

No balanço da conjuntura foi feita a polêmica, mas na hora dos encaminhamentos ficou evidente a serventia do “Fora Temer” como ilusão do contorcionismo da esquerda pequeno burguesa.

Primeiramente, notou-se que a diretoria do Andes corretamente mandou fazer diversos adesivos, contra o PL 257, contra a escola sem mordaça, entretanto a mesma ‘esqueceu” de fazer sobre o Fora Temer, não fez faixas e nem um panfleto nacional. Isso é um sinal, mas vamos ser condescendentes, afinal se errar é humano, “esquecer” é mais ainda.

O mais importante foi discutido no ponto 5 (Encaminhamentos). No tópico ações de mobilizações, e mais precisamente no item 4 “Criação de comissões de mobilização nas IFE com vistas a mobilização da categoria para os enfrentamentos contra a PEC 241, PLP 257, Escola sem Mordaça, contrarreforma da previdência e trabalhista.” (RELATÓRIO DA REUNIÃO DO SETOR DAS IFES 6/7 de agosto, p.6).

A proposta de inclusão do “Fora Temer” como uma ação de mobilização foi recusada pelo setor, a partir da recusa do grupo formada pela diretoria do Andes e seus representantes nas seções sindicais. Essa rejeição demostra de maneira cabal que o “Fora Temer” é uma proposta de unidade apenas para não ter luta efetiva, e a própria diretoria do Andes, ou melhor, o Grupão oportunista da esquerda pequeno burguesa “não sabe ganhar”, pois nem mesmo a proposta abstrata e limitada aprovada no 61º Conad não foi implementada.

Antes do 61º Conad, na reunião setor das IFES do Andes, nada poderia ser realmente discutido e nenhuma proposta sobre a conjuntura poderia ser aprovada, pois era preciso esperar a instância superior. Agora, o setor não pode implementar uma luta contra os ataques do governo Temer e nem usar os limites do que foi aprovado no Conad.

O movimento docente deve buscar a unidade para enfrentar o golpe da direita e seus ataques aos nossos direitos, buscando, inclusive, ações conjuntas no interior do Andes. Para isso é preciso dizer de maneira direta: é preciso construir uma nova direção que rompa com a política capituladora da esquerda pequeno burguesa (PCB, PSOL, PSTU e seu racha) que controla o sindicato nacional.

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