O Estadão e a falácia das ruas esvaziadas

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No último dia 17, o Estadão publicou uma matéria com o título “Apesar da promessa de manifestações, ruas ficam esvaziadas”. O texto, que é tratado como se fosse uma mera informação ao público leitor, é, na verdade, uma prática de desinformação proposital, uma vez que apresenta uma leitura rasa e interessada de alguns dados referentes à agitação das ruas.

Logo em seu primeiro parágrafo, a matéria coloca duas frases que demonstram uma completa incompatibilidade com a realidade. A primeira delas é: “tudo parece ter voltado à velha normalidade”, mostrando que o Estadão acha que a população estaria apática em relação ao golpe. A segunda, na verdade, é uma pergunta com um tom irônico: “Não haveria resistência contra aquilo que foi chamado de golpe?”, o que reafirma essa opinião de que não há interesse popular em combater o governo interino.

Em primeiro lugar, insinuar que vivemos um clima de normalidade não só é sinal de equívoco, mas também de grande canalhice. O golpe foi denunciado intensivamente antes de acontecer, o que, naturalmente, já coloca um quantitativo de pessoas que viriam a se posicionar após a posse interina de Temer. Contudo, as próprias medidas impopulares serviram para que muitas pessoas enfim entendessem a natureza do golpe, de modo que o debate sobre os malefícios do governo interino está cotidianamente presente na vida da população e, consequentemente, se concretiza em manifestações, ocupações, escrachos e pichações que ocorrem todo dia. Dessa forma, torna-se igualmente patético a ilação de que não há uma resistência.

Ao contrário do que quer fazer crer a impressa golpista, há uma enorme tendência à mobilizações que se expressa nesses pequenos atos quase diários, mas que ao mesmo tempo está represada em grande medida pela confusão em que caiu os principais grupos que fazem parte do movimento contra o golpe. A eleição do golpista Rodrigo Maia revelou essa confusão e até mesmo o boicote de setores do movimento à luta contra o golpe, por parte dos que querem trocar a luta contra o golpe pela proposta de “eleições gerais” e plebiscito.

A direita golpista tenta reforçar a ideia de que não há uma mobilização para tentar forçar um clima de depressão no movimento. É preciso, no entanto, superar as confusões e sair às ruas para derrubar a direita golpista.

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