Não basta “bandido morto”, juiz progressista morto também é bom para direita golpista

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O jornal golpista O Estado de S. Paulo publicou uma vil e criminosa acusação, sem nenhuma base, contra um Juiz garantista do Amazonas, que é colunista do Jornal Causa Operária, o que de fato são motivos para persegui-lo. A acusação aparece logo após ocorrer uma rebelião no presídio de Manaus, que deixou cerca de 60 mortos e na qual o juiz conseguiu salvar a vida dofuncionários do presídio.

A direita golpista persegue um juiz democrático, cujo “crime” é defender a legalidade, os direitos democráticos, as garantias legais, ter tido um gesto humano e corajosa para salvar vidas e, sobretudo, por colocar-se contra o golpe e os golpistas.

Luis Carlos Honório Valois, que é juiz da Vara de Execuções Penais do Amazonas, foi chamado pelo Secretário de Segurança do Estado para atuar como um dos mediadores nas negociações com os presos para liberação de reféns. Mesmo em período de recesso o Juiz se dispôs a tentar salvar vidas, o que de fato conseguiu. Valois negociou com os presos durante toda a noite a soltura de 10 funcionários feitos reféns, que no começo da manhã estavam todos a salvo.

Após 12 horas de negociações, um jornalista do jornal golpista o entrevistou, Valois mesmo cansado concedeu a entrevista, horas depois saiu a matéria, absurda, criminosa, vil e que coloca a a vida do juiz em risco. O título da matéria é  “Juiz chamado por presos para negociar é suspeito de ligação com facção do Amazonas”, na qual não consta uma linha da entrevista concedida por Valois.

A matéria colocou a vida do juiz em risco ao estabelecer criminosamente uma ligação do juiz com uma facção criminosa, o que gerou ameaças de outras facções ao juiz. O jornal golpista ainda “desenterrou” uma ação da golpista PF, outra perseguição política da direita contra o juiz, tentando vincula-la ao fato de ele ter atuado na mediação com os presos para garantir a soltura de reféns. O juiz se destaca por sua atuação de defesa dos direitos e garantias constitucionais, dos direitos e garantias da população carcerária, por sua crítica à politica de guerra às drogas e certamente estes são outros motivos da perseguição política da direita golpista ao magistrado.

O fato é que, deturpando completamente o gesto do juiz que se dispôs a salvar vidas, estão perseguindo a ala legalista e democrática do judiciário. Luis Carlos Valois está sendo perseguido pela direita golpista, pelos fascistas, pela burguesia por ser democrático e por atuar para garantir os direitos fundamentais da população, sobretudo da população mais pobre.

Trata-se de uma perseguição política contra um elemento democrático. A direita golpista está disposta a tudo, inclusive provocar o assassinato daqueles que atuam contra as arbitrariedades e os crimes do regime político dominado pelos golpistas, como é o caso de Luis Carlos Valois. Para a direita golpista Juiz bom é o capacho da burguesia, o golpista, carrasco da população pobre e negra, os juízes que atuam na garantia dos direitos democráticos devem ser perseguidos e mesmo eliminados.

É necessário denunciar a calhordice e a vilania da direita golpista e de sua campanha contra Valois e defender Luis Carlos Valois contra a perseguição da direita golpista.

Leia a publicação de Luis Carlos Valois em sua conta pessoas no Facebook sobre a campanha vil da imprensa golpista:

“Sobre a covardia do Estadão. Ontem, depois de passar doze horas na rebelião mais sangrenta da história do Brasil, um repórter, dito correspondente desse jornal me liga. Eu digo que estou cansado, sem dormir a noite toda, mas paro para atende-lo por vinte minutos. Algumas horas depois sai a matéria: “Juiz chamado para negociar rebelião é suspeito de ligação com facção no Amazonas”. O Estadão é grande, eu sou pequeno, um simples funcionário público do norte do país. Eles não publicaram nada do que falei, nem, primeiramente, o fato de que eu não era o único a negociar a rebelião. Desenterraram uma investigação contra mim da Polícia Federal em que esta escuta advogados falando o meu nome para presos, sem qualquer prova de conduta minha. Detalhe, todos os presos das escutas estão presos, nunca soltei ninguém. Mas insinuaram que isso tinha algo a ver com o fato de eu ter ido falar com os presos na rebelião, que sequer eram os mesmos da escuta. Fui porque tinha reféns. Estamos no recesso, eu não estou no plantão, fui porque havia reféns, dez reféns, mas isso eles não falaram também. Fui chamado pelo próprio Secretario de Segurança do Amazonas que, não por coincidência, é um dos delegados da Polícia Federal mais respeitados do Estado. Ele, o delegado, veio me buscar em casa, me cedeu um colete a prova de balas, e fomos para a penitenciária. O secretário de administração penitenciária, egresso igualmente da PF também estava lá aguardando. Tudo que fiz, negociei e ajudei a salvar dez funcionários do Estado, reféns dos presos, fiz sob orientação dos policiais. Tudo isso falei para o tal Estadão, mas foi indiferente para eles. Agora recebo ameaças de morte da suposta outra facção, por causa da matéria covardemente escrita, sem sequer citar o que falei. Covardes. Estadão covarde, para quem não basta “bandido morto”, juiz morto também é indiferente”.

Valois também comentou sobre sua atuação na mediação, que salvou a vida de dez pessoas:

“Resumo do que presenciei: A rebelião começou de tarde, mas eu só soube de noite. Por volta de 22 hs me ligaram da Secretaria de Segurança pedindo minha presença. Vieram me buscar. Chegando lá os presos tinha tomado todo o regime fechado e o semiaberto. Tinham feito um buraco e passavam de um lado para o outro. A polícia tinha cercado o local. A informação era de 6 corpos. Falei com o preso que negociava pelo rádio e disse que falaria com ele pessoalmente. A polícia fez os preparativos de segurança. Dois presos vieram, pedindo apenas que nos comprometêssemos a não fazer transferências, a manter a integridade física e o direito de visitas. Eu disse que iria conversar com os responsáveis pela segurança, mas que só faria isso se eles soltassem três reféns. Eles soltaram. Pedi que eles saíssem do regime semiaberto. Eles saíram. A polícia tomou o semiaberto, bloqueou a passagem. Depois os presos disseram que só iriam entregar os outros reféns às 7 da manhã. Esperou-se. Voltei, falei com o preso de antes, levei um documento dizendo que as autoridades estavam de acordo. Eles entregaram os demais sete reféns funcionários, sem ferimentos. Alguns reféns presos feridos saíram de ambulância. Vi muitos corpos, parecendo que morreram entre 50 a 60 presos (pessoas), mas difícil afirmar, pois muitos estavam esquartejados. Quando a polícia entrou no Complexo, voltei para casa. Nunca vi nada igual na minha vida, aqueles corpos, o sangue… fiquem com Deus!”.

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