Moro, um ditador

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Diante dos advogados de defesa de Lula, nas audiências de inquirição das testemunhas, Moro despiu-se da toga e passou a se portar como um inquisidor, esperando o momento oportuno para desferir um ataque.

Ele também interferiu no curso da audiência constrangendo as testemunhas quando os advogados de Lula fizeram perguntas sobre os inquéritos contra a Petrobras que tramitam nos Estados Unidos. Os vídeos abaixo retratam esses momentos.

Moro chegou a levantar a voz e a permitir que uma testemunha xingasse os advogados e o acusado extrapolando de vez todos os limites que separam o comportamento de um juiz do comportamento de um membro do Ministério Público e até mesmo o comportamento de alguém submetido ao código da magistratura.

Convém, contudo, interpretar os “chiliques” cada vez mais frequentes do juiz como consequência do descontrole evidente dos golpistas do judiciário, que vem avançando progressivamente conforme as contradições dentro do bloco golpista aumentam.

Um agente do imperialismo

Correram o mundo as imagens de Mervut Mert Altintas, o assassino do embaixador russo Andrei Karlov, na última semana. Impressionante a semelhança entre o semblante, a dissimulação, a postura e o tipo de traje, além da forma de se conduzir em um momento crítico (após um assassinato cometido friamente) que evidencia um certo tipo de treinamento a que são submetidos agentes dessa espécie.

As semelhanças com outros agentes semelhantes envolvidos em outros incidentes não cessam aí. Freisler, juiz responsável pelas condenações políticas no tribunal nazista, era tributário da “corrente jurídica que permite a humilhação pública do réu durante o processo”. É possível comparar as imagens de Roland Freisler, a frieza no olhar, o tom de voz e a tranquilidade diante da conduta mais aberrante (dos homens responsáveis por execuções em massa, bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, bombardeio de hospitais e escolas, dentre outros crimes de guerra) que só pode ser alcançada por aqueles que praticam a obediência cega e a disciplina rigorosa das doutrinas militares. Paralelo importante para desnudar os aspectos psicológicos e sociais de indivíduos com inclinações semelhantes.

Uma ressalva deve ser feita: toca aos admiradores da conduta “asséptica”, “limpinha”, “guardiã da moral e dos bons costumes”, “acima do bem e do mal” a justificativa necessária para impor, acima de qualquer racionalidade, os slogans e as figuras dos salvadores da pátria, dos homens fortes e dos governos de “salvação nacional”. A conduta ditatorial dos membros da força-tarefa na condução desse processo combinada ao papel desempenhado até agora pelo juiz-inquisidor é tributária dos caminhos que o fascismo percorre.

Não denunciar o significado de tudo isso é o maior erro da esquerda iludida com “eleições diretas” em meio a um golpe de Estado. A confusão da esquerda, buscando a saída nas eleições antecipadas, não denunciando o significado da operação golpista e da desfaçatez promovida pela revogação das garantias individuais é um erro fatal. Abre mais ainda o espaço para soluções de “salvação nacional” traduzidas pelo fascismo das 10 medidas contra a corrupção e dos mitos criados em torno desse movimento de “assepsia”: o juiz ditador.

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