Encontro das ocupações: Unificar e lutar contra o golpe

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Os estudantes que participam do movimento de ocupações de escolas e universidades contra medidas do governo golpista realizarão, quando da votação da PEC 55 no Senado, dia 29 de novembro, um encontro geral das ocupações, na Universidade de Brasília, que também esta ocupada.

Impulsionado pela UNE (União Nacional dos Estudantes), os estudantes pretendem fazer uma caravana até o Senado Federal com representantes de todas as ocupações.

O centro da discussão será a PEC 55, segundo o estudante e diretor UNE da Iago Montalvão: “Vamos trocar experiências, nos organizar e construir uma caravana que vai chamar a atenção da sociedade ainda mais e mostrar para o Senado e para o governo que os estudantes sabem exatamente o que querem, não queremos essa PEC que pode prejudicar nosso futuro”, destacou o diretor da UNE.

Logicamente, o movimento das ocupações é legítimo, combativo e importante; no entanto, é necessário superar tanto a ilusão nas instituições da “democracia” no Brasil quanto a política de lutas parciais, que de maneira alguma resultam em vitória, e se colocar contra o governo golpista.

A ilusão na democracia impede que o movimento se desenvolva de maneira mais ampla e consequente, pois joga o movimento para uma política de mera pressão sob os parlamentares e as instituições do regime, sob a base de uma determinada legislação. Pior ainda, acaba canalizando todo o movimento para a disputa nas eleições controladas pelos golpistas e até mesmo compromete setores da esquerda com um autêntico vale-tudo eleitoral, como se viu em outubro passado, no caso das alianças com o PSDB, DEM e outros partidos golpistas, realizadas pelo PCdoB, PT e PSOL e no apoio recebido pelo candidato do PSOL por setores da direita pró-imperialista como a imprensa golpista (Veja, Globo, Folha etc.).

No entanto, a democracia nunca existiu de fato no país. O ordenamento jurídico é apenas aparente, o regime político brasileiro sempre foi arbitrário e antidemocrático; portanto, depositar fé nas leis e nas instituições é ingenuidade. Obviamente, é possível fazer pressão sobre determinada instituição como eixo de uma campanha, mas é necessário saber o limite disso.

O país vive sob um golpe de Estado, o que agrava ainda mais o grau de arbitrariedade das instituições contra a população. O golpe modificou o próprio regime político, que caminha a passos largos para uma ditadura. Uma vez que as principais instituições da república tiveram participação ativa no golpe de Estado, a política de pressão sobre os golpistas no Senado ou no Judiciário não resultará em nada. O golpe preparado pelo imperialismo é para travar uma verdadeira guerra conta a população.

Por outro lado, a política de lutas parciais não pode surtir efeito porque divide a população em inúmeros setores lutando por suas reivindicações particulares contra os ataques do governo golpista, o que enfraquece a todos e impede a derrota dos golpistas, além de jogar o movimento para uma eterna defensiva.

Nesse sentido, o eixo fundamental de toda a luta deve ser não apenas essa ou aquela medida, porque são muitas, mas contra aqueles que as impõem, ou seja, os golpistas. O movimento das ocupações deve superar esta fase da luta e evoluir para uma luta política contra os golpistas que usurparam o poder para massacrar a povo, e o eixo dessa atuação deve ser lutar contra o golpe e os golpistas.

 

 

 

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