Eleição de Rodrigo Maia: a posição do PCdoB

Compartilhar:

O “fora Cunha” e a defesa de “novas eleições” se transformaram em armadilha que conduziu o DEM à linha de sucessão da presidência da República

Há na esquerda quem diga que, embora Maia seja do DEM, há algo positivo em sua eleição: a dissolução do “centrão”. Ao mesmo tempo faz uma análise de que com Maia a “direita completa o ciclo do assalto ao poder”. Essa foi a conclusão do PCdoB, o mesmo que deu colaboração definitiva para a vitória de Maia, acordando com sua candidatura e lançando Orlando Silva que concorreu no primeiro turno.

Essa posição do PCdoB e de parte do PT vinha sendo expressa já na substituição da luta contra o golpe pela palavra de ordem de “novas eleições”, defendida por esses mesmos elementos, incluindo também o PDT.

 

PCdoB semeia ilusões e oculta os golpistas

“O chamado ‘centrão’ costurado através das artimanhas de Eduardo Cunha, mergulhou a Câmara dos Deputados em um período de sombras, não só pelas pautas regressistas e obscurantistas que sustentou, mas também pelas práticas antidemocráticas que inviabilizaram o parlamento como um espaço de disputa política”. Com isso, o PCdoB criou o mito de que o “centrão” era o “mal maior” e precisava ser derrotado, mesmo que para isso fosse necessário votar no candidato PSDB-DEM. Essa conclusão fez o PCdoB lançar Orlando Silva inviabilizando outros candidatos.

Foi assim que no segundo turno “surgiu a possibilidade de impor a derrota definitiva a Cunha e ao Centrão e as forças mais consequentes corretamente a aproveitaram”; votaram em Rodrigo Maia.

Com isso não denunciam o golpe, como afirmam em artigos em seu portal, o Vermelho. Na verdade, ocultam os golpistas. Pois Maia reforça o governo golpista como PSDB-DEM, ou seja a ala mais direitista dos golpistas. Assim como o próprio PCdoB representava a ala mais direitista dos que se colocavam contra o golpe.

A vitória de Maia representa o avanço do golpe de Estado. Mas a depressão que tende a abater a esquerda não ajuda em nada. É essa depressão e a falta de confiança na possibilidade de vitória dos trabalhadores que reforça a política capituladora e entreguista dessa esquerda.

O golpe não pode ser enfrentado dentro do Parlamento. Assim como não pode ser derrotado através de eleições. Estes são terreno da burguesia.

Aos trabalhadores e aos partidos de esquerda, suas organizações resta a mobilização permanente. O regime está se dissolvendo e os trabalhadores precisam intervir nesse processo.

Os partidos da esquerda, os sindicatos, as entidades estudantis, populares, sem-terra etc. devem manter-se em estado de mobilização permanente, não deixar que a vacilação e capitulação das direções alimentem ilusões em saídas institucionais, como as eleições e acabem com o movimento de rua, única verdadeira saída para os trabalhadores barrarem o golpe de Estado.

artigo Anterior

Turquia: burguesia acusa a vítima

Próximo artigo

Golpistas querem favorecer empresas dentro do CGI

Leia mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.