Crise na Venezuela: direita intensifica ataques golpistas

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Aproveitando-se da crise econômica que atinge a Venezuela, a direita golpista intensifica os esforços para tentar derrubar o  governo do presidente Nicolás Maduro, eleito em 2013 após a morte de Hugo Chávez. Quarta-feira (18) a direita convocou protestos em todo o País, mobilizando setores de classe média em torno da questão do referendo revogatório. Até mortos assinaram o as planilhas que a direita pretende apresentar ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para convocar o referendo. Os golpistas alegam que os prazos do governo para levar o referendo adiante seriam uma tentativa deliberada de adiar o processo.

Embora pequenos, os protestos foram violentos. O líder dos deputados chavistas na Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, denunciou que capangas foram contratados pessoalmente pelo chefe da segurança pessoal de Henry Ramos Allup, líder parlamentar da direita golpista. Ángel Coromoto Rodríguez contratou capangas pessoalmente para enfrentar a polícia na Avenida Libertador, em Caracas. As agressões foram registradas em vídeo (clique aqui para assistir).

Na imprensa capitalista internacional, que á parte do golpe, a história é vendida como uma revolta generalizada contra o governo devido às dificuldades econômicas do País. Na verdade, no entanto, em todo o País os protestos somam poucos milhares de pessoas. Os confrontos com a polícia são apresentados como repressão perpetrada pelo governo, mas é a oposição de direita que alimenta a violência.

Desde que assumiu a maioria dos lugares na Assembleia Nacional, em janeiro, a direita transformou a casa em uma base golpista em sua tentativa para tomar o poder. Duas grandes ofensivas golpistas foram lançadas pela direita venezuelana antes. Em 2002, um golpe fracassado foi derrotado nas ruas pela população de Caracas, que obrigou os golpistas a recuarem e reconduzirem o então presidente Hugo Chávez ao seu posto. Em 2014, protestos violentos, que deixaram 43 mortos, foram organizados pela direita para tentar derrubar Maduro logo depois de eleito.

Na terça-feira (17), o presidente Maduro declarou para jornalistas estrangeiros que logo a Assembleia Nacional “sumirá”, devido aos seus repetidos confrontos com o Judiciário. Sem ter conseguido cooptar ou chantagear o Judiciário para seus propósitos golpistas, pelo menos por enquanto, a direita tenta passar por cima das decisões judiciais em suas manobras parlamentares.

Enquanto a economia da Venezuela sofre com a queda do preço do barril de petróleo e com uma forte seca que assola o País, a direita promove também uma guerra econômica para derrubar o governo. Diante desse embate, Maduro decretou uma lei pela qual fábricas paralisadas pelos patrões poderão ser expropriadas. Mais uma medida para tentar evitar o sucesso do golpe de direita. O golpe em curso na Venezuela é parte de uma política do imperialismo para toda a região.

Diante do aprofundamento da crise capitalista, o plano é fazer com que os trabalhadores paguem pela crise. Para isso, é necessário a mudança dos regimes políticos, com a retirada de direitos democráticos e a repressão contra a classe trabalhadora. Por isso a necessidade de substituir os governos nacionalistas burgueses por governos entreguistas capachos do imperialismo.

 

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