Chacina no Amazonas: não são as gangues, mas o inferno do sistema prisional

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Toda a imprensa burguesa, inclusive órgãos internacionais, noticia o massacre ocorrido nos últimos dias no Amazonas como uma consequência da briga de gangues pelo domínio do tráfico de drogas no Brasil, ignorando a dura realidade do sistema prisional brasileiro.

No Complexo Penitenciário Anísio Jobim, 16 horas de rebelião, que começou na tarde de domingo (1º), resultaram em 56 mortes. Treze funcionários e outros 70 detentos foram feitos reféns e liberados com vida. Alguns tinham ferimentos. Nessa segunda-feira, quatro detentos foram mortos na Unidade Prisional Puraquequara, que fica a cerca de 25 Km do local do primeiro massacre. Além disso, houve fuga de centenas de presos no estado.

“Quando cheguei, já estavam todos mortos. Eles mesmos tiraram os corpos de dentro da penitenciária, antes de entregarem os reféns. Tinha um contêiner cheio de braços e pernas. Um horror”, afirmou o juiz Luiz Carlos Valois, que acompanhou as negociações com os presos e também denunciou a superlotação do local. Segundo ele, em celas para 5 presos, havia mais de 30.

Seguindo o lema de que “bandido bom é bandido morto”, o Estado permite que situações como estas sejam criadas, seja lá qual for a razão usada pelos presos para tais mortes. “O Estado se limita a cercar e manter os presos lá dentro, mas não tem controle nenhum interno”,  afirma o analista criminal e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Guaracy Mingardi.

A explicação que dão para o caso é de que presos ligados à gangue Família do Norte, que teria alianças com o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, fez a rebelião para ter acesso aos presos ligados ao Primeiro Comando da Capital, de São Paulo, que estavam em ala separada para presos sob ameaça de morte. Neste sentido, a crise seria fruto de uma disputa territorial. Notícias sobre esta disputa surgem desde meados do ano passado, mas nada tem sido feito para evitar os enfrentamentos dentro dos presídios.

Diante de tamanha atrocidade, não são os presos que devem ser denunciados, que já são vítimas de um sistema carcerário terrível, mas sim este próprio sistema, que nunca serviu para impedir qualquer crime ou conter o crescimento da criminalidade. É preciso exigir a redução das penas e a criação de penas alternativas ao encarceramento para acabar com a superlotação e evitar massacres como este.

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