Lula 2018 e a frente popular em que as classes não querem cooperar

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Lula visita ocupação do MTST em São Bernardo do Campo 1

Muito se tem falado sobre as alianças com os velhos partidos burgueses, principalmente o PMDB, que o PT e mesmo Lula teriam buscado para as eleições de 2018.

A direita noticia cada tentativa de acordo feita pelo ex-presidente como uma maneira de desmoralizar a luta contra o golpe. Cinicamente, os jornais golpistas acusam Lula de estar aliado com figuras corruptas e que foram a favor do golpe, como Renan Calheiros e outros políticos da direita.

A esquerda pequeno-burguesa, por seu lado, ataca o PT e Lula como se a política de conciliação fosse uma grande novidade, desconsiderando que esta política foi levada adiante por Lula e o PT desde os primórdios. Essa esquerda, ao criticar Lula pelas alianças, nada faz mais do que fingir que nunca soube de nada, como se toda ela não tivesse apoiado, de uma forma ou de outra, a política de Frente Popular e de colaboração de classes. Uma parte dessa esquerda, inclusive, como é o caso do PSOL, se manteve dentro do PT até pelo menos o primeiro ano de governo Lula, quando a política de conciliação com a burguesia atingiu seu auge e portante seu período mais direitista.

É preciso dizer, antes de qualquer coisa, que a política eleitoral de alianças com a direita levada adiante por Lula, por mais que seja condenável, não pode ser considerada uma novidade, nem uma surpresa. Seria um erro analisar o PT como um partido revolucionário. Não é e nunca foi. O único fator que faz do Partido dos Trabalhadores um fator de desequilíbrio e instabilidade política é sua base social, não seu programa político. A esquerda pequeno-burguesa, que desde os primórdio defendeu a política de colaboração, que apresenta as atuais tentativas de aliança de Lula como uma “traição”, nada mais está fazendo do que uma propaganda eleitoral, tentando tomar o lugar do PT, com fundamentalmente a mesma política eleitoreira. Esse é o caso de todas as potenciais candidaturas que aparecem como de esquerda, desde o direitista Ciro Gomes, até Guilherme Boulos e o PSOL, passando por Manuela D’Ávila, do PCdoB.

Dito isto, qual seria então o ponto que transforma Lula em um fator de instabilidade política para a burguesia? A resposta está na própria base do PT e de Lula.

A frente popular que Lula busca formar nesse momento não tem o apoio do setor fundamental da burguesia, ou seja, do imperialismo. Em 2002, Lula se elegeu em um amplo acordo com a burguesia que via no PT a única forma de conter um movimento operário que estava potencialmente mobilizado. Nesse sentido, mesmo que a contragosto, a burguesia foi obrigada a aceitar que o PT subisse ao governo. Não é o caso de agora.

O golpe mostrou que não há mais possibilidade de acordo. A frente popular que Lula tenta formar nesse momento vai contra a vontade da burguesia. Uma vitória de Lula, ao contrário de 2002, seria um fator incrível de instabilidade política. As eleições de agora são comparáveis às de 1989, quando a burguesia se opôs à vitória de Lula, que seria também naquele momento um fator de desestabilização do regime.

Mas é preciso ressaltar ainda uma diferença importante entre o momento atual e 1989. A eleição de Lula agora seria um fator ainda mais profundo de instabilidade, isso porque naquele momento o movimento operário começava a entrar em um período de refluxo após anos de uma enorme mobilização. Hoje, no entanto, se Lula fosse eleito seria a expressão de um ascenso operário que se inicia. Lula seria a personificação de uma evolução das massas contra a direita golpista. Isso significa que a própria política de conciliação estaria comprometida e muito instável.

Grosso modo, a polarização política deixa claro que nem a classe operária tende a aceitar uma política de colaboração nem o imperialismo está disposto a ceder para tal política. É uma frente popular muito instável devido à base do próprio PT e a burguesia sabe disso.

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