Arábia Saudita e Irã estão em guerra

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Arábia Saudita e Irã estão em guerra

Dois dos principais países do Oriente Médio estão em guerra por influência na região. De um lado, a Arábia Saudita, principal pilar da dominação imperialista da área, e de outro o Irã, que escapou do controle norte-americano com a revolução de 1979. A guerra neste momento não é direta, mas se dá em outros países, particularmente no Iêmen e na Síria. Nos últimos anos, os sauditas assistiram a um avanço dos iranianos em toda a região. Os iranianos se aproveitaram da debilidade do imperialismo depois da ocupação do Iraque, que obrigou os EUA a fazerem um acordo com o Irã para evitar um desastre militar completo.

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A política do principal setor do imperialismo em relação ao Irã é de cautela, acomodação e negociação. A ponto de o governo Obama suspender as sanções econômicas contra o Irã em troca de os iranianos não fabricarem bombas nucleares. Donald Trump, permanentemente ameaçado de golpe e não alinhado à política do principal setor da burguesia imperialista dos EUA, mas a um setor secundário, voltou atrás com a política de acordo com os iranianos.

Sob essa política de acordo, os iranianos aproveitaram para ganhar terreno. Na Síria, o governo de Bachar Al Assad impôs uma derrota ao imperialismo e aos sauditas, com ajuda dos russos e do Hezbollah, milícia xiita libanesa apoiada pelo Irã. No Iêmen, os Houthis, apoiados pelo Irã, derrubaram o governo. Nestes dois países, Arábia Saudita e Irã guerreiam em lados opostos.

O Hezbollah faz parte do governo de coalizão no Líbano. Agora, este governo está sob ataque da Arábia Saudita. O primeiro-ministro do Líbano, Saad Hariri, anunciou sua renúncia no dia 4 de novembro, acusando o Irã de estender suas mãos sobre a região e dizendo temer ser assassinado. Há especulações de que Hariri teria sido sequestrado pelos sauditas – o anúncio da renúncia foi feito em Riade, capital da Arábia Saudita. Sequestrado ou não, Hariri é ligado aos sauditas e sua renúncia pode desestabilizar o país, levando o Líbano de volta à guerra civil. Esse seria um terceiro front dos sauditas contra o Irã.

Essa postura mais agressiva em relação ao Irã é uma das políticas do príncipe da coroa Mohamed bin Salman, que deu um golpe palaciano para garantir seu poder no começo do mês, prendendo ministros e concentrando o poder em suas mãos. Salman também tem um projeto de industrialização do país. Para defender sua política, Salman acabou com décadas de um governo pelo consenso na Arábia Saudita, uma mudança de grandes proporções, que pode levar problemas ao imperialismo em sua principal base de apoio para dominar o Oriente Médio.

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