Universidade sem partido, mas com os partidos da direita

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Universidade sem partido, mas com os partidos da direita

O juiz da 3ª Vara Federal de Florianópolis, Osni Cardoso Filho, concedeu liminar favorável à realização de um curso anticomunismo na Universidade Federal de Santa Catarina, a UFSC. O evento: “Semana Vítimas do Comunismo: 100 anos da maior tragédia do século 20”, havia sido cancelado anteriormente pela direção do Centro Socioeconômico da Universidade Federal, após um estudante entrar com um mandato de segurança contra a realização do debate.

O que chama atenção, no entanto, não é o fato da realização do evento ser garantida pela justiça, algo que é correto, mesmo sendo um debate promovido por um bando de fascistas. A universidade pública deve ser um espaço aberto para a realização de qualquer atividade, evento ou debate. O que chama a atenção é o cinismo da direita e das instituições, como o judiciário, as quais são controladas pelos golpistas. Ao mesmo tempo em que um juiz concede aval para um grupo da extrema-direita realizar um evento contra o comunismo, na Universidade Federal de Ouro Preto, a UFOP, dois professores estão sendo perseguidos por estarem organizando um grupo de debates sobre o marxismo e o comunismo, intitulado “Liga dos Comunistas – Núcleo de Estudos Marxistas”.

Os  professores André Mayer e Marcone J. Sousa  estão sendo acusados de desobedecer a decisão de um juizeco maranhense, que determinou a extinção do Centro de Difusão de Comunismo (CDC) da UFOP ainda em 2013, quando o núcleo abrigava o grupo de pesquisa em questão.

A acusação do juíz é de que o grupo de estudos sobre o marxismo estaria se mantendo com recursos da universidade. A atividade no entanto é gratuita e aberta ao público acadêmico e à comunidade em geral. Mesmo assim, ambos os professores foram intimados a depor na Superintendência da Polícia Federal, em Belo Horizonte, no último dia 29 de outubro, sob a acusação de “crime de desobediência”.

Os dois casos revelam a completa farsa da direita,  a chamada “escola sem partido”. No fundo, o objetivo principal é a perseguição contra a esquerda, a sua militância e ativistas. Como ficou explicitado, a ideologia e as organizações direitistas terão espaço aberto para expor suas ideias, seja em escolas ou universidades, uma vez que  instituições como o judiciário e outras estão sob o controle dos golpistas, ou seja, da própria direita.

A única forma de se opor a essa perseguição aberta é por meio da mobilização dos estudantes, professores e toda a comunidade acadêmica e escolar contra o avanço da direita. É de fundamental importância a organização e o desenvolvimento dos comitês de luta contra o golpe nas universidades e escolas.

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