Rio sob intervenção militar: o caos como desculpa para maior repressão

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No dia seguinte de mais uma chacina no Rio de Janeiro, na qual sete pessoas foram metralhadas em um baile funk em São Gonçalo, a imprensa golpista destaca em massa a morte de um PM durante tiroteio no Morro da Providência. O número de 118 policiais mortos no RJ em 2017, inclusive, é bastante explorado. O problema é que, segundo as estatísticas da própria Secretaria de Segurança do RJ, foram registrados 712 mortos por policiais somente neste ano. Levando em conta que várias ocorrências não são contabilizadas nesta estatística “oficial”, percebemos que a polícia do RJ está em guerra aberta contra a população do estado.

Esse é o resultado prático da intensificação da repressão da polícia e do exército nas regiões mais pobres do Rio de Janeiro, sob o pretexto de “defender” o cidadão contra o crime organizado. Em setembro, as Forças Armadas foram “convidadas” a intervir em algumas favelas do Rio, fazendo uso até mesmo de veículos blindados para os cercos urbanos.

Nas imagens divulgadas das operações militares no Rio, especialmente na Rocinha, é possível perceber como se dá essa “defesa”: brutamontes, com máscaras de caveira e rifles de calibre restrito desfilando pelas vielas das favelas, deixando uma trilha de sangue por onde passam. Se houvesse real preocupação com a segurança do povo, não seria o caso de evitar o uso de armas com balas que são capazes de perfurar qualquer tipo de parede? Só neste ano, são mais de 600 vítimas de bala perdida na região.

Diante desta situação periclitante, os cariocas apelam até mesmo para o uso de um aplicativo para celular intitulado “Onde Tem Tiroteio”, que gera alertas e informes sobre os locais com perigo iminente em tempo real, para tentar “desviar” das ações homicidas das polícias e do exército. E, enquanto a população é forçada a conviver com esse cenário absurdo de repressão, o governo golpista, com o apoio irrestrito da imprensa burguesa, dá aval para intensificação da violência na área.

Diante de tudo isto, é importante salientar que essa contagem absurda de corpos pode se espalhar por todo o Brasil no caso de um golpe militar. Com o plano arrasador dos golpistas de destruição dos direitos e condições básicas de vida do trabalhador, fica cada vez mais claro que estamos prestes a testemunhar explosões de violência por todos os cantos do país.

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