Por que setores da esquerda ignoram a ameaça de golpe militar?

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Declarações recentes da cúpula das Forças Armadas anunciaram a vasta possibilidade de o golpe de Estado, que aprofunda a instabilidade política e econômica no Brasil, desenvolver-se para sua forma militar. Diversos generais foram categóricos em afirmar que a intervenção militar é uma alternativa real à crise das instituições golpistas, ao que, surpreendentemente, a esquerda se mantém de olhos fechados, sem qualquer organização perante a ameaça da direita.

A argumentação dos esquerdistas para não lutar contra o golpe reflete a falta de um programa operário, do que decorre que as análises políticas são feitas de maneira moral e esquemática. Muitos sequer viram o golpe em 2016, que dirá a ameaça militar. Alguns argumentam, por exemplo, que um golpe militar é improvável porque o cenário atual é distinto do que ocasionou o golpe militar de 64 — ou seja, prendem-se em esquemas para analisar o problema político.

Obviamente, as peças que motivaram o golpe de 64 não são idênticas às que compõem o período atual. No entanto, e disso precisam saber os esquemáticos, a crise econômica pela qual passam os países capitalistas em todo o mundo (uma das maiores de toda a história) radicaliza o enfrentamento político entre a burguesia e a classe trabalhadora. Nesse sentido, se um golpe de Estado operado por meio das instituições democráticas não for suficiente para a burguesia descarregar o peso da crise na população, a alternativa militar torna-se  necessária para os capitalistas. Afinal, a direita fará o que tiver que ser feito para a vitória do golpe de Estado.

Apesar das fórmulas mirabolantes da esquerda que fecha os olhos para o golpe, é preciso reforçar a necessidade de organização dos trabalhadores contra a direita golpista. A única saída democrática para os trabalhadores é o enfrentamento contra o desenvolvimento do golpe. Para isso, reiteramos a importante tarefa de organização dos comitês de luta contra o golpe, que materializem a política operária contra o avanço golpista. Não podemos esperar sentados o golpe militar para então acreditarmos na sua viabilidade. As declarações da burguesia apontam fortemente para essa possibilidade. O dever de todo militante de esquerda é centralizar a luta contra o golpe militar, contra a prisão do ex-presidente Lula, e pela anulação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

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