Candidatos da esquerda pequeno-burguesa são impulsionados pela direita

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Candidatos da esquerda pequeno burguesa são impulsionados pela direita

A esquerda está vivendo uma crise devastadora. Ao invés de se preocupar com o golpe de Estado, a ofensiva geral da burguesia para prender Lula, retirar direitos e acirrar seu controle do regime político, vivem no mundo das eleições e da democracia; esta mesmo que sempre foi frágil no Brasil e que os golpistas estão tramando de eliminar os últimos vestígios.

Para a grande maioria da esquerda, o que está em questão é esquecer do golpe de estado e se ocupar com as eleições de 2018, que para eles tem a mesma relevância política que as eleições de 2002. Acreditam que as eleições são um remédio para tudo, e esperam que Lula aja como um profeta e derrote os golpistas com eleições que, diga-se de passagem, nem sabemos se vão acontecer, e como serão realizadas.

Continuando o processo de “virar a página”, que antes era representado pelas “Diretas Já”, hoje sem importância. A esquerda vive no meio de um abismo político total. Entretanto, no meio desses debates, surgiram vários grupos de esquerda lançando pré-candidaturas em nome do combate à “hegemonia do PT” e coisas do tipo. Para o PT, é até compreensível a confusão com relação às eleições, já que têm como representante Lula, a principal liderança popular do País e, provavelmente, o único candidato da esquerda que realmente tenha capacidade de ganhar supostas eleições em 2018, no caso de que o processo fosse realizado em condições de relativa normalidade.

Agora, para a esquerda pequeno-burguesa, que em todas as etapas da luta contra o golpe foram um impasse para o desenvolvimento da mesma, a proposta eleitoral representa apenas oportunismo de político burguês profissional. Parte do PSOL aposta em Guilherme Boulos, enquanto outra ala aponta para Luciana Genro; o PCdoB lança Manuela D’ávila e o PDT, Ciro Gomes. Todos esses que de alguma maneira representaram, ao longo da luta contra o golpe, uma conciliação com os golpistas, trabalhando para eles, criando – inclusive – frentes políticas “alternativas”, dividindo o movimento, fazendo alianças com Rodrigo Maia e assim por diante.

Todavia, essa linha política da esquerda pequeno-burguesa segue o linha ideológica da direita do PT, representada pelos dirigentes da “autocrítica”, do “Muda PT”, que propõe uma política defensiva do principal partido da esquerda em meio a um ataque sem precedentes e perseguição por parte da direita. Para eles, deveria existir uma “esquerda nova”, que não seria nem comunista revolucionária e nem reformista no sentido petista. Na prática propõem uma política reformista com tudo que tem de ruim no reformismo petista, nenhum dos seus lados bons (apoio das organizações operárias, do povo em geral), mas com uma aparência esquerdista.

Nessas condições, os candidatos da esquerda pequeno-burguesa, apresentados como sendo lideranças da”nova política” não passam de candidaturas dos golpistas para confundir a esquerda e semear profundas ilusões nas próprias eleições, são peças no jogo contra Lula, afinal, se existirem três ou quatro candidatos de “esquerda” sendo divulgados pela imprensa golpista, candidatos que não são ameaça aos golpistas, eles irão dividir em alguma medida o voto de Lula.

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