“Todo poder aos Sovietes” – 100 anos da Revolução Russa no Cinusp

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"Todo poder aos Sovietes" - mostra de filmes aos 100 anos da Revolução Russa

Enquanto a direita tenta, com pouco sucesso, promover um debate artificial por meio da exibição de filmes nas universidades brasileiras, como o que ocorreu na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) com o filme de Olavo de Carvalho, “O Jardim das Aflições”, o  CINUSP Paulo Emílio, sala de cinema da Universidade de São Paulo (USP), organizou para o mês de novembro uma mostra especial em comemoração aos 100 anos da Revolução Russa.

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Cena do inédito, “Tempos que sempre estarão conosco” (1965), de S. Aranovich

A mostra pretende por meio de uma seleção muito cuidadosa apresentar um panorama dos principais acontecimentos da mais importante revolução do século XX.

Intitulada “Todo Poder aos Sovietes!”, em clara referência à palavra de ordem que foi disseminada na Rússia no início do século, após a Revolução de 1905, os filmes selecionados, 13 no total, apresentam acontecimentos pré-revolucionários, mas se concentram principalmente no período de 1917 até o final da década de 1920.

Outubro, de Sergei Eisenstein

A mostra que teve início no último dia 6 vai até o dia 17 apresentando clássicos do cinema russo e alguns filmes bastante desconhecidos. Entre os destaques estão “O Encouraçado Pomtekin” e “Outubro” de Sergei Eisenstein,  O Fim de São Petersburgo, de Vsevolod Pudovkin e “A sexta parte do mundo” de Dziga Vertov que retrata a URSS cinco anos após o término da guerra, mostrando a diversidade cultural e econômica de olho para o futuro.

Mas há filmes de outros países como o interessante e pouco conhecido “A Comuna (Paris, 1871), filme francês de Peter Watkins que mescla documentário com ficção em mais de 5h30 de exibição contando os eventos da Comuna de Paris, importante acontecimento que teria sido uma experiência inicial de tomada de poder da classe operária o final do século XIX. Há também o conhecido e aclamado “Reds” , de Warren Beaty, filme roliudiano que conta a vida do escritor John Reed, autor de “Os Dez Dias que Abalaram o Mundo” que estava na Rússia durante a revolução e  documentou os acontecimentos em primeira mão.

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Cena de “Vermelhos e Brancos” (1967), de Miklós Jancso

Na mostra há títulos preciosos pouco conhecidos como “Vermelhos e Brancos”, do húngaro Miklós Jancsó e “A tragédia Otimista” de Samson Samsonov, ambos tratam da Guerra Civil Russa que perdurou de 1918 a 1921.

Há também dois filmes em média-metragem, inéditos no Brasil, que estão na programação e foram traduzidos e legendados especialmente pelo CINUSP para a mostra. “Tempos que sempre estarão conosco”, uma cinebiografia da revolucionária Alexandra Kollontai  e “Documentos de outubro, um documentário com vasto material de arquivo sobre o período das duas revoluções de 1917, a de fevereiro e a de outubro. Em algumas das exibições haverá debates com a platéia.

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Cartaz de divulgação da mostra do Cinusp

Em meio à tentativa da direita de promover a exibição de filmes nas universidades brasileiras como uma forma de tentar uma inserção em um ambiente progressista e contrário aos retrocessos a mostra “Todo poder aos Sovietes!” do Cinusp é extremamente necessária. A entrada para as sessões é gratuita e não precisa ser aluno ou funcionário da USP para participar.

Acesse a programação completa: Mostra “Todo Poder aos Sovietes!”

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