Golpe em andamento: quem trocou o chefe da PF foi o Exército

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General Etchegoyen muda direção da PF com vistas ao golpe militar

Nesta semana foi anunciada a substituição do Diretor-Geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, por Fernando Segóvia. Embora se tenha feito todo um estardalhaço no sentido de se colocar em questão se a mudança visaria acabar com o teatro farsesco da Lava Jato, a verdade é que alteração não representou nenhuma grande mudança nesse sentido. Isso porque nem mesmo Leandro Daiello sinalizava qualquer apoio significativo à operação.

O aspecto mais importante que chama a atenção na mudança do comando da Polícia Federal é quem foi seu principal articulador: o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, o General de Exército Sergio Westphalen Etchegoyen.

Embora seja protagonista de grandes comédias políticas nacionais, tais como entregar a identidade de um agente da CIA (Duyane Norman que absurda e inacreditavelmente era, à época, o chefe de um “posto avançado” da CIA, em Brasília), e de seu gabinete ter encaminhado o golpista Michel Temer para a “República Socialista Federativa Soviética da Rússia”, Etchegoyen é a principal esperança da burguesia. Ao conseguir efetivar a nomeação de Segóvia para o comando da PF, demonstra contar ainda com grande influência entre os setores golpistas, do aparato de repressão, e com o imperialismo norte-americano.

Nascido em uma família de militares autoritários, que ocupam altos postos no Exército há um século, o general Etchegoyen é um feroz defensor do golpe militar de 1964, a ponto de ter feito oposição ferrenha à Comissão da Verdade.

Etchegoyen também é responsável pela absurda liberação das Forças Armadas, que reprimiu a manifestação popular que, em maio deste ano, reuniu mais de 200 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Foi ele também o responsável pela autorização para que “assessores” americanos compartilhassem de missão do Exército brasileiro na Amazônia.

A partir do ocorrido, vemos um dos principais articuladores de uma pretendida intervenção militar atuando nos bastidores para que um indicado seu fosse nomeado para o comando da Polícia Federal. Isso é extremamente grave e deve ser amplamente denunciado. Todos os que defendem o regime democrático devem estar atentos para a gravidade desse fato enquanto antecedente lógico de um golpe militar.

Formalmente, a indicação seria atribuição do Ministro da Justiça, sem nenhuma participação dos militares. No entanto, o que vemos é um militar do Exército atuando diretamente na indicação do novo Diretor Geral da Polícia Federal, um dos principais órgãos de repressão usado pelo Estado burguês.

Portanto, neste momento, além da ameaça declarada de uma intervenção militar por elementos de cúpula das Forças Armadas, os brasileiros se deparam com os militares indicando aliados para posições-chave dentro do Estado. O mover das peças no xadrez do golpe militar indica que o projeto de intervenção militar já encerrou sua declarada fase de planejamento e agora passa para a fase de implementação.

De fato, quando se pretende um golpe militar, uma das principais tarefas é colocar as pessoas certas nos cargos certos. E, enquanto tudo isso acontece, a esquerda pequeno-burguesa dorme e, em seu sono profundo, sonha com as eleições de 2018!

A classe trabalhadora precisa mobilizar-se urgentemente contra o golpe de Estado de 2016, principalmente para deter a ameaça do golpe militar anunciado, que é uma estratégia de setores da burguesia golpista e pró-imperialista para impor e manter à mão armada a exploração e a retirada de todos os direitos da classe trabalhadora,  o que torna fundamental a sua mobilização, agora mais do que nunca, em defesa de seus direitos legítimos.

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