Exposição Homenageia Oscar Niemeyer

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Exposição Homenageia Oscar Niemeyer

Na última quinta-feira (09.11) foi aberta, na Pinakotheke Cultural, localizada na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, uma exposição que homenageia o aniversário de um dos maiores expoentes da arquitetura moderna mundial, Oscar Niemeyer. No próximo dia 15.12 completam-se 110 anos de seu nascimento.

Com uma obra de traçados simples apenas em sua aparência, Oscar Niemeyer foi o grande realizador de obras monumentais. Entre seus renomados projetos estão o Palácio do Planalto, o Palácio da Alvorada, o Itamaraty, o Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional, a Casa de Chá em Belo Horizonte, o Museu de Arte Contemporânea da cidade de Niterói/RJ, o Conjunto do Parque Ibirapuera em São Paulo e o Sambódromo do Rio de Janeiro. Suas obras foram recentemente tombadas como patrimônio histórico brasileiro.

Seu senso estético sempre valorizou a aproximação de sua obra com a arte. O próprio Niemeyer costumava dizer que a “arquitetura deve aproximar as pessoas das obras de arte”. Admirado também por seu senso de humanidade, Niemeyer sempre se mostrou sensível às questões sociais, especialmente as que diziam respeito aos setores mais humildes da classe trabalhadora. Sobre Niemeyer, o teólogo Leonardo Boff escreveu:

“Para mim a grandeza de Oscar Niemeyer não reside apenas na sua genialidade, reconhecida e louvada no mundo inteiro. Mas na sua concepção da vida e da profundidade de seu comunismo. Para ele “a vida é um sopro”, leve e passageiro. Mas um sopro vivido com plena inteireza. Antes de mais nada, a vida para ele não era puro desfrute, mas criatividade e trabalho. (…) Mas mais que tudo cultivou a amizade, a solidariedade e a benquerença para com todos. “O importante não é a arquitetura” repetia muitas vezes, “o importante é a vida”. Mas não qualquer vida; a vida vivida na busca da transformação necessária que supere as injustiças contra os pobres, que melhore esse mundo perverso, vida que se traduza em solidariedade e amizade. No Jornal do Brasil de 21/04/2007 confessou: ”O fundamental é reconhecer que a vida é injusta e só de mãos dadas, como irmãos e irmãs, podemos vive-la melhor”.

Comunista convicto, como sempre se declarou, Niemeyer sofreu grande perseguição política por parte da ditadura militar. Seu escritório foi saqueado e a sede da revista que dirigia (Revista Módulo) foi parcialmente destruída à época. Impedido de trabalhar no Brasil pelos golpistas militares, Niemeyer viveu na França durante os anos de exílio. Entretanto, sua genialidade e sua obra já eram reconhecidas e consagradas à época e Niemeyer recebeu em seu escritório vários clientes e várias delegações internacionais que lhe solicitaram vultosos projetos.

Finda a ditadura militar, a burguesia nacional – e os pseudo-jornalistas que se prestavam ao papel de capachos dessa casta parasita – chegaram ao ridículo ao atacar o eminente arquiteto pelo só fato de ele ser comunista. Mas, dada a genialidade internacionalmente reconhecida e premiada de Niemeyer, eram obrigados a aplaudir sua obra ao mesmo tempo em que atacavam sua pessoa. Esses pseudo-jornalistas eram levados rapidamente da crítica ao ridículo diante da opinião pública.

Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer, Espanha

Niemeyer trabalhou até os últimos dias de sua vida, encerrada dez dias antes de seu 105º aniversário.

Segundo um dos curadores da exposição, Marcus Lontra, “Oscar foi isso, foi uma personalidade que extrapolou a questão da arquitetura e essa mostra procura ser fiel ao que certa vez o Gullar falou dele: Oscar nos ensina que a beleza é leve. E essa exposição quer isso. Ela quer ser um momento de leveza, de beleza, de encantamento para que as pessoas percebam que com tantos problemas, com tantas dificuldades que a gente tem no Brasil, ainda existe esperança. E o Oscar é e será sempre essa chama, essa força pra nos dizer que o Brasil tem jeito, que o Brasil é capaz e que nós vamos vencer os desafios!”, afirmou.

O diretor da Pinakotheke, Max Perlingeiro, também rendeu elogios à vida e obra de Niemeyer: “… a arquitetura de Oscar Niemeyer é totalmente atemporal. Daqui a um século vão falar de Oscar Niemeyer exatamente como se fosse nos dias de hoje”.

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